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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Justiça ou vingança? - 2

Já fiz uma publicação sobre o tema aqui e fiz uma pequena abordagem aqui. Como é um assunto que está na boca do povo, vou aproveitar pra falar novamente sobre o assunto.

O tema tem se tornado popular graças à novela Avenida Brasil, onde mostra a personagem Nina/Rita em busca de justiça contra o mal sofrido na infância pela madrasta Carminha. Na revista Veja também foi abordado o tema há 2 ou 3 semanas atrás justamente pelo mesmo motivo (ilustrado na foto ao lado). Uma das frases mais conhecidas para fazer a propaganda da novela é "Até onde você iria por justiça?". E é uma boa frase para se pensar. Da primeira vez que abordei o tema, falei sobre a personagem vivida por Glória Pires que foi presa injustamente graças a um homem que a usou se fazendo passar por namorado. Após sair da cadeia ela volta para se vingar. Não é muito diferente do que passa na novela agora. A menina Rita cresce como Nina, mas não consegue se livrar da sede de vingança. Mesmo tendo sido adotada por uma família argentina, depois de anos ela volta para fazer "justiça". Isso mostra como o ódio corroe por dentro. Tanto tempo se passou e ela não conseguiu esquecer, perdoar e seguir em frente. Pior: passou por cima de seu amor, do seu futuro e dos seus princípios e valores, tudo em nome da vingança. Ver a "mocinha" reunida com a vilania, discutindo coisas de origem dividosa ou sendo dissimulada com todos não é das sensações mais agradáveis. Tanto que esta mocinha não tem tido tanta audiência na rua ou na mídia (visto que a atriz não tem sido chamada para fazer comerciais e afins, coisa que normalmente os mocinhos fazem). Aliás, a personagem Nina foi inspirada, mesmo que indiretamente, no pernsonagem principal do filme O Conde de Monte Cristo. Ao longo da novela foram levantados diversos "debates" e diálogos entre os personagens sobre o que é justiça e o que é vingança. Vários personagens tentaram convencer a personagem principal de dar a volta por cima e seguir a vida, mas foi em vão. Isto claramente mostra que quem manda é nossa força de vontade, quem pode decidir é apenas nós mesmos.

 A vingança pode ser disfarçada de várias formas, mas não deixa de ser vingança. Como na ilustração que coloquei no topo, pode ser vista como uma brincadeira, mas não deixa de ser vingança. Se fazem alguma coisa prar nós, porque devemos responder à altura e da mesma forma? Porque foram violentos, sem-educação, egoístas, indiferentes etc, temos que ser também? Não vivemos mais sob a Lei de Talião e seu famoso "olho por olho, dente por dente", mas muitas pessoas pensam que sim. Como foi dito de forma magnífica por Mahatma Gandhi no filme (de mesmo nome) sobre ele mesmo: olho por olho e o mundo acabará cego. Outro ponto conhecido é o "herói" dos quadrinhos chamado O Justiceiro - ilustrado na foto ao lado - (e que poucos sabem que seu nome original em inglês é The Punisher, que significa em tradução livre O Punidor/O Castigador). Já saiu um filme dele em live action e estava para sair o segundo (do qual não sei em que andamento está), tendo feito o maior sucesso. E muitas pessoas estão, pelo menos de certa forma, de acordo com o roteiro e princípios do personagem. Da mesma forma que se regozijam com as pequenas vinganças do dia-a-dia, seja por que motivo for. O motivo pode estar certo, bem como a sede de justiça, mas como é que predendemos fazer isso: de maneira legal ou não legal? Me refiro ao certo e errado da personagem Nina, do Conde de Monte Cristo e do Justiceiro e também quando falamos "eu perdoo/perdoei", mas sente uma fagulha de alegria se qualquer coisa de errado/ruim acontece com a pessoa que nos machucou, mesmo que nós não tenhamos nada a ver com o que aconteceu a ela. Então também faço a mesma pergunta para que vcs possam responder a vcs mesmos: Até onde vc iria por justiça?

