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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Justiça ou vingança? - 2

Já fiz uma publicação sobre o tema aqui e fiz uma pequena abordagem aqui. Como é um assunto que está na boca do povo, vou aproveitar pra falar novamente sobre o assunto.

O tema tem se tornado popular graças à novela Avenida Brasil, onde mostra a personagem Nina/Rita em busca de justiça contra o mal sofrido na infância pela madrasta Carminha. Na revista Veja também foi abordado o tema há 2 ou 3 semanas atrás justamente pelo mesmo motivo (ilustrado na foto ao lado). Uma das frases mais conhecidas para fazer a propaganda da novela é "Até onde você iria por justiça?". E é uma boa frase para se pensar. Da primeira vez que abordei o tema, falei sobre a personagem vivida por Glória Pires que foi presa injustamente graças a um homem que a usou se fazendo passar por namorado. Após sair da cadeia ela volta para se vingar. Não é muito diferente do que passa na novela agora. A menina Rita cresce como Nina, mas não consegue se livrar da sede de vingança. Mesmo tendo sido adotada por uma família argentina, depois de anos ela volta para fazer "justiça". Isso mostra como o ódio corroe por dentro. Tanto tempo se passou e ela não conseguiu esquecer, perdoar e seguir em frente. Pior: passou por cima de seu amor, do seu futuro e dos seus princípios e valores, tudo em nome da vingança. Ver a "mocinha" reunida com a vilania, discutindo coisas de origem dividosa ou sendo dissimulada com todos não é das sensações mais agradáveis. Tanto que esta mocinha não tem tido tanta audiência na rua ou na mídia (visto que a atriz não tem sido chamada para fazer comerciais e afins, coisa que normalmente os mocinhos fazem). Aliás, a personagem Nina foi inspirada, mesmo que indiretamente, no pernsonagem principal do filme O Conde de Monte Cristo. Ao longo da novela foram levantados diversos "debates" e diálogos entre os personagens sobre o que é justiça e o que é vingança. Vários personagens tentaram convencer a personagem principal de dar a volta por cima e seguir a vida, mas foi em vão. Isto claramente mostra que quem manda é nossa força de vontade, quem pode decidir é apenas nós mesmos.

 A vingança pode ser disfarçada de várias formas, mas não deixa de ser vingança. Como na ilustração que coloquei no topo, pode ser vista como uma brincadeira, mas não deixa de ser vingança. Se fazem alguma coisa prar nós, porque devemos responder à altura e da mesma forma? Porque foram violentos, sem-educação, egoístas, indiferentes etc, temos que ser também? Não vivemos mais sob a Lei de Talião e seu famoso "olho por olho, dente por dente", mas muitas pessoas pensam que sim. Como foi dito de forma magnífica por Mahatma Gandhi no filme (de mesmo nome) sobre ele mesmo: olho por olho e o mundo acabará cego. Outro ponto conhecido é o "herói" dos quadrinhos chamado O Justiceiro - ilustrado na foto ao lado - (e que poucos sabem que seu nome original em inglês é The Punisher, que significa em tradução livre O Punidor/O Castigador). Já saiu um filme dele em live action e estava para sair o segundo (do qual não sei em que andamento está), tendo feito o maior sucesso. E muitas pessoas estão, pelo menos de certa forma, de acordo com o roteiro e princípios do personagem. Da mesma forma que se regozijam com as pequenas vinganças do dia-a-dia, seja por que motivo for. O motivo pode estar certo, bem como a sede de justiça, mas como é que predendemos fazer isso: de maneira legal ou não legal? Me refiro ao certo e errado da personagem Nina, do Conde de Monte Cristo e do Justiceiro e também quando falamos "eu perdoo/perdoei", mas sente uma fagulha de alegria se qualquer coisa de errado/ruim acontece com a pessoa que nos machucou, mesmo que nós não tenhamos nada a ver com o que aconteceu a ela. Então também faço a mesma pergunta para que vcs possam responder a vcs mesmos: Até onde vc iria por justiça?

Algumas pessoas são como a Nina: querem justiça, mas acabam fazendo vingança. Isso remete ao que já falei aqui antes sobre o caso Nardoni, o caso do goleiro Bruno, o caso Cachoeira, o Mensalão ou qualquer outro assunto do tipo. Há pessoas que perdem a vida (ou parte dela) fazendo isso, querendo ou não. Assim foi com a personagem da Glória Pires e assim é com Nina, com o Justiceiro e o Conde de Monte Cristo. Há pessoas que guardam o que aconteceu e ficam remoendo, mesmo que inconscientemente. E há pessoas que sacodem a poeira e levam a vida à diante. A Nina não está sendo tão popular justamente por estar passando por cima de seus próprios valores para conseguir o que quer, inclusive atropelando as pessoas. Até um certo momento a população apoiou o que ela estava fazendo e até ficaram feliz, mas até certo ponto: tanto que não estão mais gostando tanto assim da personagem. Isso mostra claramente que, por mais feliz que fiquemos, uma hora tem que parar e ir em frente, seguir com a vida. Há pessoas que não conseguem e passam a vida amarguradas. conseguindo ou não, a questão é: o que vem depois? E o tempo que se "perdeu"? Qual seus objetivos na vida fora isso? Como seguir em frente?

