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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Justiça ou vingança? - 2

Já fiz uma publicação sobre o tema aqui e fiz uma pequena abordagem aqui. Como é um assunto que está na boca do povo, vou aproveitar pra falar novamente sobre o assunto.

O tema tem se tornado popular graças à novela Avenida Brasil, onde mostra a personagem Nina/Rita em busca de justiça contra o mal sofrido na infância pela madrasta Carminha. Na revista Veja também foi abordado o tema há 2 ou 3 semanas atrás justamente pelo mesmo motivo (ilustrado na foto ao lado). Uma das frases mais conhecidas para fazer a propaganda da novela é "Até onde você iria por justiça?". E é uma boa frase para se pensar. Da primeira vez que abordei o tema, falei sobre a personagem vivida por Glória Pires que foi presa injustamente graças a um homem que a usou se fazendo passar por namorado. Após sair da cadeia ela volta para se vingar. Não é muito diferente do que passa na novela agora. A menina Rita cresce como Nina, mas não consegue se livrar da sede de vingança. Mesmo tendo sido adotada por uma família argentina, depois de anos ela volta para fazer "justiça". Isso mostra como o ódio corroe por dentro. Tanto tempo se passou e ela não conseguiu esquecer, perdoar e seguir em frente. Pior: passou por cima de seu amor, do seu futuro e dos seus princípios e valores, tudo em nome da vingança. Ver a "mocinha" reunida com a vilania, discutindo coisas de origem dividosa ou sendo dissimulada com todos não é das sensações mais agradáveis. Tanto que esta mocinha não tem tido tanta audiência na rua ou na mídia (visto que a atriz não tem sido chamada para fazer comerciais e afins, coisa que normalmente os mocinhos fazem). Aliás, a personagem Nina foi inspirada, mesmo que indiretamente, no pernsonagem principal do filme O Conde de Monte Cristo. Ao longo da novela foram levantados diversos "debates" e diálogos entre os personagens sobre o que é justiça e o que é vingança. Vários personagens tentaram convencer a personagem principal de dar a volta por cima e seguir a vida, mas foi em vão. Isto claramente mostra que quem manda é nossa força de vontade, quem pode decidir é apenas nós mesmos.

 A vingança pode ser disfarçada de várias formas, mas não deixa de ser vingança. Como na ilustração que coloquei no topo, pode ser vista como uma brincadeira, mas não deixa de ser vingança. Se fazem alguma coisa prar nós, porque devemos responder à altura e da mesma forma? Porque foram violentos, sem-educação, egoístas, indiferentes etc, temos que ser também? Não vivemos mais sob a Lei de Talião e seu famoso "olho por olho, dente por dente", mas muitas pessoas pensam que sim. Como foi dito de forma magnífica por Mahatma Gandhi no filme (de mesmo nome) sobre ele mesmo: olho por olho e o mundo acabará cego. Outro ponto conhecido é o "herói" dos quadrinhos chamado O Justiceiro - ilustrado na foto ao lado - (e que poucos sabem que seu nome original em inglês é The Punisher, que significa em tradução livre O Punidor/O Castigador). Já saiu um filme dele em live action e estava para sair o segundo (do qual não sei em que andamento está), tendo feito o maior sucesso. E muitas pessoas estão, pelo menos de certa forma, de acordo com o roteiro e princípios do personagem. Da mesma forma que se regozijam com as pequenas vinganças do dia-a-dia, seja por que motivo for. O motivo pode estar certo, bem como a sede de justiça, mas como é que predendemos fazer isso: de maneira legal ou não legal? Me refiro ao certo e errado da personagem Nina, do Conde de Monte Cristo e do Justiceiro e também quando falamos "eu perdoo/perdoei", mas sente uma fagulha de alegria se qualquer coisa de errado/ruim acontece com a pessoa que nos machucou, mesmo que nós não tenhamos nada a ver com o que aconteceu a ela. Então também faço a mesma pergunta para que vcs possam responder a vcs mesmos: Até onde vc iria por justiça?