Algumas pessoas são como a Nina: querem justiça, mas acabam fazendo vingança. Isso remete ao que já falei aqui antes sobre o caso Nardoni, o caso do goleiro Bruno, o caso Cachoeira, o Mensalão ou qualquer outro assunto do tipo. Há pessoas que perdem a vida (ou parte dela) fazendo isso, querendo ou não. Assim foi com a personagem da Glória Pires e assim é com Nina, com o Justiceiro e o Conde de Monte Cristo. Há pessoas que guardam o que aconteceu e ficam remoendo, mesmo que inconscientemente. E há pessoas que sacodem a poeira e levam a vida à diante. A Nina não está sendo tão popular justamente por estar passando por cima de seus próprios valores para conseguir o que quer, inclusive atropelando as pessoas. Até um certo momento a população apoiou o que ela estava fazendo e até ficaram feliz, mas até certo ponto: tanto que não estão mais gostando tanto assim da personagem. Isso mostra claramente que, por mais feliz que fiquemos, uma hora tem que parar e ir em frente, seguir com a vida. Há pessoas que não conseguem e passam a vida amarguradas. conseguindo ou não, a questão é: o que vem depois? E o tempo que se "perdeu"? Qual seus objetivos na vida fora isso? Como seguir em frente?

Acho que o que fala mais alto quanto a este assunto é o caráter, os princípios e os valores. Pelo menos para mim. Deixo agora este trecho picado do filme V de Vingança (que, ao contrário do que parece, não se trata de vingança exatamente, mas sim de ideologias), onde se fala através de uma carta (e em cenas maravilhosas) espetacularmente sobre o tema integridade: "Nossa integridade é tudo o que temos. É o mais importante em nós. Mantendo nossa integridade, somos livres. Cada pedacinho do meu ser perecerá. Cada pedacinho... Menos um. O da integridade. É pequeno e frágil... É a única coisa que vale a pena ter: jamais devemos perdê-la, nem deixar que o tomem de nós. O que mais quero é que entenda a minha mensagem... Quando falo que mesmo sem conhecer você... E mesmo que talvez jamais conheça você... Ria com você, chore com você... Ou beije você... Eu amo você. De todo o coração... Eu amo você. Valerie".

Namastê. Au revoir.

domingo, 30 de outubro de 2011

Sobre a Morte e o Morrer - 3



Bem, já falei sobre a morte aqui e agora nao vai ser muito diferente, exceto pelo fato de que pretendo falar sobre isto a última vez. Na verdade, vou agir em duas frentes: sobre a situação em que nós encontramos após a morte (na verdade, sobre o momento da passagem) e sobre a preparação nossa frente a esta situação irrefutável, da qual nenhum de nós escapará.

Infelizmente este assunto ainda é um tabu para a grande maioria das pessoas, um assunto que não pode ser discutido ou sequer mencionado. Porém estão redondamente enganados. Este é um assunto que demanda tanto reconhecimento, tempo e atenção, quanto a saúde e a manutenção de nosso próprio corpo, nosso sistema político e social. Definitivamente é um assunto que precisa ser discutido, falado e ouvido, mais cedo ou mais tarde. Talvez por isso, somos pegos sempre de surpresa, mesmo quando a morte é certa (como no caso de doentes terminais).

Na publicação anterior sobre o tema, falei um pouco sobre o que podemos esperar após nossa passagem. Primeiramente é importante nos concientizarmos do nosso estado no momento do desenlasse. Numa situação trágica e brusca, como acidentes, assassinatos, assaltos dentre outros, somos levados em circunstâncias de extremo transtorno psíquico e desvairio mental, sem consciência do que acontece e sem saber até de quem somos. Deve ser mantida a paz na consciencia, tanto quanto nos for possível. E temos que nos esforcarmos para isso, pois vale a pena. Por falar em consciência... sempre me perguntei: porque tamanho desespero diante da morte? Venho refletindo sobre isso e a resposta vai além do famoso medo do desconhecido. A resposta vai até a nossa falta de compromisso conosco e com a Lei Natural, também conhecida como a Lei de Amor, criada por Deus para reger todo o Universo. Quando chegamos, trazemos no inconsciente todas as tarefas que devemos fazer para nos melhorarmos. Então, quando nos deparamos com a hora do retorno, nos sentimos culpados por não termos cumprido nosso compromisso. Quem passa perto da morte e consegue voltar (como nos AVEs - derrames -, infartos e o famoso EQM - Experiencia de Quase Morte) volta diferente, pelo menos na maioria das vezes. Volta mais desperto pata si e para o proximo, mais generosos, emotivos e mais desperto para as "Questões Essenciais" da vida.E isso nos leva pra nossa próxima questão: como nos preparamos para a morte.

Temos que manter a calma, a tranquilidade e a serenidade em qualquer circunstância da vida, inclusive na hora da morte. (Muitos são os outores que falam sobre isso, inclusive nesta viagem que fiz a Sao Paulo para o Congresso de TO comprei um livro sobre cuidados paliativos que trata de assuntos relacionados a morte no campo profissional da Saúde.) Em qualquer circunstância, as coisas ocorrem por afinidade. Encontramos pessoas sempre com as mesmas que as nossas, por isso formamos as comunidades: quem gosta de beber vai pro bar, quem gosta de rezar vai pra igreja, quem gosta de estudar vai pra escola, quem não gosta de fazer nada fica por aí vagando, quem gosta de drogas ou prostíbulos fica com quem gosta da mesma coisa. E na morte não é diferente.

