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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 2

Escrevendo diretamente de Guaíba (vizinha a Porto Alegre). Darei continuidade ao que estava escrevendo sobre o corpo e nossa relecao com ele. Um fato ocorrido no sabado retrasado foi o mais perto que ocorreucom relacao ao suicidio. Um primo primeiro tomou soda caustica e fiquei 3 dias correndo em hospitais, com remédios e afins. O que quero dizer com isso é que o corpo não nos pertence (portanto não podemos fazer o que quisermos sem nos responsabilizarmos com as consequências). E este não é o tipo de coisa que simplesmente se faz e esquece, passa por cima como se nada tivesse acontecido. Que tipo de relação é esta que temos conosco? Não estar de acordo com algo é normal, mas , pelo menos para mim, não há nada tão ruim que possa fazer com que eu tire minha própria vida (ou mutile um corpo que me está emprestado). E não podemos julgar ninguém que o faz, sabem porque? Pelo mesmo fato de que fazemos o mesmo em graus variados e de formas diferentes. Como assim? Pessoas se matam todos os dias excedendo a quantidade de comida, transando demais, bebendo demais, fumando ou usando outros entorpecentes e assim por diante. E isso não nos parece assustador, a menos que pensemos desta maneira, pois tudo o que nos parece bom queremos aproveitar ao máximo. Aliás, são exatamente os extremos que são prejudiciais. Uns comem demais enquanto outros passam fome para manter a forma (por um distúrbio psiquiátrico ou qualquer outro motivo). A riqueza ou a pobreza também interferem de uma forma ou de outra. Exageros com adereços e roupas, o que inclui por exemplo piercings e tatuagens. A pergunta é: o que nos faz pensar que podemos fazer qualquer coisa com nosso corpo? Nisto se incluem os profissionais do sexo, pessoas que fazem mudanças no corpo (incluindo plásticas, modificações corporais, lipoaspirações, implantes etc), fisiculturistas e halterofilistas, auto-agressões... Acho que tinha mais, mas vai ficar sendo isso. Namastê. Au revoir.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 1


          Há pouco tempo falei aqui sobre a linguagem corporal e, há um pouco mais de tempo, falei sobre o toque. Agora venho falar sobre o veículo responsável por tudo isso: o corpo. Venho falar do que ele representa para nós e o que nós fazemos com ele. Para muitos o corpo é apenas um veículo de prazer e que é utilizado para vivermos, sendo confundido com a própria pessoa. Para outros muitos, incluindo eu, somos espíritos (ou almas) e temos um corpo, do qual fazemos uso para vivermos, sendo duas coisas separadas. Acredito que esses primeiros vivem meio perdidos, confundidos pelo torpor dos sentidos, esquecendo-se do que realmente são, vivendo devotamente a "si" e a Mamon. De uma forma ou de outra, o corpo é de suma importância.

          Vou começar falando sobre o que me chamou a atenção para escrever sobre este tema. Tenho observado durante a minha vida (que não é lá muito longa) os acontecimentos mundiais e como ele se reflete em nossa sociedade, mais precisamente na atualidade. Sempre existiu diversas formas de nos expressarmos através do nosso corpo, durante toda a existência do nosso planeta, mas algumas chamam mais nossa atenção do que outras (me refiro aqui ao tratamento que damos ao nosso corpo). Podemos citar como exemplo o celibato e a auto-flagelação (ou auto-mutilação, podendo levar à morte, como no caso dos homens-bomba) no caso dos religiosos, os vegetarianos e praticantes de atividade física no que se refere a o que ingerem, como e com o que nutrem seus organismos e como mantêm a saúde física (e porque não da mente?), aos praticantes de sexo (independente de ser casual, da orientação sexual, se são afeitos por fetiches dos mais diversos, se é somente com o parceiro que está casado, se é por profissão etc), aos diversos estilos e manifestações da vida (se é adepto a piercings, tatuagens, escarificações, implantes cutâneos, lacerações, tinturas de cabelo, suspensão corporal, cortes de cabelo/barba diferenciados e estilos de roupa). Esses são apenas alguns exemplos que podemos citar dentre tantos outros. Cada um tem seu livre-arbítrio, mas fico me perguntando: para quê ou se isso é realmente  necessário? Darei sequência a este parágrafo após a "definição" de corpo como um vaso, como coloco abaixo.

          Para finalizar, o que significa isso de vaso e casa que coloquei no título? São apenas 2 comparações simples que utilizo, como explico a seguir.

           Comparo o corpo a um vaso no caso de qualquer dos animais que habite a Terra (mas falarei detidamente sobre o animal racional, também conhecido como ser humano). Corpo, o mais sublime dos santuários no qual se manifesta a obra divina do Supremo Idealizador. Domicílio de carne, no qual a alma se manifesta, o corpo é perfeito em toda a sua extensão, em seus detalhes mais ocultos e em seus fantásticos mistérios, indecifráveis pela própria criatura. Através dela, a mente hominal se desenvolve e se purifica, ensaiando-se nas lutas da transformação interna, lapidando-se como diamante coberto de lama. Vaso depositário de bênçãos, como disse Emmanuel em psicografia de Chico Xavier, o corpo "lembra uma oficina complexa, formada de bilhões de motores infinitesimais, movidos por oscilações eletromagnéticas, em comprimento de onda específica, emitindo radiações próprias e assimilando as irradiações do plano em que se encontram, tudo sob o comando de um único diretor: a mente." O corpo é templo sagrado para o desenvolvimento das potencialidades das criaturas sobre a Terra e nos demais planetas que orbitam o Universo, que nos é oferecido gentilmente pelo Patrono Celeste.

          Ainda quando estava na universidade e atuava na área de psiquiatria, tive a oportunidade de conduzir grupos em atendimento na UDQ (Unidade de Dependência Química). Dentre as atividades que propús, trabalhei a questão da máscara (que falarei aqui em outra oporutnidade) e a questão da casa como simbologia do nosso corpo e do que fazemos com ele. E é este sentido que quis representar aqui. Imaginem nosso corpo como a nossa casa. Como é que é esta casa? É bagunçada, harmoniosa, bonita, simpática, mal-cuidada, suja, cheirosa, vazia, cheia, nova ou está com a construção em ruínas e caindo aos pedaços? E quem é que frequenta essa casa? Selecionamos quem entra ou qualquer pessoa pode entrar e fazer o que quiser? Nós estamos nela, participando e decidindo o que acontece e que rumos se toma ou somos apenas espectadores, deixando ao abandono? O que nós trazemos para dentro dela? Como disse aos meninos e meninas que atendi naquela época: nós tomamos a rédea da nossa vida; quem manda na nossa casa somos nós! Portanto, só acontecerá o que nós quisermos ou que nós permitamos que aconteça.

Resumindo: o corpo é uma das coisas que temos de mais sagrado e que devemos zelar o máximo possível, pois ele nos é emprestado por Deus. Sendo assim, devemos cuidá-lo para que se possamos merecer o título de filhos do Criador, instrumentos de manifestação divina para desenvolvimento de nossas capacidades para melhor servi-Lo. Lembrem se disso para facilitar a leitura de outros textos que exporei aqui sobre sexo, a mente, dor, doenças, a razão da nossa vida e para o qual fomos criados, entre outros. E lembrem-se deste texto também se forem reler o que escrevi sobre carnaval, vegetarianismo, doação, influência e exemplo, religião, desapego, morte, trabalho, liberdade e libertinagem. Por isso me questiono sobre a prática indevida do sexo (como o casual, grupal, profissionais do sexo e da indústria de filmes adultos etc), ingestão de entorpecentes, drogas ou qualquer outro tipo de agressão (como um aborto, por exemplo), exageros com dietas e na prática esportiva (como fisiculturismo e alterofilismo, que podem desenvolver distúrbios psiquiátricos e lesões físicas), o estilo de vida punk, roqueiro ou com modificações corporais, até mesmo nos casos estéticos (ditadura da beleza da magreza por aqui e em países norte-americanos e europeus e ditadura da engorda na Mauritânia, África, para conseguirem casar, ou das "mulheres-girafas" que utilizam aquelas argolas no pescoço e vão esticando-o) e assim por diante. Obviamente, como menciono acima, cada um sabe o que faz, mas é inevitável que se pense nas consequências de tamanho vandalismo, crueldade, agressão e mutilação (ou seja, atitudes pouco recomendáveis) contra nós mesmos. Lembrem-se: o corpo nos é somente emprestado, portanto façamos bom uso e cuidemos bem dele.

Namastê. Au revoir.

domingo, 6 de maio de 2012

Vegetarianismo - 2

Bem, como parece que ficaram pendentes questões relacionadas a este assunto e que gostaria de ter abordado, mas não tive tempo suficiente (ou que me esqueci mesmo), resolvi explorá-lo um pouco mais incitados por um dos comentários sobre o tema que utilizei como base. De certa forma é como se repetisse o que já tinha dito, mas ainda tem-se o que pensar. E se pensarem em outro ponto de vista, tiverem outras informações ou outra abordagem/exemplo relacinado ao tema que não encontraram aqui, favor compartilhar.

Este é o tipo de assunto que, como já havia dito, causa muitas discórdias porque cada um quer colocar (impor) seu ponto de vista, sua opinião e julgando os demais de ideias contrárias, agredindo e criticando, tomando aquilo como verdade absoluta e iniciando sempre uma disputa boba. Acredito que o texto escrito por mim anteriormente tenha se tornado interessante por ser informativo. Reafirmo o mesmo de antes: eu trouxe informações para que cada um forme sua opinião, embora eu já tenha a minha própria. Afinal, a questão vai além do que vc coloca no prato.

Como escrevi da outra vez, o impacto ambiental vai além de fazendas de criação, áreas verdes transformadas em pastos e abatedouros: também nos diz sobre os direitos dos animais e sobre consumismo. São problemas econômicos, sociais, ambientais e nutricionais. Porque? Quantos não são as aves que morrem para enfeitar o carnaval brasileiro, quantas pessoas ricas não se vestem com casacos de pele e usam bolsas e sapatos de couro de avestruz, jacaré ou bovinos e quantos são os animais que acabam em vidros e potes de cosméticos? Ou por exemplo se ao invés de comer carne uma pessoa aumenta a quantidade de sódio, carboidratos, gorduras, produtos industrializados, condimentados e conservas diversas. Da mesma forma que não adianta nada a humanidade se tornar vegetariana se não fizer a rotatividade correta das áreas de cultivo para nutrição e regeneração do solo ou utilizar muitos agrotóxicos para eliminar as doenças e pragas que atacam as plantações, prejudicando assim o meio ambiente, a saúde humana e animais de toda sorte que têm ligação direta com isto (como minhocas, pássaros, abelhas etc).