Algumas pessoas são como a Nina: querem justiça, mas acabam fazendo vingança. Isso remete ao que já falei aqui antes sobre o caso Nardoni, o caso do goleiro Bruno, o caso Cachoeira, o Mensalão ou qualquer outro assunto do tipo. Há pessoas que perdem a vida (ou parte dela) fazendo isso, querendo ou não. Assim foi com a personagem da Glória Pires e assim é com Nina, com o Justiceiro e o Conde de Monte Cristo. Há pessoas que guardam o que aconteceu e ficam remoendo, mesmo que inconscientemente. E há pessoas que sacodem a poeira e levam a vida à diante. A Nina não está sendo tão popular justamente por estar passando por cima de seus próprios valores para conseguir o que quer, inclusive atropelando as pessoas. Até um certo momento a população apoiou o que ela estava fazendo e até ficaram feliz, mas até certo ponto: tanto que não estão mais gostando tanto assim da personagem. Isso mostra claramente que, por mais feliz que fiquemos, uma hora tem que parar e ir em frente, seguir com a vida. Há pessoas que não conseguem e passam a vida amarguradas. conseguindo ou não, a questão é: o que vem depois? E o tempo que se "perdeu"? Qual seus objetivos na vida fora isso? Como seguir em frente?

Acho que o que fala mais alto quanto a este assunto é o caráter, os princípios e os valores. Pelo menos para mim. Deixo agora este trecho picado do filme V de Vingança (que, ao contrário do que parece, não se trata de vingança exatamente, mas sim de ideologias), onde se fala através de uma carta (e em cenas maravilhosas) espetacularmente sobre o tema integridade: "Nossa integridade é tudo o que temos. É o mais importante em nós. Mantendo nossa integridade, somos livres. Cada pedacinho do meu ser perecerá. Cada pedacinho... Menos um. O da integridade. É pequeno e frágil... É a única coisa que vale a pena ter: jamais devemos perdê-la, nem deixar que o tomem de nós. O que mais quero é que entenda a minha mensagem... Quando falo que mesmo sem conhecer você... E mesmo que talvez jamais conheça você... Ria com você, chore com você... Ou beije você... Eu amo você. De todo o coração... Eu amo você. Valerie".

Namastê. Au revoir.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 2

Escrevendo diretamente de Guaíba (vizinha a Porto Alegre). Darei continuidade ao que estava escrevendo sobre o corpo e nossa relecao com ele. Um fato ocorrido no sabado retrasado foi o mais perto que ocorreucom relacao ao suicidio. Um primo primeiro tomou soda caustica e fiquei 3 dias correndo em hospitais, com remédios e afins. O que quero dizer com isso é que o corpo não nos pertence (portanto não podemos fazer o que quisermos sem nos responsabilizarmos com as consequências). E este não é o tipo de coisa que simplesmente se faz e esquece, passa por cima como se nada tivesse acontecido. Que tipo de relação é esta que temos conosco? Não estar de acordo com algo é normal, mas , pelo menos para mim, não há nada tão ruim que possa fazer com que eu tire minha própria vida (ou mutile um corpo que me está emprestado). E não podemos julgar ninguém que o faz, sabem porque? Pelo mesmo fato de que fazemos o mesmo em graus variados e de formas diferentes. Como assim? Pessoas se matam todos os dias excedendo a quantidade de comida, transando demais, bebendo demais, fumando ou usando outros entorpecentes e assim por diante. E isso não nos parece assustador, a menos que pensemos desta maneira, pois tudo o que nos parece bom queremos aproveitar ao máximo. Aliás, são exatamente os extremos que são prejudiciais. Uns comem demais enquanto outros passam fome para manter a forma (por um distúrbio psiquiátrico ou qualquer outro motivo). A riqueza ou a pobreza também interferem de uma forma ou de outra. Exageros com adereços e roupas, o que inclui por exemplo piercings e tatuagens. A pergunta é: o que nos faz pensar que podemos fazer qualquer coisa com nosso corpo? Nisto se incluem os profissionais do sexo, pessoas que fazem mudanças no corpo (incluindo plásticas, modificações corporais, lipoaspirações, implantes etc), fisiculturistas e halterofilistas, auto-agressões... Acho que tinha mais, mas vai ficar sendo isso. Namastê. Au revoir.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 1


          Há pouco tempo falei aqui sobre a linguagem corporal e, há um pouco mais de tempo, falei sobre o toque. Agora venho falar sobre o veículo responsável por tudo isso: o corpo. Venho falar do que ele representa para nós e o que nós fazemos com ele. Para muitos o corpo é apenas um veículo de prazer e que é utilizado para vivermos, sendo confundido com a própria pessoa. Para outros muitos, incluindo eu, somos espíritos (ou almas) e temos um corpo, do qual fazemos uso para vivermos, sendo duas coisas separadas. Acredito que esses primeiros vivem meio perdidos, confundidos pelo torpor dos sentidos, esquecendo-se do que realmente são, vivendo devotamente a "si" e a Mamon. De uma forma ou de outra, o corpo é de suma importância.