Todos sabemos que morreremos um dia, mas ninguem toma consciência disso. Ninguém fala, ninguém se prepara. Ninguém faz o exame de consciência para saber se fez o seu melhor, portanto ninguém tem paz de consciência. Sei que parece meio radical falar ninguém ou todo mundo (ainda mais para mim), mas é que seria 99% da população mundial. Mas, como bem aprendi no espetacular documentário brasileiro Lixo Extraordinário, um catador de lixo fala: 99 não é 100.

Na verdade, a reflexão sobre a preparação para a morte me chegou como presente pela personagem Dulce da novela Morde & Assopra das 19h da Globo que acabou. Comecei a assistir a novela porque estava de repouso em casa após a cirurgia em maio e acabei me encantando com a interpretação e a personagem Dulce, por sua humildade. Na cena de um dos últimos episódios Dulce (Cássia Kiss) chega em casa após ter fugido do hospital e sua amiga Júlia (Adriana Esteves) a encontra. Com atuações primorosas e emocionantes na cena que achei arrebatadora, Dulce conversa com Júlia. Júlia verbaliza que a conversa está parecendo uma despedida, Dulce diz que ta percebendo que não está boa de saúde (tinha câncer, mas não sabia) e enquanto isso Júlia tenta engolir o choro e reprimir os sentimentos para que Dulce não perceba. Dulce questiona Júlia sobre qual é sua doença e Júlia desconversa. Dulce então diz "Eu sei que a senhora sabe. Se a senhora não quer falar, não fala. Mas não mente não.". Júlia explode em lágrimas, denunciando o futuro nebuloso da amiga. Dulce compreende o recado e começa a falar que quer ficar perto da família e dos amigos quando chegar a hora, isto é melhor que o hospital. Então, ela meio que vai preparando sua despedida dizendo "Está tudo certo...", de forma ligeiramente triste e preocupada, entretanto aceita de forma grata e bondosa o seu destino. Nosso destino. E no último episódio ocorre a consumação do fato numa cena bonita, tocante e cheia de vida (vejam só a contradição).

Talvez o parágrafo acima fosse desnecessário, mas queria ressaltar este fato concreto. Poderíamos perguntar: Mas quem é a criatura que em sã consciência iria se preparar para morrer como quem organiza uma festa ou se enfeita para um grande evento? Esta é a pergunta que gostaria de deixar para que cada um responda para si. É estranho pensarmos nisso, mas é decorrente do tabu que criamos em torno da morte. Devemos aceitar o fato de que esta oportunidade, este presente de Deus, passará e devemos, acima disso, nos preparar em vida para este momento. Quando digo aqui em casa e para pessoas próximas da forma como quero o enterro etc, sou recebido com muita estranhesa e o famoso "Vira essa boca pra lá! Ta ficando doido?". Ao que respondo de forma bem-humorada, simples e realista "Uai, se vocês quiserem ficar aqui fiquem a vontade, porque eu vou embora!". Raras são as pessoas que têm esta oportunidade, especialmente se não tiverem debilitadas por alguma doença. Pessoas que se preparam são sábias e conscientes. Conscientes de nossa finitude e impotência diante do momento do nosso retorno. E que ironia engraçada, não? Somos seres imortais, mas não vivemos para sempre. Gostaria de reforçar: somos seres espirituais passando por uma experiência na matéria. Portanto, somos imortais em essência, mas limitados no corpo. E precisamos sempre dele, pelo menos por enquanto. Estamos sempre de passagem e, ao contrário do que muitos imaginam, a morte existe para nos ajudar. Por isso a necessidade da reencarnação, como mostra a Lei Natural. Mas isso já é outro assunto...