Em tempos distantes era necessário, e aceitável portanto, que o homem matasse para ter o que comer no que diz respeito aos valores nutricionais, quantidades de nutrientes necessários e na quantidade de fontes de alimentos disponíveis ao nosso dispor. Passado o tempo, o homem aprendeu a cultivar lavouras e aperfeiçoá-las, além do que também aprendemos a conservá-los mais para que pudéssemos trocar verduras, legumes e frutas das mais diversas com o mundo todo. Graças a isso temos a possibilidade de comer uma fruta japonesa aqui no Brasil e, portanto, não temos "necessidade" de comer carne para nos nutrirmos de forma adequada. Eliminamos, assim, a necessidade de caça e a pesca, ou pelo menos de diminuí-la. Mesmo que o planeta passasse a ser vegetariano teríamos outros problemas para resolver, pois continuaríamos com problemas de distribuição de renda e miserabilidade, sem contar que países realmente pobres como a África come-se o que tem para comer, sem direito a escolha. Portanto, para que isso possa se tornar realidade (o que ocorrerá daqui há, digamos, 100 anos), faz-se necessário a conscientização do ser humano, uma reforma de bases e educação (não só educação-educação, mas também a educação alimentar).

Para finalizar, vou falar novamente sobre a famosa cozinha vegetariana. Não é difícil fazer comida sem carne, mas a imaginação não nos permite ir muito longe, simplesmente porque para o cérebro da maioria das pessoas, se não tiver carne no cardápio, não tem refeição. As pessoas dizem "É, se não tiver carne na mesa parece que eu não comi" ou então "Se não tiver carne no meu prato eu não como/ não consigo comer". Sem contar os exageros, como havia dito na outra publicação: não basta fazer só macarrão com molho bolonhesa, tem que fazer também fricassê de frango e carne de sol frita. Ou então arroz com linguiça de frango, carne seca, calabresa e pedaços de carne de porco. E eu me pergunto para quê tudo isso. A digestão fica muito mais fácil se ajudamos nosso organismo com a alimentação mais leve. É um transtorno para alguém largar a picanha e trocar, um  dia que seja, por arroz, feijão e salada (quisá um ovo cozido). Mas é simples assim. A comida continua gostosa, pode ser bem variada (várias possibilidades de receitas) e é fácil/prática de se fazer, basta que tenhamos disponibilidade para aprender e vontade para fazer. Não precisa desesperar e ficar inventando moda; as pessoas ficam alarmadas. Conhecemos tantas receitas com palmito, tomate, milho, cenoura, queijo, grãos no geral (soja, grão-de-bico, tremoço, aveia etc) e outros vegetais e ficamos tão afixionados com a falta da carne que não conseguimos pensar em mais nada (é como se a criatividade e as receitas que conhecemos durante a vida fugisse, sumisse da nossa mente). Agimos como se o prato principal ou a mesa inteira como um todo girasse em torno da carne. Observem: tudo o que fazemos leva presunto, bacon, linguiça, peito de peru ou frango, entre outros. Assim realmente, se tirarmos pratos com carne parece que não temos mais nada o que comer e a mesa fica vazia e sem-graça. É tão mais simples tirarmos o presunto de algumas receitas ou coisas do tipo, e no caso de algumas receitas podemos também trocar de ingrediente. Mas as pessoas não param pra perceber isso (ou seja, não são conscientes disto), muito menos refletir.

Vou ilustrar com um fato ocorrido comigo esta semana. Fui ao aniversário do meu tio e minha tia disse que tinha feito caldo de ervilha, mas... Tinha bacon e calabresa no caldo (não era de ervilha?). No restaurante tinha bolinho de legumes, mas... tinha presunto no meio (não era pra ser somente de legumes?). Ou no caso  da beringela com pimentões, mas... tinha salsicha no meio (não era pra ser beringela e pimentões?). Acho isso muito irônico e controverso, chegando a ser engradaçado. Não era pra ser só ervilha e só legumes, no caso acima? Depois, fazer comida "vegetariana" é que é difícil... (né Tati? ;] ) As pessoas colocam carne em tudo e depois não sabem como podem fazer uma comida que não tenha carne... Com isso, estou apenas dando exemplos. Isto não é, portanto, criticar ou julgar, falar o que é ou não para ser feito. Só acho que isso seja uma coisa controversa. Qual é a necessidade de se colocar qualquer tipo de carne numa receita que era pra ser sem carne? Aí alguém pode falar: "Mas essa comida orgânica e cheia de frescura é cara demais". Tudo bem, mas lembre-se que tudo na vida é investimento. Quando se é jovem tem-se dificuldade em pensar no futuro e quando ele chega e o resultado não nos agrada ficamos chateados por não termos feito esta ou aquela coisa. Comer carne, no caso, se equivale a passar o protetor solar: pode ser caro e trabalhoso agora, mas os resultados chegarão a longo prazo e serão espetaculares.

Bem, tenho a sensação que falta dizer mais alguma coisa (ou mais algumas coisas), mas não me lembro no momento. Além do que o tempo é curto e o texto ficaria longo demais novamente (e as pessoas com preguiça de ler). Era isso: trago elementos a favor e contra, para que possamos refletir sobre a forma de melhorar nossa vida. Ninguém é obrigado a nada, mas as opções estão aí para serem escolhidas. E bem escolhidas. As consequências só virão depois. Este é um trabalho árduo, difícil e individual, pois é preciso que a consciência dos homens estejam expandidas (isto é, conscientes de seus atos e que estes estejam de acordo com seus pensamentos e com o que falam). Por ser individual é complicado que ocorra com todos "ao mesmo tempo", pois cada um anda de acordo com sua vontade, com seu ritmo, ao seu tempo e passo-a-passo, sem pular etapas (como se isso fosse possível). Além disso, temos que seguir os ciclos da vida e nosso próprio ciclo. É necessário dançar com a vida: deixar que ela te leve, mas manter a base sólida e raízes profundas para não se perder (perder o foco, a coragem, a vontade, a força e a meta a ser alcançada). Caminhemos com a vida, mas ela sempre corre para frente, sem nunca retroceder. E cada um ao seu tempo. Como dito em  uma frase de autor desconhecido que gosto: "Escolher é sacrificar. Que importa sacrificar algo grande em troca de algo ainda maior?"

Namastê. Au revoir.

domingo, 22 de abril de 2012

Vegetarianismo - 1

Aproveitei a deixa para escrever sobre o assunto depois que saiu uma reportagem essa semana que acabou sobre um grupo de 3 pessoas que assassinavam mulheres e utilizavam a carne das vítimas para fazer salgados para vender. Isto é, "obrigavam" as pessoas a fazer uma espécie de canibalismo. Nem estava sabendo do assunto até um de meus pacientes de informar sobre o que ocorria na mídia. E, pelo menos para mim, isso serviu para reflexão mais uma vez. E porque não trazer isso para as outras pessoas também?

Vamos começar pelo motivo pelo qual me tornei vegetariano. Nunca fui muito chegado em carne, mas menino não tem muito querer (não é mesmo?). Além do que, não é apenas tirar a carne do cardápio, é necessário substituí-la, cooisa que não podia financeiramente antes. Então para começar, me sentia mal comendo carne e também não gostava. Há uns anos tive oportunidade e condições financeiras para manter minha condição de não comedor de carne, coisa que já tinha planejado há uns 10 anos atrás mas só agora pude concretizar. Também tem aquela questão, que muitos criticam, de ter dó dos bichinhos. Mas na hora de explicar fico só com a primeira parte que dá menos trabalho (fazer o que se as pessoas não entendem e tentam de toda forma te dissuadir do que vc escolheu?). Verdade seja dita (completamente): ainda como peixes e frutos do mar com uma média de 1 vez por semana, mas há os vegans que comem exclusivamente vegetais, não ingerindo nenhum derivado de animal (como leite, ovos, manteiga, iogurte, queijo, mel etc).


Bem, a carne, ao contrário do que muito imaginam, não é um alimento necessário nem importante para nós seres humanos. Para os aminais (como o leão, por exemplo) é necessário pois ele só tem instinto, ao contrário de nós que herdamos uma pequena parcela desta e temos a inteligência (com raciocínio, pensamento etc) ao nosso favor. Não precisamos mais caçar para sobrevivermos: aprendemos a cultivar os mais diversos tipos de plantas ao redor do mundo. Então para que continuar com essa matança em nome de uma coisa que não representa muita coisa? Devemos lembrar que os animais também são nossos irmãos (digamos que mais novos). Nesse ponto me lembro, mais uma vez, de meu desenho preferido (Avatar) que num episódio, em que dialoga consigo mesmo, diz, sorrindo: Toda vida é sagrada. Sou até vegetariano. E está certo! O que é que nos faz pensar que somos melhores que outros animais? Só porque falamos, pensamos racionalmente e andamos sobre 2 patas? Toda vida é mesmo sagrada!

Daí partimos para outro ponto: o de agir em defesa da vida! Digo isso porque não paramos para pensar 1 segundo sequer sobre nossas atitudes e suas consequências. Preferimos agir no nosso comodismo e deixar as coisas estagnadas para manutensão dos nossos vícios. Porque matamos para comer bois, vacas, porcos, galinhas, antas, jacarés, tatus, ovelhas/cordeiros e peixes (e em outros países ainda cachorros, tartarugas, macacos, insetos, cobras, entre outros) e não matamos pelo mesmo motivo papagaios, gatos, cachorros e peixes (considerados de estimação), sapos, camundongos, aves diversas, coelhos, lagartos etc? Para ilustrar tem um vídeo interessantíssimo chamado Pig Me que conheci outro dia, juntamente com uma reflexão deveras interessante também em um blog de notícias de quadrinhos e cinema, chamado Melhores do Mundo, que acompanho de vez em quando. Nele, o próprio autor da publicação diz que "come carne para cacete" e que não vê graça em curtir com a cara ou chamar vegetarianos de malucos, declarando serem "pessoas mais fortes e mais sensatas que eu", que a escolha dos vegetarianos "traz mais benefícios pra mim do que a minha opção faz bem a eles" e que não se orgulha de não ter tentado ser vegetariano. Mas dá a dica para quem quer ser vegetariano de meio período (quem come carne dia sim, dia não), incluindo um vídeo da esposa do Paul McCartney apoiando a causa do Peta. Outros famosos que são vegetarianos são Madonna e Richard Gere.