          Vou começar falando sobre o que me chamou a atenção para escrever sobre este tema. Tenho observado durante a minha vida (que não é lá muito longa) os acontecimentos mundiais e como ele se reflete em nossa sociedade, mais precisamente na atualidade. Sempre existiu diversas formas de nos expressarmos através do nosso corpo, durante toda a existência do nosso planeta, mas algumas chamam mais nossa atenção do que outras (me refiro aqui ao tratamento que damos ao nosso corpo). Podemos citar como exemplo o celibato e a auto-flagelação (ou auto-mutilação, podendo levar à morte, como no caso dos homens-bomba) no caso dos religiosos, os vegetarianos e praticantes de atividade física no que se refere a o que ingerem, como e com o que nutrem seus organismos e como mantêm a saúde física (e porque não da mente?), aos praticantes de sexo (independente de ser casual, da orientação sexual, se são afeitos por fetiches dos mais diversos, se é somente com o parceiro que está casado, se é por profissão etc), aos diversos estilos e manifestações da vida (se é adepto a piercings, tatuagens, escarificações, implantes cutâneos, lacerações, tinturas de cabelo, suspensão corporal, cortes de cabelo/barba diferenciados e estilos de roupa). Esses são apenas alguns exemplos que podemos citar dentre tantos outros. Cada um tem seu livre-arbítrio, mas fico me perguntando: para quê ou se isso é realmente  necessário? Darei sequência a este parágrafo após a "definição" de corpo como um vaso, como coloco abaixo.

          Para finalizar, o que significa isso de vaso e casa que coloquei no título? São apenas 2 comparações simples que utilizo, como explico a seguir.

           Comparo o corpo a um vaso no caso de qualquer dos animais que habite a Terra (mas falarei detidamente sobre o animal racional, também conhecido como ser humano). Corpo, o mais sublime dos santuários no qual se manifesta a obra divina do Supremo Idealizador. Domicílio de carne, no qual a alma se manifesta, o corpo é perfeito em toda a sua extensão, em seus detalhes mais ocultos e em seus fantásticos mistérios, indecifráveis pela própria criatura. Através dela, a mente hominal se desenvolve e se purifica, ensaiando-se nas lutas da transformação interna, lapidando-se como diamante coberto de lama. Vaso depositário de bênçãos, como disse Emmanuel em psicografia de Chico Xavier, o corpo "lembra uma oficina complexa, formada de bilhões de motores infinitesimais, movidos por oscilações eletromagnéticas, em comprimento de onda específica, emitindo radiações próprias e assimilando as irradiações do plano em que se encontram, tudo sob o comando de um único diretor: a mente." O corpo é templo sagrado para o desenvolvimento das potencialidades das criaturas sobre a Terra e nos demais planetas que orbitam o Universo, que nos é oferecido gentilmente pelo Patrono Celeste.

          Ainda quando estava na universidade e atuava na área de psiquiatria, tive a oportunidade de conduzir grupos em atendimento na UDQ (Unidade de Dependência Química). Dentre as atividades que propús, trabalhei a questão da máscara (que falarei aqui em outra oporutnidade) e a questão da casa como simbologia do nosso corpo e do que fazemos com ele. E é este sentido que quis representar aqui. Imaginem nosso corpo como a nossa casa. Como é que é esta casa? É bagunçada, harmoniosa, bonita, simpática, mal-cuidada, suja, cheirosa, vazia, cheia, nova ou está com a construção em ruínas e caindo aos pedaços? E quem é que frequenta essa casa? Selecionamos quem entra ou qualquer pessoa pode entrar e fazer o que quiser? Nós estamos nela, participando e decidindo o que acontece e que rumos se toma ou somos apenas espectadores, deixando ao abandono? O que nós trazemos para dentro dela? Como disse aos meninos e meninas que atendi naquela época: nós tomamos a rédea da nossa vida; quem manda na nossa casa somos nós! Portanto, só acontecerá o que nós quisermos ou que nós permitamos que aconteça.