Namastê. Au revoir.

domingo, 24 de julho de 2011

Sobre a Morte e o Morrer - 2


Parece ser uma hora oportuna pra escrever sobre o tema. Falemos novamente sobre a morte e o morrer. E a morte da cantora Amy Winehouse serve para ilustrar.
Todos se preocupam a hora da morte, o fato em si, o que ela representa e o que ocorre depois dela.
Vamos partir do princípio religioso, pois é patente que nosso viver e morrer é emoldurado pelo prisma da religião que abraçamos. Para alguns vivemos no sono eterno (seja no céu ou no inferno), para outros se espera estudando até a opotunidade de reencarnar, para outros podemos voltar como animais ou ascender até o nirvana (dependendo da nossa conduta em vida), em outra há 7 virgens nos esperando etecetera e tal. O fato é: moldamos nossa morte de acordo com nossa vida.
Imprimo minha visão, como outros, através dos conceitos em que acredito. Como Espírita, acredito na reencarnação, mas muitos não a entendem. Neste outro blog há muita coisa relacionada ao assunto, principalmente para aqueles que estão abertos e dispostos a adquirirem novos conhecimentos. Não vou fazer promoção de ideais, muito menos utilizar de fundamentalismo religioso para, mesmo que aparentemente, empurrar conceitos goela abaixo. Vale reforçar que utilizo do pequeno conhecimento que possuo para entender a vida e fazer meu trabalho de esclarecimento a quem o quer receber.
Pois bem, a reencarnação é tão-somente uma das formas que Deus utiliza para exercer sua sabedoria suprema, juntamente com seu Amor, para promover a justiça entre todos, fazendo com que aprendamos a amar um pouquinho de cada vez através do esforço próprio caminhando para a evolução espiritual com o auto-conhecimento. Podemos ilustrar como a imagem que coloquei acima ou ainda falar que seria como "trocar de roupa". Ou seja, nossa essência permanece a mesma, com todas as virtudes que conquistamos e todos os vícios que possuimos, apenas nossa aparência e a época que vivemos muda. Isso é o nascer, e a morte não é diferente.
Após a morte permanecemos os mesmos, com todas as aquisições que possuimos. Não é porque morrermos que viramos Santos ou somos condenados ao fogo eterno. Quero dizer, céu e inferno são relativos e apenas ilustrativos. Quando morremos somos "condenados", mas não como pensamos: nós somos responsáveis pela auto-condenação. Quem nos condena é nossa consciência pelo bem que fizemos, pelo bem que deixamos de fazer (pelo mal que não evitamos) ou pelo mal que fizemos (por querer). Em morte, continuamos com nosso desejo por frequentar bares ou igreja, comer demais, a luxúria, álcool ou drogas, ajudar quem amamos ou ficar estagnados. O mesmo acontece durante o sono. Nossa mente entra em sintonia com quem gosta do que gostamos, seja em morte seja em vida. Nossa condição só muda quando quisermos do fundo no nosso ser. Quando pedimos ajuda, sinceramente, somos ajudados.
Madre Teresa, minha "mestra", fala em seu livro A Força Eterna do Amor, que não quer o céu dos ociosos, quer trabalhar. Se for reconhecida como Santa, será a Santa da escuridão (estará sempre ausente do céu para ajudar os que se encontram na escuridão). Ela se refere às trevas da ignorância. E é assim que são as pessoas realmente boas: trabalham incessantemente em prol dos necessitados de amor e conhecimento. Tem gente que fala que "não quer ir pro céu dos Espíritas, pois lá se trabalha demais", preferem viver em "sono eterno" (e assim podem fazer, mas não para sempre, pois descobrem o valor do trabalho, cedo ou tarde). Assim são nossos irmãos Católicos e Protestantes (vulgo Evangélicos ou Crentes): após a morte ou se arde eternamente no inferno ou vive no paraíso ocioso.
As pessoas são livres para acreditarem no que quiserem. Amy Winehouse (cujo sobrenome ironicamente significa - literalmente - casa de vinho) morreu, como costumo dizer, "essa(e) já foi, cumpriu o seu papel". Bem ou mal, cumprimos nosso papel em vida. Agora é esperar nossa próxima oportunidade. Pena que as pessoas focaram tanto em sua morte que praticamente encobriu a tragédia ocorrida na Noruega, onde 76 pessoas foram assassinadas e parte da cidade foi explodida. E pessoas como Amy acabam morrendo como heróis... Só resta saber herói de que ou porque (a não ser que o conceito de herói tenha mudado e eu não estava sabendo). Como digo a quem quer saber, sem jugamento ou preconceito, a forma como ela conduziu sua vida serve (ou deveria servir) para nos perguntarmos: e nós, estamos fazendo o que deveria ser feito? Como estamos levando nossa vida? Não se deve fazer como muitos (infelizmente os famosos sofrem muito com isso após a morte), que se lamentam pela perda ou vibram com a perda, achando que podem julgar e apontar falhas ou formas de conduta com a vida. Ela já foi e nós também vamos, cedo ou tarde. Lembrem-se que enquanto apontamos um dedo para o outro, há 3 apontando para nós mesmos.
O tema é muito extenso e dá pano pra manga. E não quero me alongar demais (como venho fazendo ultimamente nas publicações). Para finalizar, a morte é apenas uma mudança de estado, uma troca de roupa. O corpo morre, mas alma vive (embora essa vivência seja controversa entre uns e outros). Vendo que não explanei o tema como gostaria (por considerar que faltaram coisas), pretendo trazer o tema novamente. De qualquer forma, a morte ainda permanece envolta de mistério e medo, mesmo com o conhecimento que possuímos. Por hora fiquem com um trecho do texto que trouxe sobre o tema anteriormente:

"Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: 'já se foi', no além, outro alguém dirá : 'já está chegando'. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida. Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário."