Com tudo o que foi dito, ainda pode ser discudito a questão do direito dos animais e do impacto no meio ambiente. O consumo de carne é uma indústria e indústria querem lucro, sem se importarem muito com qualidade. Fazem o possível para seduzir as pessoas a comerem mais carne, mas vamos pensar um pouquinho no que isso resulta. O aumento da quantidade de animais tem conexão direta com fazendas de criação e abate, que por sua vez necessita de grandes áreas de pasto, lagos para os peixes ou baias para os porcos ou galinhas. Faz-se o desmatamento para a criação desses pastos, repercurtindo diretamente na questão ambiental com enfraquecimento do solo, diminuição de áreas verdes, contribuição para o aquecimento global, desvio de recursos hídricos para irragação e assim por diante. Sem contar com os gastos de alimentação e hidratação dos animais para abate: Enquanto são necessários menos de 500 litros de água para se obter 1 kg de soja, gastam-se até 15 mil litros de água para produzir 1 kg de carne bovina. Agora vamos ver o lado dos animais: como vc se sentiria, sabendo que está sendo criado (e, algumas vezes maltratado) para morrer? Com os animais não é diferente, demonstrado pela ilustração de Pig Me. Eles sabem que vão morrer, que socam comida goela abaixo para engordarem, são obrigados a ficarem presos, remédios que são aplicados "sem necessidade" etc. Eles sofrem com isso! E a carga energética que trazem consigo, principalmente na hora do abate, é muito forte e prejudicial. E a carne demora 3 dias no nosso organismo para ser digerido. Além do que algumas pessoas (pelo menos a maioria que conheço) são tão exageradas que, não bastando fazer bife e galinhada, ainda faz carne de panela ou carne moída. Precisa realmente disso tudo pra uma refeição só?

Para finalizar, gostaria de falar sobre as discussões dos que são a favor e contra o vegetarianismo quanto á questão da saúde propriamente dita. Não há consenso, nem entre médicos, nutricionistas, profissionais de educação física etc. Então vai da consciência e do coração de cada um. Os que são contra defendem que necessitamos da proteína da carne e que mesmo com toda a reposição que se faça com grãos, verduras e legumes existe uma tal de vitamina B12 que está presente exclusivamente na carne e que nós necessitamos. Já me disseram que todas as vitaminas e proteínas podem ser substituídos por soja, grão-de-bico, ervilha, vegetais de folhas verde escuro, ovos etc e que essa tal vitamina B12 estaria presente no ovo e nas folhas verde escuro. E que é o que eu acredito. Ora, se realmente fosse necessária a carne para nossa sobrevivência os indianos já não existiriam mais há séculos. Alguns outros, tentando "atacar" ainda apontam para mim: "Ah, então vc deveria viver de luz como as plantas. Já que não come carne porque vem de seres vivos, as plantas (verduras e legumes) também são seres vivos". A resposta é simples: bem que eu tento e gostaria, mas não possuímos clorofila para transformar a luz em energia. Óbvio que sei que as plantas também são vivos, porém os animais estão mais próximos de nós. O que está em jogo aqui, porém, é que querem estar todos certos, tanto de um lado quanto de outro e cada um defendendo seus interesses com unhas e dentes. Enquanto isso, pelo menos a grande maioria das pesquisas são tendenciosas para o não-vegetarianismo, já que os carnívoros (imagem que ilustra o ataque dos carnívoros meio, digamos, fanáticos, que se sentem ameaçados) querem sustentar seu vício frente a esta "ameaça". É mais fácil e cômodo comer sem pensar nas consequências do que parar para pensar nos benefícios e ter força de vontade para ficar 1 dia sem carne. Inclusive, se formos parar mesmo para pensar somos como os urubus: comemos carne podre e seres em decomposição, a diferença é que as congelamos e colocamos temperos.

Acho que já falei demais. Não estou aqui para levantar bandeiras, dizer o que tem que ser feito ou o que não tem, muito menos querer obrigar as pessoas a seguirem isto ou aquilo, serem vegetarianas com todos esses argumentos que trouxe. Apenas quero mostrar o que existe de fato e, quem sabe, fazer as pessoas parar ao menos para pensar. Porque agir já é outra história... Acho os vegans (quem só come vegetais e não comem nem derivados de animais como ovos, queijo e mel) um tanto radicais, mas tenho consciência que chegarei lá. Não sei quando nem como nem onde, mas estarei lá algum dia. E não tenho pressa: cada coisa ao seu tempo. É óbvio que sei que o mundo não pode ser completamente vegetariano agora, por divesos motivos: a quantidade de pessoas no mundo que sequer têm o que comer (quanto mais poder escolher o que comer), a dificuldade em aceitar alguma coisa que não vá de encontro ao que queremos e as mudanças físicas, propriamente ditas, que isto acarretará. Por isso digo que podemos começar com 1 passo por vez, devagar. E este primeiro passo é pensar. Qualquer transformação ocorre aos poucos.

O fato é: além do maltrato aos animais, tornamos o mundo pior para nossos filhos e netos com tantos impactos ao ambiente para a criação dos bichos para consumo. Se fizermos algo para aumentar os dias e a qualidade do planeta onde vivemos, por menor que seja, já está valendo. Mas isso demanda tempo e, principalmente, força de vontade (o que falarei em outra oportunidade)! Podemos começar com as pequenas coisas. A comida vegetariana é fácil de fazer e muito gostosa, apesar de muitos imaginarem o contrário, basta que se tenha vontade de experimentar e fazer. São esteriótipos e preconceitos como estes que oportunidades são perdidas. Ressalto novamente a questão da comodidade e da força de vontade. E onde é que entra a questão do canibalismo nisso tudo citado no início do texto? Além do que matar é crime, consumir carne humana ou de qualquer outro animal também poderia ser crime, já que não somos melhores ou piores que qualquer outro animal. Se pensar em abatedouros humanos é horripilante, abatedouros de animais também deveria ser (ilustrada pela imagem bem a cima referente ao nazismo). Para os interessados, podem conhecer aqui uma revista para vegetarianos e aqui também podem conhecer como ser vegetariano por 1 dia.


Não sou o tipo de vegetariano chato, tanto para comer quanto para tentar fazer alguém mudar de ideia sobre qualquer coisa que seja. Acredito que atitudes e exemplos falam mais que palavras. Muita gente fica preocupada quando vou comer na casa delas "sem saber o que fazer pra me agradar". Eu como de tudo, exceto carne. Simples. As pessoas é que imaginam que só existe refeição se tiver carne no meio, sem contar que parece que só existe carne para comer em qualquer refeição que se faça. Acho engraçado.

Fica a dica: pare e pense. Não custa nada.
Aproveito ainda para falar que hoje é o Dia da Terra! \o/
Namastê. Au revoir.

domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa

Estava me esquecendo que a Páscoa, como as demais datas comemorativas (carnaval, natal, entre outros) servem para reflexão e, posteriormente, merecem um lugar para publicação aqui. Não tem muito segredo, pois será mais ou menos parecido com as considerações que fiz sobre o natal.

A Páscoa, assim como outras datas comemorativas religiosas, perdeu o sentido. Na verdade, hoje virou um comércio. É apenas exploração do dinheiro suado dos trabalhadores em troca de poucos gramas de chocolate e alguns brinquedos que encarecem mais ainda os ovos. E são chocolates de todos os sabores, cores, gostos e texturas. Aliás, para alguns sequer têm um significado além de comer chocolate em formato de ovo (e que são simbologismos). Somado a isto ao fato de que a "sexta-feira santa" é feriado e, como tal, pouco importa o motivo. O que importa mesmo é que ficarão sem aula, sem trabalho e que terão um tempinho a mais, por menor que seja, para descançar. Mas a verdade não é bem essa...

Simbologias a parte, a páscoa é para comemorar a ressureição de Cristo após a morte, numa alegoria sobre a vida eterna que temos em espírito junto a Deus. É uma mensagem de triunfo do bem sobre o mal, de superação, de esperança, bondade, otimismo, confiança etc. E a sexta-feira é para lembrar o sofrimento (ou a paixão, como alguns preferem) de Crito passado, como forma de se fazer mais presente aquilo que Jesus fez por nós. E eu pergunto: isso realmente é necessário? Para mim não faz muito sentido. Isto é apenas parte da história e Jesus veio por outro motivo, não para que ficassem revivendo o que ele passou. Acho que ele e Deus não ficam muito felizes com essa "historização" que fazem todos os anos. A vontade de Cristo era que nós pegássemos os ensinamentos dele, aprendessemos e colocassemos em prática. Aliás, foi só isso o que ele veio fazer aqui: ensinar para que nós colocassemos em prática! E ao contrário disso ficamos aí refazendo tudo o que já aconteceu e fazendo tapetes multicoloridos com diversos materiais  por ruas e avenidas, enquanto as pessoas continuam passando fome, sem estudo, moradia, problemas de igualdade social, financeiros, de emprego, entre outros. Esse tempo seria melhor gasto e Deus e Jesus ficariam muito mais feliz se, ao invés de dramatizarem e representarem parte da história, fizéssemos multirões de voluntariados para promover ações sociais e ajudar os menos favorecidos. Para mim, essa teatralização (e os filmes que são feitos e refeitos aos montes) é um pouco de perda de tempo, digamos - na falta de melhores palavras para descrição -, mas entendo que tem quem necessite desse tipo de estímulo para começar a entender e sentir, mesmo que parcialmente, a mensagem do Cristo.

Outra coisa que é interessante é o fato de que na sexta-feira santa não se pode comer carne. Acho isso, no mínimo engraçado, como se fosse uma desculpa para se comer peixe (outro símbolo) pelo menos 1 vez no ano. Tem quem não coma carne também durante a quaresma, período que antecede à páscoa. Aliás, não só carne: também fazem promessas com doces, bebidas etc. E o que eu vejo de interessante nisso? Sobre não comer carne (o vegetarianismo) falarei em outra oportunidade, mas sobre essas promessas é que são elas. Acho interessante o fato de que, mesmo em períodos fora de quaresma ou páscoa, as pessoas fazem promessas a Deus, afirmando que farão tal coisa se obtiverem o que elas querem. Uai, como Deus, um ser perfeito, criador de tudo e todos, justo, amoroso e bom, vai querer qualquer coisa que nós ofereçamos a ele se ele já tem tudo? Deus não funciona a base de "moeda de troca". Acho engraçado as pessoas não pararem sequer para refletir que, tudo o que fazemos, seja de bom ou de ruim, voltará para nós e que se corrermos atrás do que queremos e obtivermos será 1 ponto positivo para nós mesmos, mas se quisermos aliar isso a diminuir/parar de comer carne, estudar mais, procurar um emprego, fazer uma reeducação alimentar etc, serão 2 pontos positivos; então ao invés de se obter 1 "graça", serão 2 graças. E dependendo do que for, não só a gente, como o outro, os outros ou o planeta agradece.

Ao contrário do que possa parecer, não estou aqui para apontar, julgar ou criticar. Estou aqui para dar um empurrãozinho sobre coisas que devem ser refletidas para aqueles que não conseguem ainda perceber por si mesmos. Dar exemplo com situações concretas não é julgar. Além disso, reconheço que pelo menos a páscoa serve para dar muitos empregos a muitas pessoas, mesmo que seja por um "curto período de tempo".

De qualquer forma: feliz páscoa para todos! Que vcs possam descobrir a paz do senhor que está dentro de cada um de nós.