Acho que o que fala mais alto quanto a este assunto é o caráter, os princípios e os valores. Pelo menos para mim. Deixo agora este trecho picado do filme V de Vingança (que, ao contrário do que parece, não se trata de vingança exatamente, mas sim de ideologias), onde se fala através de uma carta (e em cenas maravilhosas) espetacularmente sobre o tema integridade: "Nossa integridade é tudo o que temos. É o mais importante em nós. Mantendo nossa integridade, somos livres. Cada pedacinho do meu ser perecerá. Cada pedacinho... Menos um. O da integridade. É pequeno e frágil... É a única coisa que vale a pena ter: jamais devemos perdê-la, nem deixar que o tomem de nós. O que mais quero é que entenda a minha mensagem... Quando falo que mesmo sem conhecer você... E mesmo que talvez jamais conheça você... Ria com você, chore com você... Ou beije você... Eu amo você. De todo o coração... Eu amo você. Valerie".

Namastê. Au revoir.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 2

Escrevendo diretamente de Guaíba (vizinha a Porto Alegre). Darei continuidade ao que estava escrevendo sobre o corpo e nossa relecao com ele. Um fato ocorrido no sabado retrasado foi o mais perto que ocorreucom relacao ao suicidio. Um primo primeiro tomou soda caustica e fiquei 3 dias correndo em hospitais, com remédios e afins. O que quero dizer com isso é que o corpo não nos pertence (portanto não podemos fazer o que quisermos sem nos responsabilizarmos com as consequências). E este não é o tipo de coisa que simplesmente se faz e esquece, passa por cima como se nada tivesse acontecido. Que tipo de relação é esta que temos conosco? Não estar de acordo com algo é normal, mas , pelo menos para mim, não há nada tão ruim que possa fazer com que eu tire minha própria vida (ou mutile um corpo que me está emprestado). E não podemos julgar ninguém que o faz, sabem porque? Pelo mesmo fato de que fazemos o mesmo em graus variados e de formas diferentes. Como assim? Pessoas se matam todos os dias excedendo a quantidade de comida, transando demais, bebendo demais, fumando ou usando outros entorpecentes e assim por diante. E isso não nos parece assustador, a menos que pensemos desta maneira, pois tudo o que nos parece bom queremos aproveitar ao máximo. Aliás, são exatamente os extremos que são prejudiciais. Uns comem demais enquanto outros passam fome para manter a forma (por um distúrbio psiquiátrico ou qualquer outro motivo). A riqueza ou a pobreza também interferem de uma forma ou de outra. Exageros com adereços e roupas, o que inclui por exemplo piercings e tatuagens. A pergunta é: o que nos faz pensar que podemos fazer qualquer coisa com nosso corpo? Nisto se incluem os profissionais do sexo, pessoas que fazem mudanças no corpo (incluindo plásticas, modificações corporais, lipoaspirações, implantes etc), fisiculturistas e halterofilistas, auto-agressões... Acho que tinha mais, mas vai ficar sendo isso. Namastê. Au revoir.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 1


          Há pouco tempo falei aqui sobre a linguagem corporal e, há um pouco mais de tempo, falei sobre o toque. Agora venho falar sobre o veículo responsável por tudo isso: o corpo. Venho falar do que ele representa para nós e o que nós fazemos com ele. Para muitos o corpo é apenas um veículo de prazer e que é utilizado para vivermos, sendo confundido com a própria pessoa. Para outros muitos, incluindo eu, somos espíritos (ou almas) e temos um corpo, do qual fazemos uso para vivermos, sendo duas coisas separadas. Acredito que esses primeiros vivem meio perdidos, confundidos pelo torpor dos sentidos, esquecendo-se do que realmente são, vivendo devotamente a "si" e a Mamon. De uma forma ou de outra, o corpo é de suma importância.