E como eu gostaria de escrever em minha lápide: E a vida continua...
Au revoir

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Toque


Não é T.O.C. (Transtorno Obcessivo Compulsivo) e muito menos toque retal. É toque mesmo, de contato, do verbo tocar. Depois de um acontecimento no trabalho fiquei pensando na importância desta na nossa vida e as dificuldades que podem nos causar.
No Japão ele é restrito, talvez como sinônimo de respeito, mas acaba "afastando" as pessoas de certa forma. Ao contrário do Brasil, que é um povo mais receptivo neste sentido e abraça e beija até mesmo pessoas que não conhecem. O toque é bom, mas pode trazer constrangimento em certas ocasiões, se não tomarmos cuidado.
Por exemplo um homem tocando uma mulher, uma mulher tocando um homem ou um homem tocando outro homem (mulher com mulher é mais comum e "aceito", por isso não citei). Pode-se entender, pra quem está de fora (ou menos pra quem participa disso "inocentemente"), que um está tirando proveito do outro, seja de qual parte for. Pior ainda se for entre 2 homens, porque aí entra em jogo o machismo, conservadorismo e preconceito ("oh, meu Deus, o que os outros vão pensar?"). Mesmo que as partes façam isso inocentemente, sem querer ou perceber (pois pode ser a mania de alguém, que fala tocando ou cutucando outros), sem qualquer intensão por trás do ato, porque daí pode-se sugerir homossexualismo e "denegrir" a imagem dos sujeitos em questão. É complicado. Bem como também é complicado se tiver idade em questão. Poderiam dizer que o (a) senhor (a) é assanhado e está querendo tirar casquinha do (a) outro (a) ou que o (a) mais novo (a) está desrespeitando a pessoa.
Complicado para aqueles que, como citei acima, têm a mania de falar tocando alguém, mesmo que seja no antebraço, ombro etc e sem maior significância. Pode trazer problemas inconscientes relacionados à sexualidade, denegrimento da imagem (como no caso dos homens), constrangimentos outros ou simplesmente não gostar de serem cutucados, tornando, assim, a pessoa chata e inconveniente (como costuma-se pensar), sem que ela o seja. Não posso esquecer de citar também os que têm dificuldades/resistência de algumas pessoas ao toque, seja porque motivo for.

Há ainda os exemplos de personagens fictícios, como no caso de Vampira (Rogue - na imagem ao lado à esquerda) e Decompositor (Wither - na imagem abaixo à direita), ambos de X-Men. Vampira tem a habilidade incontrolável de absorver a energia vital, lembranças e habilidades das pessoas que toca (no caso de outro mutante, pode absorver temporariamente seus poderes) e Decompositor também tem a habilidade incontrolável de decompor qualquer matéria orgânica que toque. Portanto, ambos vivem em regime de exclusão permanente. E quais os danos psicológicos que isso pode causar? Vamos ver a seguir.
"Imagine uma vida sem toque. Uma vida em que você pode ver as pessoas à sua volta, interagir com elas, mas nunca tocá-las. Nós, humanos, somos seres táteis, observando constantemente o modo como os outros mexem o corpo, tocam-se uns aos outros, seja com um aperto de mão, um abraço, um tapa nas costas ou um beijo. Vampira não nasceu incapaz de tocar; o mundo parece ser indiferente às nossas esperanças e sonhos. Ela tem uma das habilidades para as quais nenhum apoio social seria suficiente: não pode tocar ninguém sem ferir a pessoa. Este é um traço que é útil no combate, mas não na interação com as pessoas queridas." (trecho retirado do livro X-Men e a Filosofia, capítulos 7 e 13, por Rebecca Housel e J. Jeremy Wisnewski, Ed. Madras).
Este trecho sobre Vampira também serve para Decompositor, pois as restrições impostas pelas habilidades de um é a mesma para ambos. Agora vamos voltar à realidade. Imagine o quão difícil é, por exemplo, para pessoa que tem essa mania de tocar outras pessoas enquanto conversa, ter que se vigiar constantemente para não fazer algo que não é natural para ela (no caso tocar enquanto conversa). Outro ponto para reflexão é que, com isso, nos tornamos mais carentes, o que reflete na nossa relação com o mundo, em especial na relação amorosa. Abaixo transcrevo parte de um texto que achei na internet e que fala sobre a carência (coisa que cresceu assustadoramente nos últimos tempos, por diversos motivos).
"Não conseguimos findar relacionamentos que não existem mais, ficamos tão desesperados em falar com aquela pessoa que apenas nos deu um sorriso, ou ainda se foi um beijo descompromissado, já o consideramos o amor de nossas vidas.
As pessoas estão muito carentes de afeto. O sexo é mais instigante do que o amor gratuito, seja entre amigos, namorados ou mesmo ficantes. E ao se dar conta de que o contato físico não supre o que buscamos vem a frustração e, então, a busca se inicia novamente, voltando ao mesmo ciclo de antes.
E, quando nos damos conta, ao menor sinal de aproximação nos vemos fantasiando romances, criando expectativas, se iludindo com mentiras e gestos inofensivos. Não que o acaso possa nos reservar algo agradável, mas dar tiro para o alto corre-se o risco de não acertar nenhum alvo ou ainda de que a bala retorne em sua direção."