Namastê. Au revoir.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Natal

Era pra eu ter feito esta publicação no fim de semana que ocorreu o natal, porém a correria foi grande, festas, parentes chegando e preparação para viagem. Acabei esquecendo e transferindo para hoje, já que cheguei de viagem na metade desta semana e onde eu estava não funcionava celular, não tinha internet nem computador e a televisão foi esquecida.

Esta será uma publicação curta e rápida, onde falarei sobre o natal. Data muito importante mundialmente e mais importante ainda para os católicos (devido à influência do Catolicismo no quadro mundial, mas na verdade, para os cristãos como um todo). Esta seria a data que comemoraríamos o nascimento de Jesus, o maior dos avatares que recebemos, porém o que se vê por aí não é bem isso... A começar pelo motiva da comemoração que, segundo a revista Super Interessante, não seria a data correta do nascimento do Cristo (mas isso não vem ao caso). Poucos se lembram que o real motivo do natal é este grande nascimento, que deu início a uma nova era de maior paz e crescimento à humanidade, cujo ponto mais importante é, também, a valorização da família. Jesus foi substituído por um Bom Velhinho, com barba grade e farta, que se veste de vermelho e só aparece neste dia específico do ano. Porém isso não muda muita coisa, já que a intenção do Papai Noel é disceminar na caridade, generosidade, valorização do bom comportamento social (na escola, com os pais etc) e a gratificação pelo ano que passou.

Papai Noel é, na verdade, o senhor Nicolau de Mira, São Nicolau ou Santa Claus do século III, do qual poucos já ouviram falar e que deu origem ao mito que celebramos nos dias atuais. Daí a parte ruim do natal. Não pelo Santo ou o que ele representa, ao contrário: a troca de presentes. É, presente não é algo tão ruim, mas no que isso se transformou ao longo do tempo se tornou um "problema". Segundo a tradição, deve haver troca de presentes no dia de natal (o próprio Papai Noel traz presentes num saco bem grande para dar para as crianças), contudo isso fez com o que esta data festiva se transformasse em mais uma data comercial. Ainda mais se associarmos o 13° salário a isto. Portanto, o natal se transformou em mais um modo de ganhar dinheiro e explorar a população mundial, utiliando a imagem de um "Bom Velhinho" e fazendo-se esquecer do nascimento do Cristo. É compreensível que queiramos presentear quem nos é caro e faz parte da condição evolutiva atual da humanidade, visto que necessitamos de algo material para expressarmos agradecimento, apreço ou afeto (o que não será mais daqui há muitas décadas ou alguns séculos).

Ficam de lado os valores morais e abraços sinceros para se dar lugar a presentes comprados no frenesi do comércio. E não é só isso: a época se transformou num símbolo de caridade e solidariedade, mas que eu vejo frequentemente como oportunidade de se dar esmolas em troca de remissão de falta, de pecado, de tempo, entre outros. Isto é, natal é data marcada para se fazer "caridade", como se no resto do ano não fosse possível fazê-la ou não tivesse importância. Nesta época do ano se proliferam campanhas em favor dos pobres ou pessoas que passam por dificuldades (como moradores de ruas e usuários de drogas), fazendo parecer que no resto do ano não se dá importância a esse tipo de coisa. Porque a ajuda e se importar com o próximo tem que vir só nesta época do ano? Neste sentido não falo somente da caridade social, mas também de reconciliações de brigas que acontecem na vida (entre familiares próximos ou distantes, colegas de trabalho etc). Engraçado, deve ser o famoso "espírito natalino" (que gostaria que acontecesse o ano todo), mas pode ser a falta de tempo da modernidade... Obviamente estou sendo generalista, mas gostaria que este texto trouxesse reflexão sobre qual o real sentido do natal.

Atrasado, mas ainda em tempo: Feliz Natal e Feliz Ano Novo, com um 2012 repleto de saúde, amor, sabedoria, prosperidade, realizações e alegria!

Namastê. Au revoir.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Religião 5 - O desenvolvimento e a transformação

Dando continuidade ao assunto, gostaria de abordar aqui essas duas questões: religiosidade e espiritualidade. Na verdade acho que não tem muito o que falar, tendo em vista todas as coisas que já publiquei sobre o assunto (reveja aqui e aqui).

Religião existem várias ao redor do mundo e servem para dar início à grande jornada de encontro com Deus; já a espiritualidade é bem mais ampla, profunda e verdadeira (e que demora mais tempo para se perceber, compreender e aplicar). Religião são os primeiros passos pelo caminho do auto-conhecimento, onde o homem tem os primeiros contatos com o mundo espiritual, passando a representá-lo, percebê-lo e apresentá-lo a outros de sua espécie, construindo-o a seu bel-prazer e de forma a atender a seus interesses. Desta forma, podemos notar a forma como este contato foi se desenvolvendo e onde isso vai dar, ou seja, como a religião foi se transformando ao longo de anos a fio até chegar à espiritualidade.

Desde o início dos tempos o homem veio construindo seu contato com o plano superior, começando pela criação de um enorme panteão dos deuses como forma de explicar os fenômenos da natureza. Estamos falando então do politeísmo que se fez presente em variados povos e lugares, como nos índios americanos e na cultura grega, tanto animais quanto humanos. Esses deuses, apesar de considerados perfeitos, apresentavam várias facetas imperfeitas, isto é, poderiam ser classificados como "humanos super-poderosos" (pois apesar de tanto poder e responsabilidade, sentiam raiva, ódio, carinho, generosidade, humildade, curiosidade, ansiedade e até formavam famílias - inclusive com os próprios humanos como no caso do semi-deus Hércules). Pulando um pouco da história, chegamos ao monoteísmo, isto é, onde um único deus está no comando. Há ainda os ateus (que não acreditam em nenhuma força superior).

A religiosidade vêm sendo construída por homens e para os homens, mas no que isso vai dar? A resposta é espiritualidade. A transformação é lenta e gradativa, e não pode ser de forma diferente, pois cada um tem um ritmo para caminhar. Isto também está implicado a evolução das pessoas, digo, evolução espiritual. Isso já uma outra história e entra um pouco em outros assuntos (como reencarnação e Lei de Causa e Efeito), coisa que posso abordar posteriormente. O que nos interessa agora é que, à medida que se percorre o caminho da ascenção, a criatura vai transformando a religiosidade em espiritualidade. Como assim? Explico melhor.

Dentro de cada religião há suas características egoísticas (o que pode caracterizar-se como sectarismo religioso) de acordo com o que se interessa, isto é, seus rituais, indumentárias, linguagem e, principalmente, a ideia que se quer passar para as pessoas para que elas façam parte de sua religião em particular. À medida que se vai espiritualizando, a criatura começa a tomar posse do verdadeiro tesouro, acessando informações/conhecimentos para o bem coletivo, começando a despertar muito mais para o que realmente viemos. Desta forma, a espiritualidade pode ou não estar atrelada à religiosidade. Mas uma não tem necessariamente a ver com a outra. Onde podemos ver isto? Temos o exemplo de Madre Teresa, Sócrates, Buda, Joana d'Arc, Gandhi, Francisco de Assis e o próprio Jesus. Apesar de estarem inseridos em um contexto religioso, conseguiam perceber e fazer algo muito além/acima do que apenas seguirem os ritos e dogmas a que eram impostos.

Como se pode perceber, até mesmo quem menos se espera pode ser mais espiritualizado que nós mesmos ou quem nós consideramos que seja (como padres, pastores, o Papa, o mestre desta ou daquela religião). Como cada pessoa é uma (há pessoas e pessoas, de todos os tipos - boas e más, amarelas e negras, godas e magras etc - e em todos os lugares) e se encontra num nível evolutivo diferente (o que também se pode entender como consciência espiritual ou coisas dessa natureza), podemos encontrar ateus que são mais bondosos e caridosos que o próprio bispo, ou judeus com uma percepção maior que os espíritas, ou ainda hindus mais conscientes que mulçumanos, ou protestantes mais evoluídos (espiritualmente falando) que budistas. Para alguém menos consciente, a religião está acima de qualquer coisa, mas o tempo passa, as coisas mudam e as pessoas melhoram. Do mesmo jeito que o politeísmo convergiu no monoteísmo, a religiosidade se transformará e dará lugar à espiritualidade. Pessoas espiritualizadas existem em todos os lugares, mas são poucos. O que encontramos com maior frequência são pessoas religiosas.

É neste sentido que eu disse que anteriormente que o espiritismo não é a religião do futuro, mas o futuro das religiões. Entende-se com isso que dentre as atuais religiões, o espiritismo é a que se encontra com a maior parte da "grande verdade" desvendada, isto quer dizer que esta religião pode ser compreendida em facetas variadas, tanto do cunho religioso e moral, quanto filosófico e até mesmo do raciocínio e da lógica. Da mesma forma que o Catolicismo foi tomando espaço de religiões onde vários deuses eram cultuados (inclusive com animais misturados), o Espiritismo também se sobreporá às demais religiões, mas de forma branda, passífica e natural. Não quero dizer que o Espiritismo é o melhor, pois ela, assim como as demais religiões, irá acabar um dia. Nós não vamos parar por aí, pois temos que comer muito arroz e feijão ainda pra conseguir chegar na metade do que Jesus foi quando esteve aqui entre nós (cito ele porque é a personalidade com maior espiritualidade ou nível evolutivo que conhecemos). Como pode-se ver, a tendência da religião é ir sumindo gradativamente, pois não precisaremos mais dela.

Para finalizar, reafirmo o que eu tinha dito na publicação anterior: todas as religiões, em sua essência, falam as mesmas coisas, porém de formas distintas. O que quero dizer com isso é que a dita Verdade Absoluta já nos foi passada em doses homeopáticas e está presente em todas as religiões, porém, à medida que o homem foi se espiritualizando mais, estas medidas se tornaram um pouco maiores e mais profundas. É neste contexto também que pode-se entender a passagem das demais religiões para o Espiritismo, onde algumas verdades não poderiam ser discutidas ou não tinha parâmetros ou mesmo por falta de conhecimento mesmo do mundo espiritual. Com o Espiritismo elas ficam mais claras, porém isto não significa um ponto final. Como já havia colocado: a religiosidade é apenas o primeiro passo para que se possa chegar à espiritualidade (e que também, provavelmente, irá se transformar no futuro em algo maior e mais profundo, pois a evolução é contínua).

Namastê. Au revoir.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Religião 4

Chegou a hora! Depois de 3 publicações sobre o tema religião (religião 1, 2 e 3 e a diferença entre religião e espiritualidade), resolvi escrever o que penso a este respeito. É um tema tão amplo, que nem sei por onde começar. Como todos sabem este é um tema que carrega arraigado bastante preconceito e tabu, tanto que é muito conhecido aquele ditado: política, religião e futebol não se discute. Pois eu digo que é dever de todos não só discutir, mas principalmente refletir. Nesta publicação falarei apenas sobre religião, transcrevendo o que penso; em outra publicação falarei sobre o desenvolvimento da religiosidade até chegar na espiritualidade. Então, mãos a obra!