Resumindo: o corpo é uma das coisas que temos de mais sagrado e que devemos zelar o máximo possível, pois ele nos é emprestado por Deus. Sendo assim, devemos cuidá-lo para que se possamos merecer o título de filhos do Criador, instrumentos de manifestação divina para desenvolvimento de nossas capacidades para melhor servi-Lo. Lembrem se disso para facilitar a leitura de outros textos que exporei aqui sobre sexo, a mente, dor, doenças, a razão da nossa vida e para o qual fomos criados, entre outros. E lembrem-se deste texto também se forem reler o que escrevi sobre carnaval, vegetarianismo, doação, influência e exemplo, religião, desapego, morte, trabalho, liberdade e libertinagem. Por isso me questiono sobre a prática indevida do sexo (como o casual, grupal, profissionais do sexo e da indústria de filmes adultos etc), ingestão de entorpecentes, drogas ou qualquer outro tipo de agressão (como um aborto, por exemplo), exageros com dietas e na prática esportiva (como fisiculturismo e alterofilismo, que podem desenvolver distúrbios psiquiátricos e lesões físicas), o estilo de vida punk, roqueiro ou com modificações corporais, até mesmo nos casos estéticos (ditadura da beleza da magreza por aqui e em países norte-americanos e europeus e ditadura da engorda na Mauritânia, África, para conseguirem casar, ou das "mulheres-girafas" que utilizam aquelas argolas no pescoço e vão esticando-o) e assim por diante. Obviamente, como menciono acima, cada um sabe o que faz, mas é inevitável que se pense nas consequências de tamanho vandalismo, crueldade, agressão e mutilação (ou seja, atitudes pouco recomendáveis) contra nós mesmos. Lembrem-se: o corpo nos é somente emprestado, portanto façamos bom uso e cuidemos bem dele.

Namastê. Au revoir.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Toque


Não é T.O.C. (Transtorno Obcessivo Compulsivo) e muito menos toque retal. É toque mesmo, de contato, do verbo tocar. Depois de um acontecimento no trabalho fiquei pensando na importância desta na nossa vida e as dificuldades que podem nos causar.
No Japão ele é restrito, talvez como sinônimo de respeito, mas acaba "afastando" as pessoas de certa forma. Ao contrário do Brasil, que é um povo mais receptivo neste sentido e abraça e beija até mesmo pessoas que não conhecem. O toque é bom, mas pode trazer constrangimento em certas ocasiões, se não tomarmos cuidado.
Por exemplo um homem tocando uma mulher, uma mulher tocando um homem ou um homem tocando outro homem (mulher com mulher é mais comum e "aceito", por isso não citei). Pode-se entender, pra quem está de fora (ou menos pra quem participa disso "inocentemente"), que um está tirando proveito do outro, seja de qual parte for. Pior ainda se for entre 2 homens, porque aí entra em jogo o machismo, conservadorismo e preconceito ("oh, meu Deus, o que os outros vão pensar?"). Mesmo que as partes façam isso inocentemente, sem querer ou perceber (pois pode ser a mania de alguém, que fala tocando ou cutucando outros), sem qualquer intensão por trás do ato, porque daí pode-se sugerir homossexualismo e "denegrir" a imagem dos sujeitos em questão. É complicado. Bem como também é complicado se tiver idade em questão. Poderiam dizer que o (a) senhor (a) é assanhado e está querendo tirar casquinha do (a) outro (a) ou que o (a) mais novo (a) está desrespeitando a pessoa.
Complicado para aqueles que, como citei acima, têm a mania de falar tocando alguém, mesmo que seja no antebraço, ombro etc e sem maior significância. Pode trazer problemas inconscientes relacionados à sexualidade, denegrimento da imagem (como no caso dos homens), constrangimentos outros ou simplesmente não gostar de serem cutucados, tornando, assim, a pessoa chata e inconveniente (como costuma-se pensar), sem que ela o seja. Não posso esquecer de citar também os que têm dificuldades/resistência de algumas pessoas ao toque, seja porque motivo for.