Era isso o que tinha me proposto a trazer para reflexão. Vamos aguardar sobre o tema para a próxima publicação agora, pois ainda não defini sobre o que será.
Au revoir.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O fim justifica os meios?


Esta pergunta serve como continuação da discussão anterior. Porquê? Bem, acho que seria válido perguntar se, por exemplo, num caso de vingança, se o fim justifica os meios. Ou seja, se para "fazer justiça" [que é o fim] justifica alguém fazer qualquer coisa para que possa conseguir o que quer. Mesmo que não seja um caso de vingança, seria lícito, digno, benéfico, prudente ou justificável fazermos qualquer coisa pra atingir algum objetivo? Acho que essa é uma questão que temos que fazer intimamente à nossa consciência. Para alguns a resposta é sim, para outros, como eu, a resposta é não. E por quê? Vamos ao meu desenvolvimento sobre o tema. Como já disse, não estou aqui para julgar quem ou o que quer que seja, mas é sabido [e não é de hoje] que existem pessoas que fazem isso. Faço apenas questionamentos e reflexões sobre variados temas sobre o cunho filosófico, espiritualista, científico e moral e os trago para cá, para os que estão interessados em conhecer e compartilhar.

Uma coisa é lutarmos para conseguir o que queremos, outra coisa é usarmos de qualquer artifício para atingirmos o objetivo. Há pessoas que passariam por cima de outras, trapaceariam, puxariam o tapete ou usariam outra[s] pessoa[s] ou nomes ou situações para se favorecerem ou se autopromoverem. Mas a pergunta mais importante é: eu também faço isso? Deveríamos vaculhar, senão sempre ao menos de vez em quando, o porão da nossa consciência e verificarmos se nos pequenos atos do dia-a-dia fazemos isso de alguma forma. E porque nos pequenos atos? Porque se soubermos fazer no pouco, saberemos fazer no muito. Por exemplo: se soubermos administrar nossas finanças e economias bem, com o pouco que temos, saberemos como fazer se tivemos muito [no caso de se ganhar na loteria]. Isso claro se não deixarmos a ganância, a avareza, o poder, o egoísmo e a ilusão de que somos melhores porque temos dinheiro tomarem conta antes.

Vamos a um exemplo prático e mais palpável. Não sou de assistir novela [pelo fato de não ser algo que considere muito útil e por estar trabalhando nos horários], mas como estou de repouso após a cirurgia em casa tenho assistido quase todos os dias [embora seja apenas as partes que me chamem a atenção, no caso apenas a personagem Dulce, vivida por Cássia Kiss, na novela das 19h]. Uma personagem muito simples, humilde e sofrida. Não é ela o exemplo que procuramos, mas sim seu filho na tal novela: Guilherme. Ele se fingiu ter estudado medicina enquanto usava o dinheiro suadíssimo que sua mãe mandava e depois voltou para a cidadezinha de onde veio. Lá deu um jeito de ser diretor do posto médico e tentou casar com a filha do prefeito da cidade. Sua mãe fazia de tudo para ele, até passar fome, e mesmo assim ele a "tratava mal". Sempre afirmava que fazia o que fazia porque ia ganhar muito dinheiro e, assim, poderia dar mais conforto. Sempre que confrontado vinha com sua desculpa: "Mas eu vou ganhar mais dinheiro e tudo vai melhorar, tudo vai dar certo". Tudo o que idealiza só pode ser feito mediante o dinheiro que tiver. Será que realmente precisamos de dinheiro pra vivermos bem e tratar bem as pessoas [neste caso, principalmente a própria mãe]? Será que dinheiro é fonte de felicidade? Será que é justificável ele maltratar a mãe e enganar a todos fingindo se passar por médico e fingir ser rico para se casar com uma moça porque ela é rica?