Posso falar mais especificamente citando como exemplo, por ter maior conhecimento de causa (e por ser também o catolicismo a maior religião do país, portanto mais conhecida por todos), o catolicismo e o espiritismo, devido ao fato de ter crescido católico e me tornado espírita (ou seja, meio que me concedo "licença pra falar" de ambas). TODAS as religiões são ótimas, bem-vindas e de extrema importância, porém ela está se perdendo e perdendo sua força. Explicarei mais a frente.

As religiões começaram a existir pela necessidade do homem entrar em contato com o Ser Superior e foram se desenvolvendo ao longo dos anos e séculos. Existem várias pelo mundo e outras ainda podem surgir, pois o homem também a criou (e cria) ao seu bel-prazer pra suprir suas necessidades (que também podemos classificar como egoísmo, no caso). Ainda vimos ao longo da história, a religião atrelada à política. Isso não existe mais no nosso país, mas ainda existe em outros lugares do mundo. É importante que se tenha em mente que religião é uma coisa, o Estado é outra e o homem que a cria é outra. Porque estou falando isso? Porque alguns podem confundí-la ao verem um chefe de Estado utilizando-a como veículo de controle de seu povo (o que já aconteceu no mundo e ainda acontece) ou podem falar que tal religião não presta, sendo que o que está "errado" é seu criador ou quem está no "comando". Estes tipos de coisas confundem muita gente.

A religião em si é pura, porém incompleta. O que eu quero dizer com isso é que o conceito é de grande valia, mas sua forma de manifestação e seu papel no mundo ainda falha em alguns pontos e deixa a desejar. Explico-me: em sumo, o papel da religião é desenvolver o homem em sua capacidade divina, fazendo-o chegar a Deus através de si, porém o que vemos é que ela faz isso até determinado ponto, estagnando em seguida. Ela fica presa a várias amarras (como rituais etc) que não a desenvolvem e nem levam seus seguidores a diante até seu desenvolvimento completo. Apesar disto, é compreensível, justo e (embora incompleto) está correto, pois a religião leva o homem até uma parte do caminho e daí em diante ele segue com suas próprias pernas. Para isso basta que tenha percepção e isto depende diretamente do seu nível de consciência evolutiva. Cada pessoa tem uma evolução, portanto enxerga as coisas de acordo com suas experiências. Desta forma, todas as religiões estão aí para suprir as necessidades de cada um de acordo com seu nível de entendimento! Ou seja, cada religião se faz necessária (exatamente como elas são em suas expressões e representações) para que determinados indivíduos possam compreender algumas coisas e seguir a diante.

Obviamente não concordo com algumas (talvez muitas) coisas que vejo por aí. Como exemplo vou pegar o Catolicismo. O motivo de não ter seguido com esta religião é que me sentia muito preso (como se faltasse algo também) e por ela ser muito contraditória (até antiquada em algumas coisas). Ela ta dá respostas limitadas ou não tem respostas pra algumas coisas (é mistério de Deus ou o famoso "porque Deus quis"); fala que todos são filhos de Deus, mas não aceitam homossexuais (como outras religiões), profissionais do sexo ou que seus fiéis concebam outras ideias além daquelas que pregam (abracem também outras religiões); pregam contra o aborto (ou, como eu prefiro e concordo, é a favor da vida), mas são contra o uso da camisinha e contraceptivos; falam (quase que ditam regras) de como você tem que ser na vida, tem que se confessar, batizar e crismar para ter lugar no paraíso, não te deixando caminhar com as próprias pernas (ou "pecar") e "receber segundo suas obras"; falam que todos são filhos de Deus e Ele é o maior, Pai de todos, mas acreditam em demônios e que exista outro ser superior (o famoso diabo, satã ou seja lá que nome dão a ele) tão forte quanto o próprio Deus mas que é contrário a ele; exaltar tanto assim Maria, mãe de Jesus (as vezes até venerá-la mais que Jesus, vide o próprio terço - que tem 10 Ave-Marias para 1 Pai Nosso - ou a oração do Salve Rainha), e até o próprio Jesus ser colocado como se fosse o próprio Deus; assim por diante. Admiro quem entenda e aceite, mas (embora aceite e compreenda) eu não consigo conceber tantas contradições e as vezes hipocrisia. De certa forma, se confessar e rezar não sei que tanto pra se ver livre dos pecados é como colocar sua responsabilidade não mão dos outros, quando esta depende apenas de nós mesmos. Ou mesmo quando rezamos pra determinado santo, queremos que eles façam o que nós deveríamos fazer. Sem contar as inúmeras guerras, o acobertamento de pedofilia ou atrocidades que a igreja fez "em nome de Deus". Acredito que coisas como o celibato e a constituição da família por padres deveria ser coisas que mereceriam ser revistas. A igreja (o Papa ou seja lá quem for) parece querer que essa ritualística permaneça estagnada nos dias de hoje como era há 100 anos atrás. Os tempos mudaram e é necessário que se abitue e se modifique com ele.

De forma parecida são os protestantes (vulgo crentes ou evangélicos), sobre a questão de demônios, céu e inferno, não "aceitar" outras religiões (quem não for protestante não será salvo) e homossexuais. Ainda há outros como se Deus é tão bom, justo e amoroso, porque ele castiga, pune e condena os próprios filhos a nascerem ricos e saudáveis quando outros nascem miseráveis, doentes e famintos ou quando morrem porque são condenados a queimarem no fogo do inferno para toda a eternidade quando outros merecem o céu? A quase total negligência de Maria e a gigantesca exaltação a Jesus sendo na imensa maioria das vezes colocado maior até mesmo do que Deus, seu Pai (essa semana fiquei um tanto estarrecido quando vi num carro o adesivo "Jesus é Deus"). Ainda há o esteriótipo do protestante (bíblia embaixo do braço e mulheres de saias longas e cabelos enormes) que ajudam a manter o preconceito, mas muitos também não fazem por onde para se ajudarem. Gritam aos sete ventos que tem que pagar o dízimo e que se não aceitarem Jesus em seus corações não serão salvos (maneira diferente de dizer que as pessoas têm que entrar pra igreja). Uai, Deus cria seus filhos para se perderem e fica por isso mesmo? E ainda não acreditam em santos e qualquer um pode fazer um milagre junto ao Espírito Santo, do mesmo modo como Jesus fazia. Têm todas as frases da bíblia decorada na ponta da língua e para todas as perguntas têm um versículo para recitar, porém se saírem um pouco desta rota se perdem e nada respondem. Como se pode nos dias atuais levar ao pé da letra tudo o que está escrito como verdade absoluta? Não devemos esquecer que este livro sagrado foi escrito em uma cultura diferente, em tempo muito diferente e que sua tradução ao longo dos anos pode ter se perdido do original (e não estou nem mensionando que quem escreveu ou quem traduziu pode ter traduzido errado uma palavra ou uma frase e também pode ter imprimido na bíblia aquilo que eles mesmo tinham como verdade, e não como estava escrito). A bíblia foi escrita por homens, portanto obviamente pode ter sido (o que tenho como certeza) manipulada. Talvez ao invés de decorarem tudo, deveriam colocar em prática o que Jesus ensinou. Mas verdade seja dita: apesar de todo esse "fanatismo", pouco se vê em outras religiões tamanha fé (ao menos é o que parece), entusiasmo, força e devoção. Pelo menos é isso o que sinto ao ouvir as músicas gospel (que inclusive eu adoro).

O Espiritismo já é mais aberto, mas nem por isso deixa de ter falhas. Há alguns anos estudo esta doutrina com tripé filosófico, religioso e científico, e foi onde realmente me senti à vontade. Esta é a religião que mais me atrai porque os assuntos não são vedados, todas as perguntas têm respostas (e se não tiver pelo menos temos base para começar a procura por esta e pode ser discutido com outras pessoas as possibilidades existentes), é explicado as aparentes injustiças do mundo através da Lei de Causa e Efeito (ou Ação e Reação), a esperança, a evolução e a nova oportunidade de reaprendizado através da reencarnação (onde todos têm quantas oportunidades lhes forem necessárias para o auto-aprimoramento, sem essa de condenação, nem céu imediato nem inferno eterno) e a mediúnidade como forma de intercomunicação com o mundo espiritual. Porém ainda estão presos a alguns cabrestos, como o grande enfoque no fenômeno mediúnico (por vezes se esquecendo da caridade e do próximo) e a tentativa de trazer todas as pessoas para esta doutrina, ainda que de forma sutil. Quanto ao aspecto de caráter científico é porque se pode explicar e comprovar as coisas que ela prega (o que me deixa encantado, pois tudo tem uma lógica, um raciocínio, não ficando apenas no achismo ou coisas vagas). De todas as religiões atuais, é a que mais genuína e pura no que diz respeito aos propósitos do homem na Terra, a que mais se aproxima da grande "verdade absoluta", do verdadeiro Deus e do verdadeiro Amor. Por isso é que se diz que o Espiritismo não é a religião do futuro, mas o futuro das religiões, pois é a que realmente coloca o homem em contato com o plano superior e consigo mesmo ao mesmo tempo, isto é, a que está mais ligada à espiritualidade em detrimento à religiosidade.

O Hiduísmo também é maravilhoso, mas ainda é politeísta com muitos deuses presentes em sua ritualística. Além do que o sistema de castas está muito ultrapassado e torna uns indivíduos superiores a outros, quando na verdade são todos iguais. Inclusive foi proibido, porém é muito complicado fazer "sumir" um sistema cultural de um país com milhares de anos de enraizamento. Também não se pode quebrar o ciclo das reencarnações, pelo menos não como eles pregam. O Budismo também é maravilhoso, trazendo as 4 Grandes Verdades de Buda para que o homem possa encontrar seu caminho de auto-iluminação. Através da meditação se chega ao auto-conhecimento, porém acho que peca com tanto enfoque no auto-conhecimento e disciplina e não exercitando a caridade e o amor ao próximo. Tem que beber das duas águas para se evoluir: a teoria e a prática, a sabedoria e o amor. São estas as duas asas do anjo. Os Hare Krishnas também têm uma alegria imensa que trasmitem através da música, mas, parecido com os protestantes, do que vale tanto louvor e tanta cantoria se não praticam? Podem então falar "Mas eles fazem os trabalhos da comunidade e tal". Sim, mas isto se estende a uma comunidade restrita, enquanto o mundo é muito maior e tem outros problemas (como violência, drogas, prostituição, fome etc).

Sobre o Islamismo, isto é, o povo mulçumano não posso falar muita coisa devido à minha falta de conhecimento sobre os mesmos. O que sei é que me disseram que o corão é tão bom e tão lindo quanto a bíblia e outros livros sagrados. Ainda tem o Santo Daime que mexe com aquele chá da ayahuasca (que é alucinógeno), que serve para aumentar o potencial psíquico para entrar em estado alterado de consciência, para entrarem em contato com o plano espiritual. Eu me pergunto pra que isso, já que temos à nossa disposição recursos menos invasivos e mais saudáveis como a meditação e a respiração, que servem aos mesmos propósitos. Existe também o Xamanismo que faz parte do meio indígena.