Há ainda os exemplos de personagens fictícios, como no caso de Vampira (Rogue - na imagem ao lado à esquerda) e Decompositor (Wither - na imagem abaixo à direita), ambos de X-Men. Vampira tem a habilidade incontrolável de absorver a energia vital, lembranças e habilidades das pessoas que toca (no caso de outro mutante, pode absorver temporariamente seus poderes) e Decompositor também tem a habilidade incontrolável de decompor qualquer matéria orgânica que toque. Portanto, ambos vivem em regime de exclusão permanente. E quais os danos psicológicos que isso pode causar? Vamos ver a seguir.
"Imagine uma vida sem toque. Uma vida em que você pode ver as pessoas à sua volta, interagir com elas, mas nunca tocá-las. Nós, humanos, somos seres táteis, observando constantemente o modo como os outros mexem o corpo, tocam-se uns aos outros, seja com um aperto de mão, um abraço, um tapa nas costas ou um beijo. Vampira não nasceu incapaz de tocar; o mundo parece ser indiferente às nossas esperanças e sonhos. Ela tem uma das habilidades para as quais nenhum apoio social seria suficiente: não pode tocar ninguém sem ferir a pessoa. Este é um traço que é útil no combate, mas não na interação com as pessoas queridas." (trecho retirado do livro X-Men e a Filosofia, capítulos 7 e 13, por Rebecca Housel e J. Jeremy Wisnewski, Ed. Madras).
Este trecho sobre Vampira também serve para Decompositor, pois as restrições impostas pelas habilidades de um é a mesma para ambos. Agora vamos voltar à realidade. Imagine o quão difícil é, por exemplo, para pessoa que tem essa mania de tocar outras pessoas enquanto conversa, ter que se vigiar constantemente para não fazer algo que não é natural para ela (no caso tocar enquanto conversa). Outro ponto para reflexão é que, com isso, nos tornamos mais carentes, o que reflete na nossa relação com o mundo, em especial na relação amorosa. Abaixo transcrevo parte de um texto que achei na internet e que fala sobre a carência (coisa que cresceu assustadoramente nos últimos tempos, por diversos motivos).
"Não conseguimos findar relacionamentos que não existem mais, ficamos tão desesperados em falar com aquela pessoa que apenas nos deu um sorriso, ou ainda se foi um beijo descompromissado, já o consideramos o amor de nossas vidas.
As pessoas estão muito carentes de afeto. O sexo é mais instigante do que o amor gratuito, seja entre amigos, namorados ou mesmo ficantes. E ao se dar conta de que o contato físico não supre o que buscamos vem a frustração e, então, a busca se inicia novamente, voltando ao mesmo ciclo de antes.
E, quando nos damos conta, ao menor sinal de aproximação nos vemos fantasiando romances, criando expectativas, se iludindo com mentiras e gestos inofensivos. Não que o acaso possa nos reservar algo agradável, mas dar tiro para o alto corre-se o risco de não acertar nenhum alvo ou ainda de que a bala retorne em sua direção."

Era isso o que tinha me proposto a trazer para reflexão. Vamos aguardar sobre o tema para a próxima publicação agora, pois ainda não defini sobre o que será.
Au revoir.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Justiça ou vingança? - 1


Para começar, novamente vamos consultar o significado destas palavras no dicionário:
Justiça: Conformidade com o direito; a virtude de dar a cada um aquilo que é seu; A faculdade de julgar segundo o direito e melhor consciência; Prática e exercício do que é de direito; Retidão, uma das quatro virtudes cardeais.
Vingança: Ato ou efeito de vingar(-se); Punição, castigo; Atitude de quem se sente ofendido ou lesado por outrem e efetua contra ele uma ação mais ou menos equivalente.

Esses dois conceitos são muito conhecido por todos, mas ninguém costuma refletir sobre eles. Aliás, na grande maioria das vezes as pessoas conhecem muito mais a vingança do que a justiça. Independente do motivo que se tenha ou o tempo que se leve, costuma-se fazer justiça com as próprias mãos a esperar que a justiça seja feita por ela mesmo, seja judicialmente seja divinamente falando. E é importante que o conceito de justiça seja levado, aqui, a todas as interpretações possíveis.
Temos a justiça de Deus e a justiça dos homens. A justiça dos homens vale-se de parâmetros criados, estudados, discutidos, modificados e organizados em forma de leis e artigos ao longo da história. Isso tudo está destinado ao Direito, mas há pessoas que queiram fazer justiça fora desses parâmetros, mesmo quando contemplados com as prisões ou mortes daqueles que atentaram contra ele.
Para ilustrar contamos com vários e vários casos, mas vamos pegar 2 mais atuais: a morte de Osama Bin Laden e a vingança da personagem de Glória Pires. Após algum tempo na cadeia por um crime que não cometeu, ela resolve que o fulano lá deve "pagar pelo que fez a ela" e ao ser liberta sua vida passa a girar em torno de fazer justiça. Perde-se toda uma perspectiva de futuro, profissional e pessoal, para que viva única e exclusivamente para vingar-se. É triste ver uma pessoa passando por uma transformação tão radical quanto esta, e transformação no sentido negativo, cristalizando-se na mágoa, ódio e rancor. Isso porque é novela, daí ela também não precisa se preocupar com dinheiro, moradia etc, vivendo apenas em função de destruir a vida do outro que a fez mal. E são infinitos os filmes e personagens de novelas e peças teatrais que têm como tema a vingança. Tudo bem que vez ou outra isso consiga se concretizar, mas o acontece depois? O que se ganha em troca e o que vai se fazer da vida depois que conseguir sua vingança? Como é que vai ser tocada a vida?