Ok, este exemplo é atual, mas não é de hoje que essa discussão existe [ao menos para quem lê nas entrelinhas]. Vamos a um caso mais clássico: Robin Hood [ilustrado na figura acima e ao lado]. O famoso camponês que roubava do rei para dar aos pobres. É justificável tirar de quem tem mais para dar a quem tem menos ou não tem? Acho que um roubo não deixa de ser um roubo, mesmo que seja do mais para o menos, para equilíbrio sócio-econômico. Um ladrão não deixa de ser ladrão porque o destino do objeto roubado é alguém que é pobre e quem foi roubado é muito rico, mesmo que esse dinheiro do rei tenho sido obtido de maneira ilícita ou pouco aconselhável. Portanto, o ato não deixa de ser um roubo e o ladrão não deixa de ser ladrão por ter dado um destino benígno ao que foi tomado de outrem. Para mim, deve ser tratado da mesma maneira que alguém que rouba na rua, seja uma loja, seja uma pessoa menos favorecida ou seja um ricaço. Tanto faz ser pobre roubando rico ou rico roubando pobre. Os fatores não alteram o significado nem o objetivo.

Podemos ser mais extremistas: seria correto matar em legítima defesa? "Obvio que sim, claro!" respondem as pessoas sem pestanejar. Para mim, que já entendi e senti [motivo pelo qual entendi verdadeiramente], a resposta é não. Quem sou eu para achar que minha vida é mais valiosa que a do outro, mesmo que esse outro esteja fazendo algo pouco recomendável? Não, todas as formas de vida são valiosas e importantes [inclui-se aí os animais e um dos motivos do vegetarianismo. Mas isso é outro assunto...]. Prefiro ser eu a ficar sem vida do que ser eu o autor da retirada de vida de outro, seja quem quer que seja e porque motivo seja. Mais uma vez podemos passar de vítimas a agressores, e a grande maioria das pessoas nem se dá conta disso. Aliás, a grande maioria das pessoas nem percebem que estão vivas...

Por hora fiquem com essa pequena reflexão.
Au revoir.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Liberdade e libertinagem



É relativamente simples falar desse tema, visto que está bastante explícito e fácil de distinguir um e outro no mundo hoje. Inicialmente vamos aos conceitos para só então discutir:
Liberdade: Condição de uma pessoa poder dispor de si; faculdade de fazer ou deixar de fazer uma coisa; o uso dos direitos do homem; ausência de servidão, submissão e determinação, qualificando-se como independência do ser humano; constitui o comportamento humano voluntário; autonomia de um sujeito racional.
Libertinagem: Desregramento; uso da liberdade sem o bom senso, acabando por transformá-la em um veículo prejudicial a si próprio ou aos outros.

A liberdade é caracterizada por se fazer escolhas de forma racional, levando em conta e aceitando as consequências advindas desta escolha. Também é conhecida por alguns como livre-arbítrio. De qualquer forma, há muitas pessoas que ainda confundem liberdade com libertinagem, fazendo desta um estilo de vida um tanto arriscado, para si e para outros. Acho importante frizar isso, pois a todo momento nos deparamos com esta contradição, especialmente porque estamos praticamente no período do carnaval, época perfeita para se divertir sem limites. Mas o carnaval vai ficar para a próxima postagem.

Às vezes queremos que nossa mão chegue além do que o braço pode esticar, mas esbarramos no limite do espaço de uma outra pessoa. Algumas pessoas invadem o espaço do outro, consciente ou inconscientemente, e se sentem incomodadas, já outros o fazem sem a menor cerimônia como se fizesse parte dele próprio. Não sabe distinguir ele mesmo de outra pessoa. Temos nossa liberdade de escolha e temos que saber usá-la, foi pra isso que Deus nos dotou da capacidade da inteligência, do raciocínio e da individualidade. Ou seja, tudo o que escolhemos e fazemos se volta para nós, não para os outros. Inicialmente pode parecer que o outro foi atingido, mas mais cedo ou mais tarde volta para nós, como se fosse um espelho. Eis aí o karma/carma citado pelos hindus, budistas e outras religiões. O carma em sí não tem nada de ruim, isso é uma ideologia criada pelo homem, mas ele é colocado como ruim porque geralmente as escolhas que fazemos provém do egosísmo, do orgulho e da vaidade.