Existem ainda outras diversas religiões (como Zoroastrismo, Xintoísmo, Umbanda, Confucionismo, Taoísmo, Judaísmo, Fé Bahá'í, Agnosticismo, entre muitas outras), cada um com seus preceitos, crenças e ritualísticas, bem como os ateus (Ateísmo) e qualquer um pode criar uma outra ao seu gosto. O que é importante é que não nos esqueçamos que a religião se faz necessária, mas apenas por enquanto, pois ela é um meio, um caminho para se entrar em contato com nosso Pai. Só; e ponto. Não devemos levar ao pé da letra nem tê-la como verdade absoluta, portanto. Em sumo, todas as religiões, em suas essências, falam a mesma coisa, mas se expressam de formas diferentes em maior ou menor grau, com maior ou menor clareza. Isso sem contar o quanto é bonito ver quando se juntam por alguma causa (ou mesmo sem uma, o que é ainda melhor), como por exemplo freiras em congressos espíritas, budista com protestantes ou católicos no meio hindu (como foi com Madre Teresa). Isto é pra falar que não se deve concorrer para ver quem é o melhor ou quem tem mais fiéis. De qualquer forma, há a religiosidade e a espiritualidade que são coisas distintas. E é sobre isso que tratarei na próxima publicação.

Namastê.
Au revoir.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Esportes 4 - Os esquecidos

Lembrei-me que esqueci de falar algumas coisas como as corridas de carro, alterofilismo e mais um pouco sobre futebol (sobre o espaço que se tem na mídia e o tempo que nos é tomado). Como acabei de falar sobre futebol vou começar por ele.

Sobre o futebol esqueci de falar sobre o poder que este exerce na mídia e, esta por sua vez, exerce sobre a massa brasileira (pra não dizer mundial). É notório que o futebol tem um enorme espaço nos meios de comunicação, seja ele jornal, rádio, internet ou televisão. Como se não bastasse ter um espaço exclusivo nos telejornais e jornais impressos (e falo isso sobre todos os jornais que passam no dia), ainda há programas televisivos específicos dedicados somente a este esporte maravilhoso! Melhor dizendo, é dedicado aos esportes no geral, mas, fazendo um balancete, pode-se perceber a soberania do futebol. E o espaço que o futebol tem em nossas vidas? Enchem-nos de informações “inúteis” e nós, além de deixar isso acontecer, gostamos disso. Ao invés de gastar nossa memória com coisas que façam diferença no dia-a-dia e ao longo da vida preferem, por exemplo, saber os jogadores de determinado time, quem foi pra onde, quem foi rebaixado, qual classificação está em não sei qual campeonato, os passes e gols de determinado jogador, posição no time e, pra finalizar, fixam em determinados passes ou jogadas, descrevendo-os detalhadamente porque foi A jogada ou fez O gol (e colocam como a coisa mais bonita do mundo). Como se isso fizesse alguma diferença ou mudasse alguma coisa no mundo.

Outra paixão, em sua maioria do sexo masculino, são os carros. Perdem tempo analisando detalhadamente cada componente do carro, coisas que possam ser melhoradas no design ou no motor para melhorar desempenho e velocidade. A mesma coisa vale para as corridas de carro e o espaço que ambos têm na mídia. Que esporte mais legal este onde se passa horas a fil dentro de um carro, correndo loucamente, fazendo um barulho ensurdecedor para se ganhar uma corrida (porque, como já tinha dito, se compete para vencer, é o que importa). E as pessoas adoram assistir a corridas como esta na frente da Tv, a famosa Fórmula 1 ou “Gran Pri” não sei de onde (assistir ao vivo é melhor ainda, pois se gasta um dinheirão para ver um monte de carros passando, pessoas se arriscando e ficando surdo, tamanho o barulho que carros em alta velocidade emitem).

Por fim, o alterofilismo. Um esporte saudável, antes de se tornar alterofilismo. Por que? Para a manutensão da saúde devemos ter alimentação saudável e fazer atividades físicas, mas esta estrapola este conceito. Primeiro porque, para ficarem gigantes daquele jeito, usam suplementos e outros recursos (como anabolizantes, por exemplo); segundo porque têm como ideal isto como uma coisa saudável e bonita. Tudo bem que cada um tem seu conceito de beleza, mas deformar o próprio corpo como fazem é um pouco demais a meu ver. Sem contar que, como os outros que foram supracitados, não vai fazer diferença no mundo e serve para machucar, pois quando se perde o equilíbrio e um peso daqueles cai... já sabem o que acontece (são vários os vídeos que mostram fraturas e outras peripécias causadas por isso).

Bom, acho que era isso o que eu ainda tinha pra falar sobre o tema.
Até mais ver. E agradeço por acompanharem e compartilharem.
Au revoir.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Esportes 3 - Futebol

Pra finalizar esta triologia sobre esportes, vou colocar a paixão mundial na mesa: o futebol. Vcs já sabem o que penso, mas quero dedicar este pequeno espaço para falar um pouco mais a respeito. E me refiro tanto ao futebol dos gramados quanto ao futebol de salão.

Como eu já mensionei e costumo dizer, a definição de futebol poderia ser a de pessoas que ficam correrndo atrás de uma bola, de um lado para outro, como bobos-alegre ou barata tonta. Ou seja: fazendo nada. E são vários os pontos que podemos colocar sobre esta paixão mundial. Por mês, um jogador recebe muito mais do que a enorme maioria dos trabalhadores brasileiros. Isso sem contar com profissionais como os da saúde e da educação que, ao meu ver, são os mais necessários para se fazer uma revolução em qualquer país. Não acho justo que jogadores, técnicos ou seja lá quem for recebam tanto dinheiro e fique por isso mesmo. Digo isso porque não vejo todo esse dinheiro fazer alguma diferença no mundo.

Muitos gastam o que têm (e as vezes até o que não têm) para irem aos estádios, quadras e afins, com o objetivo de ver um jogão protagonizados por seus ídolos (os heróis). Que heróis são esses, porque elegemos eles assim e que tipo de heróis são esses que não salvam vidas? "Jogam dinheiro fora", mas faltam coisas básicas (moradia, saúde, comida ou móveis e materiais domésticos, estudos etc), fazer investimentos (como poupança), fazer trabalhos sociais, ter lazer com a família ou, simplesmente, pagar as dívidas. Outros itens que são indispensáveis e faz-se qualquer sacrifício para se ter são camisas oficiais, bandeiras, decorações de casa, entre outros. As vezes pode faltar um coisa aqui outra acolá para o dia-a-dia, não tem importância. Faz parte, né? Mas é curioso... E parece que as pessoas são obrigadas a ter um time do coração. Assim, eu prefiro não em encaixar na sociedade.

Outro ponto óbvio são as consequências de tanta fama e dinheiro. Saiu na revista Veja (não lembro se no ano passado ou neste) - coisa que não é novidade para ninguém - falando sobre "sexo, drogas e rock'n roll" que rola nos bartidores. São orgias, travestis, drogas, aviões particulares, mansões e outras diversões. Esbanjam dinheiro como podem. E se esforçam, pois são muitas as coisas realmente necessárias. E para que tanto dinheiro? Os milhões que recebem por mês poderia ser bem utilizado por ele e sua família por 3 ou 4 vidas (contando com esta). E belos exemplos recebemos, hein? Vamos citar Neymar: adolescente rebelde, rico desde o berço e que, aos 19 anos, é pai! Que comportamento é este que ele e outros nos inspiram? Como eleger Pelé ou qualquer outro como Rei? E em que essa realeza muda o mundo?

Trabalham tanto que se lesionam. Uma vida dura, que começa cedo e acaba cedo (praticamente obrigada). Como a maioria das crianças do sexo masculino, jogador de futebol é uma das primeiras opções e deve-se começar a empenhar cedo. O problema é que, tantos anos de sobre-carga no corpo, geram lesões após lesões, cirurgias após cirurgias. Mas tudo é (muito bem) compensado com um pouco de dinheiro como retorno. A boa notícia: não precisa esdutar para ser jogador profissional! Uma vida dessas, quem não quer? Dinheiro "fácil" desde cedo. Após a aposentadoria, para alguns deles (mais cedo ou mais tarde), dá-se início a uma nova carreira como treinador. Com a experiência de campo, usam isso como tática de combate para vencer e fazer uma carreira (praticamente) vitalícia. Vamos ponderar: rios de dinheiro, fama e sem necessidade de estudar. É o que (quase) todos querem: ganhar muito dinheiro sem fazer nada. Vamos nos atentar aos exemplos que eles nos dão e a influência que estes exercem em nossas vidas. A responsabilidade e a liberdade de aceitação são de todos.

Pra finalizar, gostaria de mensionar a diferença que o futebol faz na nossa vida. Considero que minha vida, e de outros que não são chegados neste esporte, é igual a de outros que o idolatram, com exceção que poupo mais dinheiro e tempo com isso. O futebol é necessário sim, mas não tanto quanto o mundo o considera. Gostaria de ver mais jogadores, técnicos e ex-jogadores e técnicos empenhados em utilizar o dinheiro, de modo a melhorar a sociedade e não apenas para fins egoístas e mesquinhos como vemos. Gostaria de ver mais ex-jogadores no anonimato, como é o caso de Rai, Túlio Maravilha e Guga (o tenista), trabalhando em prol do crescimento de todos. Enquanto isso, continuamos com a política do pão e circo moderno, com o futebol tomando tanto espaço em nossas vidas através de jogos e programas televisivos. O governo dá o que o povo quer. O futebol é de fato um esporte maravilhoso, de grande valor e que faz diferença em nossas vidas, desde que façamos ou se façam a coisa certa e lhe deem o devido valor. Como o vemos hoje faz parte da condição humana, mas ainda vão melhorar e muito as coias.

Au revoir.

sábado, 20 de agosto de 2011

Esportes 2 - MMA e outros descartes

Vou continuar falando dos esportes, mas desta vez de maneira mais direcionada. Desta vez vou falar sobre o MMA (sigla em inglês para Artes Marciais Mistas), vales-tudo, pesca esportiva, tiro ao alvo e outros tipos de "esportes" que, ao meu ver, poderiam ser extintas e entrar para a galeria de esportes extintos.

Um dia assisti uma palestra na televisão sobre a filosofia das artes marciais, e que palestra! Infelizmente não consigo encontrar essa palestra na internet, mas uma das coisas mais bacanas que ouvi nela foi que as artes marciais na atualidade perderam o sentido que tinham quando foram criadas: a de manter uma boa saúde do corpo e da mente através de posturas e do respeito aos "oponentes", sendo este um dos caminhos para se chegar ao criador (assim como a meditação, as religiões etc). E o que se vê por aí é exatamente o contrário disso.