Já o outro exemplo todos conhecem e a maioria compactua do resultado. Ao ouvir que Bin Laden estava morto quantos não foram os que exclaram "graças a Deus! Até que enfim."? Como se a paz mundial dependesse apenas de nos livrarmos da presença de um indivíduo. Podemos citar nesse mesmo exemplo o caso Nardoni, o massacre de Realengo e tantos outros. Em casos como esses, com tamanha crueldade, clamamos justiça esperando por vingança. Fosse apenas a justiça por ela mesma, deixaríamos as coisas nas mãos de advogados, juízes, delegados e promotores e "esqueceríamos" o que tinha acontecido. Mas, nessas circunstâncias, ao vermos os algozes a massa parte pra cima no "momento do linchamento", tomando um partido pessoal, justificando suas ações como merecidas pelo mal cometido por outro.
Conta-se nos dedos (talvez de uma das mãos) os que levaram uma prece singela em homenagem às essas pobres criaturas sem amor-próprio, que deixaram levar-se por ignorância e egoísmo. Lembram que eles têm que pagar pelo crime que cometeram, mas esquecem-se que também nós poderíamos estar no lugar deles. Aliás, nós estamos no lugar deles, mas a diferença consiste que um matou muitas pessoas e nós apenas mentimos, omitimos, seduzimos, chantageamos, mascaramos etc. Os fins e os meios mudam, mas não a intensão. São eles no lugar do nós, mas que mesmo assim não deixa de nos atingir. Alguns com ideais utópicos torpes chegam ao fanatismo de querer exterminar o mal do mundo, matando todos os que o fizerem, mas esquecem-se que, em maior ou menor grau, nós participamos disso. Isso é mostrado no desenho animado Death Note, onde um garoto quer tornar o mundo puro e justo matando todos os bandidos, esquecendo-se que quando faz isso, ele mesmo se torna o algoz. Não temos o direito nem o dever de julgar quem quer que seja, a não ser a nós mesmos e nossas atitudes. Passamos de vítimas para efetuadores do crime. E achamos que estamos certos, em nome da justiça...
A linha entre justiça e vingança é muito tênue. Temos que prestar atenção para percebermos que lado da linha estamos cruzando. Até porque, mais cedo ou mais tarde, somos sempre nós que a estaremos enfrentando de acordo com as várias outras leis que temos: compensação, retorno, causa/efeito etc.
Para fechar, podemos citar vários ditos populares sobre isso: aqui se faz aqui se paga, antes tarde do que nunca, quem com ferro fere com ferro será ferido e o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.
Então, prefiro ficar com a justiça dos homens até onde ela pode ser levada e aguardar a justiça divida.
Vamos pensar.
Au revoir.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sobre a Morte e o Morrer - 1


Transcrevo abaixo trechos de uma das ilustrações mais bonitas sobre a morte que já vi. Recebi por e-mail um dia desses. Não vou acrescentar qualquer opinião que tenha a respeito, ficando esta para uma outra oportunidade.

"Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

Mas ele continua o mesmo. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:  "já se foi", no além, outro alguém dirá : "já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida. Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

Assim, um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos todos nós ao encontro daquele que nos criou."

Au revoir.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Liberdade e libertinagem



É relativamente simples falar desse tema, visto que está bastante explícito e fácil de distinguir um e outro no mundo hoje. Inicialmente vamos aos conceitos para só então discutir:
Liberdade: Condição de uma pessoa poder dispor de si; faculdade de fazer ou deixar de fazer uma coisa; o uso dos direitos do homem; ausência de servidão, submissão e determinação, qualificando-se como independência do ser humano; constitui o comportamento humano voluntário; autonomia de um sujeito racional.
Libertinagem: Desregramento; uso da liberdade sem o bom senso, acabando por transformá-la em um veículo prejudicial a si próprio ou aos outros.

A liberdade é caracterizada por se fazer escolhas de forma racional, levando em conta e aceitando as consequências advindas desta escolha. Também é conhecida por alguns como livre-arbítrio. De qualquer forma, há muitas pessoas que ainda confundem liberdade com libertinagem, fazendo desta um estilo de vida um tanto arriscado, para si e para outros. Acho importante frizar isso, pois a todo momento nos deparamos com esta contradição, especialmente porque estamos praticamente no período do carnaval, época perfeita para se divertir sem limites. Mas o carnaval vai ficar para a próxima postagem.