A liberdade é a grandeza de poder fazer escolhas e escolher é sacrificar. Sacrificar outras coisas e possibilidades em detrimento de uma só. E depois da escolha vem as consequências e temos que aceitá-las, pois foi o que nós mesmos escolhemos para nós. Aceitar com resignação. Se essas escolhas não tivessem consequências, se nos permitíssimos voltar atrás no que não é admitido naturalmente, a liberdade se tornaria vazia e improdutiva. Além disso, estaríamos anulando nossa personalidade, pois somos aquilo que escolhemos para nós, mesmo que tenhamos apenas um caminho a seguir ou quando uma outra pessoa se sobrepõe a nós, daí vale a pergunta: "o que fazer com o que fizeram de mim?". Além do que, aceitar escolhas não diz respeito apenas ao que escolhemos para nós mesmo, mas também aceitar o que os demais escolhem para si. Na realidade fazemos justamente ao contrário: queremos tomar decisões pelos outros achando que será melhor para ela do jeito como pensamos e não como ela escolheu. Com isso cabe fazer uma pergunta: o que nós achamos que será bom para ela é o que é de fato ou fazemos isso porque será melhor para nós, de alguma forma?

É difícil fazer com que as pessoas compreendam aquilo que ainda não sentem. Cada pessoa tem um conceito diferente, o que faz parecer que, eu e outras pessoas que batem nessa mesma tecla maquiada de clichê, estamos tentando ensinar física para crianças do jardim. Eis aí a ignorância do ser humano. Não é raro encontrar quem queira ter seus direitos atendidos, mas é raro quem sequer lembre que, além dos direitos, temos também os deveres. E temos muitos deveres. Inclusive deveres para conosco mesmos, o que significa que a liberdade que temos é para ser usada também em benefício próprio, sem nos prejudicarmos. E se ficarmos apenas gozando dos prazeres da vida sem tirarmos nada de proveito, sem aprender, sem fazer nossa parte não teremos esta liberdade verdadeira, teremos uma prisão. Eis o auto-enclausuramento ou o "carma ruim", como colocado anteriormente. A vida foi feita para sermos felizes, mas não essa felicidade fugaz e materialista que muitos pensam e querem. A vida não é só "sexo, drogas e rock'n roll". Repito que não estamos na vida à passeio, mas muitos preferem ficar pelo caminho perdendo tempo com distrações.

Podemos, então, exercê-la de forma positiva ou negativa. E podemos chegar à tão sonhada paz com esta liberdade do qual falei... ou podemos chegar à prisão. Nós é que escolhemos onde vamos. Mas também podemos ter paz na prisão. E o contrário da liberdade é a prisão, então vamos falar um pouco disso também. Abaixo transcrevo um trecho do discurso feito por Prem Rawat do projeto Palavras de Paz, que pode ser visto no site ou no VcTubo sobre a Luz Interior, que também fala sobre a liberdade:

"Parece que estamos aqui para desfrutar. Temos um corpo que detesta sentir dor e adora sentir prazer. Talvez o propósito desta viagem não seja a dor, o sofrimento, mas podermos sentir a experiência suprema. O supremo pode ser esse poder que torna todas as coisas possíveis, que lhes dá energia, que as move. Mas o que é fascinante não é entendermos o universo, mas saber o que lhe dá energia também está dentro de nós. E isso nós podemos experimentar. Porque quando experimentamos, ficamos cheios de paz, cheios de felicidade.
A cada um de nós foi dada uma oportunidade de sentir plenitude, de sentir paz. A paz que pode ser sentida na prisão. E o que me maravilha é que mesmo na pior das situações há esperança. Há uma flexibilidade, uma compreensão e uma força em cada ser humano. E é essa força que nos faz avançar até a porta de entrada para a paz interior. Estar preso e isolado é o pior dos castigos. Estar sozinho. Eu... comigo. A liberdade está dentro de você. Pode sentir a liberdade, mesmo que esteja trancado numa prisão."

Para finalizar, a liberdade é direito de todos, principalmente no que diz respeito a libertar-se de si mesmo. Libertar-se das suas dificuldades, defeitos e apegos. A liberdade leva tanto à prisão e ao sofrimento quanto leva à paz e a felicidade. Basta saber que caminho vamos percorrer.
E vou ficando por aqui, pois ainda há muito pano pra manga.
Quem sabe não volto a falar disso novamente no futuro?
Au revoir.