O vale-tudo e o MMA por exemplo, é, para mim, coisa de animais. Obviamente não preciso repetir que não estou julgando nem criticando, apenas utilizando-os como exemplo. E por que de animais? Simples: as pessoas se enfrentam, ganham este espaço para brigar "legalmente", praticamente se matam ou deixam inúmeras sequelas (braços e pernas quebradas ou traumatismos cranianos), se cumprimentam falsamente (porque na verdade o que querem é ganhar status, fama e dinheiro, e não se importam uns com os outros) e dizem que estão se divertindo ou trabalhando. Ora, que trabalho ou divertimento é este que o objetivo é acabar com o outro para que um possa se sobressair? É dinheiro regado a sangue e farelo de osso. Parecem animais brigando (como trogloditas demarcando território, espressados na cara de mal que fazem para posar para fotos e vídeos promocionais), mas os bichos fazem isso por sobrevivência, não para ficar famosos ou ganhar dinheiro. Lutas como estas me fazem lembrar de cenários como o Coliseu. O lugar mudou, mas o espetáculo continua o mesmo e mais modernizado.

Outro ponto é a pesca ou caça esportiva. Compreendo os que gostam, mas não concordo. Explico-me melhor: qual a razão para atirar em animais indefesos ou pescá-los com anzóis (portanto ferindo-os) e depois lhes devolver para a natureza machucados ou ainda em pior estado? O motivo disso? Diversão, claro! Entende-se quem faça isso como ganha-pão para que outros possam se alimentar. Normalmente quem procura isto são os mais ricos. De qualquer forma, ricos ou não, fazem isso para desestressarem do dia-a-dia, se livrar das tensões e se divertirem. Para isso, infezmente os pobres animais que não têm nada a ver pagam o pato (literalmente e sem trocadilhos). Falta um pouco de bom-senso, respeito e amor próprio, eu diria.

Por fim, o tiro ao alvo. Isso, se não me engano, é uma modalidade olímpica, mas porque não ficar apenas com o velho conhecido arco e flecha? Acho que a manipulação da arma traz maior segurança e maior imposição, já que esta é uma das maiores (e mais letais) formas de "se defender" criadas pelo homem. Tudo bem que queiram usar, mas se esquecem que, com isto, fazem apologia ao uso de armas de fogo. Isso é grave. E perigoso. Como competir pelo o desarmamento desta forma? Quem mais perde é quem tem uma arma em casa, pois antes de se defenderem, tornam-se vítimas de sua própria ignorância. Enquanto existirem armas, que seja para uso exclusivos de provas como estas, elas existirão para nos ameaçar.

Além disso tudo, claro que entram aí também o uso de drogas, dinheiro e outras coisas que isso possa trazer. O importante é vencer, não competir. Por isso muitos atletas se metem com esteróides e drogas diversas e precisam do dopping.
A próxima questão a ser publicada a aqui(e imagino que seja a última nesta abordagem sobre esportes) será sobre o maravilhoso futebol.

Au revoir.

sábado, 13 de agosto de 2011

Esportes 1

Esse é muito conhecido, pouco debatido e com pouca importância e relevância para a maioria das pessoas. Novamente não estou criticando ou julgando, pois é uma coisa que todos conhecem e sabe como é, isto é, estou apenas exemplificando.

De fato, os esportes promovem a saúde, deixam as pessoas "longe das drogas" e só trazem benefícios, mas não é bem isso que ando vendo por aí... Sim, o esporte promove a saúde, porém nos esquecemos que todos os esportistas profissionais se lesam, em algum momento da vida devido ao escesso de uso do corpo. Além disso, entra em questão a competitividade (que está presente na maioria deles), distanciando as pessoas do objetivo que os esportes tinham ao serem criados: integrar os grupos sociais, promover saúde e promover um bom relacionamento entre as pessoas. As pessoas competem para vencer, apenas isso, o que faz com que muitos usem de métodos pouco recomendáveis para tal (como usar drogas ou sabotear colegas). Tirando claro que podem ganhar fama e dinheiro. E onde foi parar "o importante é competir"?

Eis outro ponto que me faz desgostar do que o esporte realmente poderia fazer: dinheiro. Vamos pegar o futebol como exemplo. Por mês, um jogador pouco conhecido deve receber em torno de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) - tirei isso da minha cabeça - e pra fazer o que? Ficar "confinado" em algum canto com outros na mesma situação para apenas correr atrás de uma bola de uma lado para outro, se lesionando ou causando lesão em outros. Simples assim. Para mim a definição de futebol poderia ser essa. O pior é que "grandes" jogadores recebem milhões POR MÊS para fazer vcs sabem o que (quero dizer: nada). Não acho justo que jogadores, técnicos ou seja lá quem for recebam tudo isso enquanto pessoas trabalhadoras recebam tão pouco, como no caso da Educação e da Saúde (onde me incluo) - que ao meu ver são muito mais importante e dão muito mais retorno. Em outro momento, gostaria de falar penas do "maravilhoso" futebol que muitos ovacionam (na verdade, acho que ele foi o motivo principal para eu fazer essa publicação).

Muitos gastam o que têm (e as vezes o que não têm) para verem seus ídolos nos estádios, quadras e afins. Até viagam para ver um "jogão", em vez de gastar o dinheiro para melhorar suas casas, fazer investimentos (como poupança), ter lazer com a família, mais comida em casa ou diminuir/quitar as dívidas. Para o jogo, camisas de seleção e outros materiais com o timão tem dinheiro, para o dia-a-dia não. Engraçado... Sem contar que as pessoas são quase obrigadas a terem um "time do coração". Para que? Ou porque? Isso sem contar com esportes tão desnecessários ou de pouco bom-gosto que não sei como ainda existem ou porque têm adeptos.

Por falar em ídolos... Vamos falar um pouco dos exemplos que eles nos passam. Podemos começar falando que, desde pequenos, muitos querem seguir os esportes porque, apesar de ser um trabalho "duro e difícil", ganha-se muito (para não fazer "nada"), não precisam estudar e também porque vão ficar famosos. E quem é que se importa em dar bom exemplo? Eles têm que ser apenas eles mesmos, nada mais, só querem um pouco de privacidade. Aí podemos ver envolvimento com drogas, tráfico, compra de mansões (também casas de praia, no estrangeiro etc), traições, orgias, violência, racismo e outros preconceitos (como de sexo e religioso, por exemplo), jogadores com envolvimento com travestis ou milícias criminosas. E por aí vai... Mas quem se importa? "Tão pagaaaando!" Bons exemplos? Claro que temos excessões (graças a Deus), pena que são tão poucos os que se inserem em trabalhos sociais. E pra finalizar: com tantas pessoas tão novas com lesões, eles acabam se aposentando cedo demais... E continuam ganhando muito bem, obrigado (isso quando não dão um jeito de continuar no mesmo ramo, como jogador de futebol que vira técnico)! Que beleza!

Apesar dos pesares, ainda há esperança! Assim como se apresenta, faz parte da condição atual da humanidade. A energia dispensada para tal está afinizada com a ressonância que se encontra neste mundo, neste período. No futuro começará a se transmormar (muito embora não se tenha percebido uma diferença tão significativa). Não teremos pessoas ganhando tanto e nem tanta competitividade para mostrar quem é o mais forte. O esporte se igualará às artes, como forma de integração cultural e individual, como também poderá gerar maior igualdade social. Não terá essa importância que tem hoje. Terá sua relevância manifestada em sua verdadeira essência.

Au revoir.

sábado, 6 de agosto de 2011

Religião 3

Ainda não é desta vez que deixarei minha visão sobre religião, mas dentro em brevo o farei. Desta vez trago um texto retirado de uma revista espanhola antiga, onde um Bispo Católico fala do Espiritismo. Não quero com isso fazer qualquer menção de que o Espiritismo é melhor, mais correto ou algo do tipo, nem defender ou levantar bandeiras. Acredito, apenas, que podemos ser melhores sem brigar, separar pessoas ou nos colocarmos acima/sentirmos melhores do que qualquer outra pessoa por causa disso ou daquilo. Estamos aqui para unir, somar, multiplicar, por isso trouxe o texto.

(O Espiritismo, segundo um bispo católio, transcrito da revista "Espiritismo - Ciência, Filosofia, Moral", de novembro de 1986 - Barcelona - Espanha).

"O Espiritismo não é uma superstição, nem uma bruxaria, nem muito menos um pacto diabólico, já que o tal diabo não existe como entende a massa católica.
O Espiritismo genuíno é uma ciência, uma doutrina e uma filosofia, que ensina fundamentalmente a existência de um Deus infinitamente bom, a imortalidade da alma ou do espírito, o amor ao próximo como irmão, a necessidade de santidade na vida com ausência absoluta do egoísmo, do ódio, da inveja, da calúnia e maledicência, da desconfiança em Deus, e de toda má vontade contra o próximo.
O Espiritismo não consiste unicamente na comunicação com os mortos de além-túmulo. A comunicação com estes mortos, que estão mais vivos que nós, os terrestres, é a ínfima expressão do verdadeiro Espiritismo.
O erro dos espíritas modernos consiste em reduzir o Espiritismo a estas manifestações além-túmulo e descuidar da doutrina espírita que é essencialmente crstã e filosófica. Daí as superstições e o natural desdém da gente séria.
Mas quando todos hajam denetrado no fundo do Espiritismo, quando se convençam, com o estudo sério e profundo, de que se trata de uma ciência muito espiritual, que não é uma religião, nem uma seita, senão uma doutrina elevadíssima, que roça com todas as disciplinas do espírito; que ensina ao homem a ser autenticamente bom, porque não sabe enganar, nem desejar mal aos demais, nem mentir, nem invejar, nem maldizer, nem ser egoísta ou injusto, avaro e inconformado com sua sorte; senão que ensina a todos a amar sinceramente a Deus e confiar n'Ele, a amar ao próximo como irmão (porque todos somos filhos de um mesmo Pai), a sermos humildes e mansos de coração, como o ensinou Jesus; a aceitar resignadamente a inevitável dor humana e explicá-la de modo racional; a corresponder ao Mal com a abundância do Bem; enfim, a cumprir fielmente o Decálogo e atualizar os sublimes ensinamentos do Grande Mestre Jesus. Quando as pessoas de critério se hajam convencidos destas realidades espirituais, todos então se voltarão para o Espiritismo como uma Doutrina plena de Verdade e Amor, infinitamente consoladora e de grande segurança e esperança para toda a Humanidade."

Au revoir.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O Mito da Caverna e a condição humana


“Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser deles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.
Voltando à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá sérios riscos - desde o simplesmente ser ignorado até ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.”