Às vezes queremos que nossa mão chegue além do que o braço pode esticar, mas esbarramos no limite do espaço de uma outra pessoa. Algumas pessoas invadem o espaço do outro, consciente ou inconscientemente, e se sentem incomodadas, já outros o fazem sem a menor cerimônia como se fizesse parte dele próprio. Não sabe distinguir ele mesmo de outra pessoa. Temos nossa liberdade de escolha e temos que saber usá-la, foi pra isso que Deus nos dotou da capacidade da inteligência, do raciocínio e da individualidade. Ou seja, tudo o que escolhemos e fazemos se volta para nós, não para os outros. Inicialmente pode parecer que o outro foi atingido, mas mais cedo ou mais tarde volta para nós, como se fosse um espelho. Eis aí o karma/carma citado pelos hindus, budistas e outras religiões. O carma em sí não tem nada de ruim, isso é uma ideologia criada pelo homem, mas ele é colocado como ruim porque geralmente as escolhas que fazemos provém do egosísmo, do orgulho e da vaidade.


A liberdade é a grandeza de poder fazer escolhas e escolher é sacrificar. Sacrificar outras coisas e possibilidades em detrimento de uma só. E depois da escolha vem as consequências e temos que aceitá-las, pois foi o que nós mesmos escolhemos para nós. Aceitar com resignação. Se essas escolhas não tivessem consequências, se nos permitíssimos voltar atrás no que não é admitido naturalmente, a liberdade se tornaria vazia e improdutiva. Além disso, estaríamos anulando nossa personalidade, pois somos aquilo que escolhemos para nós, mesmo que tenhamos apenas um caminho a seguir ou quando uma outra pessoa se sobrepõe a nós, daí vale a pergunta: "o que fazer com o que fizeram de mim?". Além do que, aceitar escolhas não diz respeito apenas ao que escolhemos para nós mesmo, mas também aceitar o que os demais escolhem para si. Na realidade fazemos justamente ao contrário: queremos tomar decisões pelos outros achando que será melhor para ela do jeito como pensamos e não como ela escolheu. Com isso cabe fazer uma pergunta: o que nós achamos que será bom para ela é o que é de fato ou fazemos isso porque será melhor para nós, de alguma forma?

É difícil fazer com que as pessoas compreendam aquilo que ainda não sentem. Cada pessoa tem um conceito diferente, o que faz parecer que, eu e outras pessoas que batem nessa mesma tecla maquiada de clichê, estamos tentando ensinar física para crianças do jardim. Eis aí a ignorância do ser humano. Não é raro encontrar quem queira ter seus direitos atendidos, mas é raro quem sequer lembre que, além dos direitos, temos também os deveres. E temos muitos deveres. Inclusive deveres para conosco mesmos, o que significa que a liberdade que temos é para ser usada também em benefício próprio, sem nos prejudicarmos. E se ficarmos apenas gozando dos prazeres da vida sem tirarmos nada de proveito, sem aprender, sem fazer nossa parte não teremos esta liberdade verdadeira, teremos uma prisão. Eis o auto-enclausuramento ou o "carma ruim", como colocado anteriormente. A vida foi feita para sermos felizes, mas não essa felicidade fugaz e materialista que muitos pensam e querem. A vida não é só "sexo, drogas e rock'n roll". Repito que não estamos na vida à passeio, mas muitos preferem ficar pelo caminho perdendo tempo com distrações.

Podemos, então, exercê-la de forma positiva ou negativa. E podemos chegar à tão sonhada paz com esta liberdade do qual falei... ou podemos chegar à prisão. Nós é que escolhemos onde vamos. Mas também podemos ter paz na prisão. E o contrário da liberdade é a prisão, então vamos falar um pouco disso também. Abaixo transcrevo um trecho do discurso feito por Prem Rawat do projeto Palavras de Paz, que pode ser visto no site ou no VcTubo sobre a Luz Interior, que também fala sobre a liberdade:

"Parece que estamos aqui para desfrutar. Temos um corpo que detesta sentir dor e adora sentir prazer. Talvez o propósito desta viagem não seja a dor, o sofrimento, mas podermos sentir a experiência suprema. O supremo pode ser esse poder que torna todas as coisas possíveis, que lhes dá energia, que as move. Mas o que é fascinante não é entendermos o universo, mas saber o que lhe dá energia também está dentro de nós. E isso nós podemos experimentar. Porque quando experimentamos, ficamos cheios de paz, cheios de felicidade.
A cada um de nós foi dada uma oportunidade de sentir plenitude, de sentir paz. A paz que pode ser sentida na prisão. E o que me maravilha é que mesmo na pior das situações há esperança. Há uma flexibilidade, uma compreensão e uma força em cada ser humano. E é essa força que nos faz avançar até a porta de entrada para a paz interior. Estar preso e isolado é o pior dos castigos. Estar sozinho. Eu... comigo. A liberdade está dentro de você. Pode sentir a liberdade, mesmo que esteja trancado numa prisão."