Pode-se ver nesta alegoria a perfeita relação do homem com o mundo em sua condição de criatura de Deus. Esta é a representação fiel do caminho que todos nós percorremos, sem exceção, da ignorância à divindade. Ignorância no sentido de falta de conhecimento e divindade porque é o nosso objetivo final (independente do que é pregado por outras religiões). Sei que já estive preso na caverna, já me libertei das correntes, subi no muro e estou em contato com a saída da caverna, as primeiras pessoas, os primeiros raios de sol e a verdadeira Vida. E é por já ter “olhos para ver e ouvidos para ouvir” que posso vislumbrar a grande estrada que ainda tenho a percorrer e as pessoas que também se encontram neste caminho, cada qual ao seu ritmo, ao seu passo, seja em que estágio estiver. Eis o caminho que todos nós passamos (ou ainda vamos passar), pois no caminho pela ascenção não há volta. Disso a maioria de nós sabe, mas falar assim é ser simplista e tenho como esmiuçar mais o assunto.
Muito se fala sobre o caminho da auto-iluminação, mas pouco se faz por ela e porque? Porque é difícil admitirmos que somos imperfeitos e que temos nossas dificuldades e também porque, depois de passarmos pela fase mais difícil (a da aceitação de nossos vícios), vem a fase de trabalhar duramente para eliminá-las e exercitar as virtudes. Precisamos, ainda, que avatares ou santos venham nos mostrar o caminho, achando que podem fazer isso por nós. Mas não podem. Ninguém pode. Se tivermos que passar por alguma coisa para aprender, somos nós mesmo que temos que percorrer este caminho, não outro. Ninguém pode passar pela dificuldade que é nossa. As tarefas são intransferíveis. Isso vale para as mães e pais, por exemplo, que, se pudessem, ficariam doentes ou passariam pelas dores do filho (a) para que não precisassem passar por isso.

A versão brazuca por Maurício de Sousa



Também em sua versão moderna...




E o que o desenho Avatar - publicado por mim anteriormente - tem a ver com isso? A palavra vem do sânscrito (avatara), que significa descido (do Céu à Terra). Portanto, os avatares são as pontes (materiais) mais próximas que nós temos entre o mundo material e o “mundo espiritual”. São pessoas que acumularam muita sabedoria e sabem utilizar isso em favor do próximo (no caso, dos próximos, sempre). Conseguem aliar o conhecimento adquirido com a maior lei existente: a Lei de Amor. E o Avatar do desenho é justamente assim. Ele é o encarregado de manter o equilíbrio e a paz no mundo e, justamente por ter maior conhecimento e amor dentro de si, é que tem esse papel (o que parece ser mais difícil). E quais são os avatares que conhecemos? Podemos citar Mahatma Gandhi, Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá, Jesus (o maior que conhecemos), Sidarta Gautama Buddha (o Buda), Francisco de Assis (o santo), Sócrates (e até o próprio Platão), dentre tantos outros. É isso o que se pode entender com "um grande poder traz grande responsabilidade". Quanto maior o conhecimento que tivermos, maior é nossa responsabilidade e capacidade para nos ajudar a crescer através da ajuda ao próximo, direcionando-os e direcionando-nos pelos bons caminhos.
Pra finalizar, gostaria que soubessem que, na parábola de Platão, o homem que se solta das correntes e escala o muro é a representação do filósofo (que se liberta por meio da filosofia) e o homem que retorna para avisar aos companheiros é a representação do político. Uai, peraí, político? Sim, político. Segundo Platão, o político (também filósofo) é o único que teria conhecimento o bastante para guiar as pessoas pelo caminho correto e fazer o que, individualmente, não se teria condições (e não seria esse, essencialmente, o papel dos políticos?). Isso chegou hoje ao meu conhecimento através de um ex-paciente, amigo e xará muito estudioso da filosofia. Agradeço por isto.


Portanto, o caminho da auto-iluminação é nosso destino, não importa a estrada que tomamos. A tarefa é difícil, mas teremos a bagagem necessária para tal e, claro, teremos o amparo irrefutável do Pai, seja como e no momento que for. Preparem-se, pois seremos os próximos avatares! E repito o que eu disse no início: Sei que já estive preso na caverna, já me libertei das correntes, subi no muro e estou em contato com a saída da caverna, as primeiras pessoas, os primeiros raios de sol e a verdadeira Vida. E é por já ter “olhos para ver e ouvidos para ouvir” que posso vislumbrar a grande estrada que ainda tenho a percorrer e as pessoas que também se encontram neste caminho, cada qual ao seu ritmo, ao seu passo, seja em que estágio estiver. Eis o caminho que todos nós passamos (ou ainda vamos passar), pois no caminho pela ascenção não há volta.

Au revoir.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Liberdade e libertinagem



É relativamente simples falar desse tema, visto que está bastante explícito e fácil de distinguir um e outro no mundo hoje. Inicialmente vamos aos conceitos para só então discutir:
Liberdade: Condição de uma pessoa poder dispor de si; faculdade de fazer ou deixar de fazer uma coisa; o uso dos direitos do homem; ausência de servidão, submissão e determinação, qualificando-se como independência do ser humano; constitui o comportamento humano voluntário; autonomia de um sujeito racional.
Libertinagem: Desregramento; uso da liberdade sem o bom senso, acabando por transformá-la em um veículo prejudicial a si próprio ou aos outros.

A liberdade é caracterizada por se fazer escolhas de forma racional, levando em conta e aceitando as consequências advindas desta escolha. Também é conhecida por alguns como livre-arbítrio. De qualquer forma, há muitas pessoas que ainda confundem liberdade com libertinagem, fazendo desta um estilo de vida um tanto arriscado, para si e para outros. Acho importante frizar isso, pois a todo momento nos deparamos com esta contradição, especialmente porque estamos praticamente no período do carnaval, época perfeita para se divertir sem limites. Mas o carnaval vai ficar para a próxima postagem.

Às vezes queremos que nossa mão chegue além do que o braço pode esticar, mas esbarramos no limite do espaço de uma outra pessoa. Algumas pessoas invadem o espaço do outro, consciente ou inconscientemente, e se sentem incomodadas, já outros o fazem sem a menor cerimônia como se fizesse parte dele próprio. Não sabe distinguir ele mesmo de outra pessoa. Temos nossa liberdade de escolha e temos que saber usá-la, foi pra isso que Deus nos dotou da capacidade da inteligência, do raciocínio e da individualidade. Ou seja, tudo o que escolhemos e fazemos se volta para nós, não para os outros. Inicialmente pode parecer que o outro foi atingido, mas mais cedo ou mais tarde volta para nós, como se fosse um espelho. Eis aí o karma/carma citado pelos hindus, budistas e outras religiões. O carma em sí não tem nada de ruim, isso é uma ideologia criada pelo homem, mas ele é colocado como ruim porque geralmente as escolhas que fazemos provém do egosísmo, do orgulho e da vaidade.


A liberdade é a grandeza de poder fazer escolhas e escolher é sacrificar. Sacrificar outras coisas e possibilidades em detrimento de uma só. E depois da escolha vem as consequências e temos que aceitá-las, pois foi o que nós mesmos escolhemos para nós. Aceitar com resignação. Se essas escolhas não tivessem consequências, se nos permitíssimos voltar atrás no que não é admitido naturalmente, a liberdade se tornaria vazia e improdutiva. Além disso, estaríamos anulando nossa personalidade, pois somos aquilo que escolhemos para nós, mesmo que tenhamos apenas um caminho a seguir ou quando uma outra pessoa se sobrepõe a nós, daí vale a pergunta: "o que fazer com o que fizeram de mim?". Além do que, aceitar escolhas não diz respeito apenas ao que escolhemos para nós mesmo, mas também aceitar o que os demais escolhem para si. Na realidade fazemos justamente ao contrário: queremos tomar decisões pelos outros achando que será melhor para ela do jeito como pensamos e não como ela escolheu. Com isso cabe fazer uma pergunta: o que nós achamos que será bom para ela é o que é de fato ou fazemos isso porque será melhor para nós, de alguma forma?

É difícil fazer com que as pessoas compreendam aquilo que ainda não sentem. Cada pessoa tem um conceito diferente, o que faz parecer que, eu e outras pessoas que batem nessa mesma tecla maquiada de clichê, estamos tentando ensinar física para crianças do jardim. Eis aí a ignorância do ser humano. Não é raro encontrar quem queira ter seus direitos atendidos, mas é raro quem sequer lembre que, além dos direitos, temos também os deveres. E temos muitos deveres. Inclusive deveres para conosco mesmos, o que significa que a liberdade que temos é para ser usada também em benefício próprio, sem nos prejudicarmos. E se ficarmos apenas gozando dos prazeres da vida sem tirarmos nada de proveito, sem aprender, sem fazer nossa parte não teremos esta liberdade verdadeira, teremos uma prisão. Eis o auto-enclausuramento ou o "carma ruim", como colocado anteriormente. A vida foi feita para sermos felizes, mas não essa felicidade fugaz e materialista que muitos pensam e querem. A vida não é só "sexo, drogas e rock'n roll". Repito que não estamos na vida à passeio, mas muitos preferem ficar pelo caminho perdendo tempo com distrações.

Podemos, então, exercê-la de forma positiva ou negativa. E podemos chegar à tão sonhada paz com esta liberdade do qual falei... ou podemos chegar à prisão. Nós é que escolhemos onde vamos. Mas também podemos ter paz na prisão. E o contrário da liberdade é a prisão, então vamos falar um pouco disso também. Abaixo transcrevo um trecho do discurso feito por Prem Rawat do projeto Palavras de Paz, que pode ser visto no site ou no VcTubo sobre a Luz Interior, que também fala sobre a liberdade:

"Parece que estamos aqui para desfrutar. Temos um corpo que detesta sentir dor e adora sentir prazer. Talvez o propósito desta viagem não seja a dor, o sofrimento, mas podermos sentir a experiência suprema. O supremo pode ser esse poder que torna todas as coisas possíveis, que lhes dá energia, que as move. Mas o que é fascinante não é entendermos o universo, mas saber o que lhe dá energia também está dentro de nós. E isso nós podemos experimentar. Porque quando experimentamos, ficamos cheios de paz, cheios de felicidade.
A cada um de nós foi dada uma oportunidade de sentir plenitude, de sentir paz. A paz que pode ser sentida na prisão. E o que me maravilha é que mesmo na pior das situações há esperança. Há uma flexibilidade, uma compreensão e uma força em cada ser humano. E é essa força que nos faz avançar até a porta de entrada para a paz interior. Estar preso e isolado é o pior dos castigos. Estar sozinho. Eu... comigo. A liberdade está dentro de você. Pode sentir a liberdade, mesmo que esteja trancado numa prisão."

Para finalizar, a liberdade é direito de todos, principalmente no que diz respeito a libertar-se de si mesmo. Libertar-se das suas dificuldades, defeitos e apegos. A liberdade leva tanto à prisão e ao sofrimento quanto leva à paz e a felicidade. Basta saber que caminho vamos percorrer.
E vou ficando por aqui, pois ainda há muito pano pra manga.
Quem sabe não volto a falar disso novamente no futuro?
Au revoir.