Para finalizar, a liberdade é direito de todos, principalmente no que diz respeito a libertar-se de si mesmo. Libertar-se das suas dificuldades, defeitos e apegos. A liberdade leva tanto à prisão e ao sofrimento quanto leva à paz e a felicidade. Basta saber que caminho vamos percorrer.
E vou ficando por aqui, pois ainda há muito pano pra manga.
Quem sabe não volto a falar disso novamente no futuro?
Au revoir.

sábado, 16 de outubro de 2010

Trabalho

Hoje irei expor um pouco a respeito de trabalho. Não esse mesmo que estamos acostumados a ver, onde empregamos horas em uma determinada atividade para fins lucrativos, mas uma visão um pouco mais ampla e profunda.
Um dicionário que consultei traz que trabalho é "qualquer ocupação manual ou intelectual; esmero, cuidado que se emprega na feitura de uma obra; obra feita ou que se faz ou está para se fazer." Desta forma, está certo, mas muitos veem o trabalho apenas como uma forma de ganhar dinheiro para gastar com coisas [muitas vezes, des] necessárias. O trabalho está intimamente ligado com à reforma íntima, que venho falando. A reforma íntima tem a mesma dosagem de encantamento e dificuldade, já que, nós ainda em nossa pequenez, não conseguimos enxergar muito além do que nossos olhos nos mostram [e alguns de nós também não querem ver, o que me faz lembrar de um ditado "o pior cego é aquele que não quer ver"].
Como nos mostra o dicionário, o trabalho é o cuidado na realização de uma obra e esta obra é, indubitavelmente [mesmo que muitos ainda não tenham se conscientizado para isso], a divinização do ser humano. Devemos trabalhar nossos conteúdos internos para garimpar as virtudes que temos [e depois exercitá-las para que possam crescer], diminuir/evitar nossos pecados [ou melhor dizendo combater nossas "más" inclinações, já que pecado não existe] e, mesmo que não as tenhamos conquistado ainda, começar a cultivá-las.
Como já disse uma grande alma: Conhece-te a ti mesmo. Somos seres espirituais passando por uma experiência na matéria e não o contrário, como alguns [ou muitos] imaginam. Somos seres de luz criados para alcançar a luz. Um diamante não deixa de ser diamante só por estar coberto de lama. E fazemos isso como? Através do trabalho incessante e edificante. Essa semana mesmo fui ao banco pagar uma conta e, claro, tinha fila. Observei que as pessoas da fila não ficavam no espaço demarcado entre a entrada e a saída. A saída, na boca do caixa, estava na ordem certa, mas era só dobrar para marcação no chão que a fila desandava e praticamente tomou conta de onde ficava a entrada, "bloqueando a entrada". Não sei se deu para me entender, mas a reflexão é: se não conseguimos nem nos posicionarmos corretamente na fila onde há lugares demarcados extrapolando seus limites para ficarmos mais confortaveis, mesmo não podendo ou não sendo correto, como é que queremos melhorar alguma coisa no mundo? Isso é algo tão comum de acontecer que são raros os que percebem isso e param para pensar sobre [ou será que é falta do que fazer ficar pensando em coisas como essas?]. Nós fazemos as coisas sem nos darmos conta, é essa irreflexão que nos deixa estagnados no meio do caminho. Temos que sair da nossa zona de conforto para melhorar alguma coisa, ou seja, temos que trabalhar.
E lembro novamente que não fazemos isso sozinhos, por isso a necessidade do próximo [família, amigos, colegas de trabalho e a sociedade em geral]. Somente nos relacionando com o próximo poderemos burilar nossas dificuldades e lapidarmos o diamente que somos. Outro lembrete: isso não acontece da noite para o dia, portanto nada de afobamento. Quanto antes melhor, mas temos que ter paciência com nossas próprias dificuldades e limitações. Terceiro lembrete: o mundo [ou a vida] só melhora se nos melhorarmos. Mas isso só pode ser feito por cada um de nós, individualmente, e por ninguém mais. Nenhuma outra pessoa, seja  quem for [seja Maria, Jesus, Deus, Jeová, Maomé, Alá, Buda, Zoroastro, Krishna etc], pode fazer nada por nós se não fizermos nossa parte. Somente nos ajudarão se nós nos ajudarmos primeiro.
E essa evolução global só ocorrerá quando este ser bípede e "racional" deixar de ser homem para ser humano.
Façam brilhar sua luz.
Au revoir.