          Vou começar falando sobre o que me chamou a atenção para escrever sobre este tema. Tenho observado durante a minha vida (que não é lá muito longa) os acontecimentos mundiais e como ele se reflete em nossa sociedade, mais precisamente na atualidade. Sempre existiu diversas formas de nos expressarmos através do nosso corpo, durante toda a existência do nosso planeta, mas algumas chamam mais nossa atenção do que outras (me refiro aqui ao tratamento que damos ao nosso corpo). Podemos citar como exemplo o celibato e a auto-flagelação (ou auto-mutilação, podendo levar à morte, como no caso dos homens-bomba) no caso dos religiosos, os vegetarianos e praticantes de atividade física no que se refere a o que ingerem, como e com o que nutrem seus organismos e como mantêm a saúde física (e porque não da mente?), aos praticantes de sexo (independente de ser casual, da orientação sexual, se são afeitos por fetiches dos mais diversos, se é somente com o parceiro que está casado, se é por profissão etc), aos diversos estilos e manifestações da vida (se é adepto a piercings, tatuagens, escarificações, implantes cutâneos, lacerações, tinturas de cabelo, suspensão corporal, cortes de cabelo/barba diferenciados e estilos de roupa). Esses são apenas alguns exemplos que podemos citar dentre tantos outros. Cada um tem seu livre-arbítrio, mas fico me perguntando: para quê ou se isso é realmente  necessário? Darei sequência a este parágrafo após a "definição" de corpo como um vaso, como coloco abaixo.

          Para finalizar, o que significa isso de vaso e casa que coloquei no título? São apenas 2 comparações simples que utilizo, como explico a seguir.

           Comparo o corpo a um vaso no caso de qualquer dos animais que habite a Terra (mas falarei detidamente sobre o animal racional, também conhecido como ser humano). Corpo, o mais sublime dos santuários no qual se manifesta a obra divina do Supremo Idealizador. Domicílio de carne, no qual a alma se manifesta, o corpo é perfeito em toda a sua extensão, em seus detalhes mais ocultos e em seus fantásticos mistérios, indecifráveis pela própria criatura. Através dela, a mente hominal se desenvolve e se purifica, ensaiando-se nas lutas da transformação interna, lapidando-se como diamante coberto de lama. Vaso depositário de bênçãos, como disse Emmanuel em psicografia de Chico Xavier, o corpo "lembra uma oficina complexa, formada de bilhões de motores infinitesimais, movidos por oscilações eletromagnéticas, em comprimento de onda específica, emitindo radiações próprias e assimilando as irradiações do plano em que se encontram, tudo sob o comando de um único diretor: a mente." O corpo é templo sagrado para o desenvolvimento das potencialidades das criaturas sobre a Terra e nos demais planetas que orbitam o Universo, que nos é oferecido gentilmente pelo Patrono Celeste.

          Ainda quando estava na universidade e atuava na área de psiquiatria, tive a oportunidade de conduzir grupos em atendimento na UDQ (Unidade de Dependência Química). Dentre as atividades que propús, trabalhei a questão da máscara (que falarei aqui em outra oporutnidade) e a questão da casa como simbologia do nosso corpo e do que fazemos com ele. E é este sentido que quis representar aqui. Imaginem nosso corpo como a nossa casa. Como é que é esta casa? É bagunçada, harmoniosa, bonita, simpática, mal-cuidada, suja, cheirosa, vazia, cheia, nova ou está com a construção em ruínas e caindo aos pedaços? E quem é que frequenta essa casa? Selecionamos quem entra ou qualquer pessoa pode entrar e fazer o que quiser? Nós estamos nela, participando e decidindo o que acontece e que rumos se toma ou somos apenas espectadores, deixando ao abandono? O que nós trazemos para dentro dela? Como disse aos meninos e meninas que atendi naquela época: nós tomamos a rédea da nossa vida; quem manda na nossa casa somos nós! Portanto, só acontecerá o que nós quisermos ou que nós permitamos que aconteça.

Resumindo: o corpo é uma das coisas que temos de mais sagrado e que devemos zelar o máximo possível, pois ele nos é emprestado por Deus. Sendo assim, devemos cuidá-lo para que se possamos merecer o título de filhos do Criador, instrumentos de manifestação divina para desenvolvimento de nossas capacidades para melhor servi-Lo. Lembrem se disso para facilitar a leitura de outros textos que exporei aqui sobre sexo, a mente, dor, doenças, a razão da nossa vida e para o qual fomos criados, entre outros. E lembrem-se deste texto também se forem reler o que escrevi sobre carnaval, vegetarianismo, doação, influência e exemplo, religião, desapego, morte, trabalho, liberdade e libertinagem. Por isso me questiono sobre a prática indevida do sexo (como o casual, grupal, profissionais do sexo e da indústria de filmes adultos etc), ingestão de entorpecentes, drogas ou qualquer outro tipo de agressão (como um aborto, por exemplo), exageros com dietas e na prática esportiva (como fisiculturismo e alterofilismo, que podem desenvolver distúrbios psiquiátricos e lesões físicas), o estilo de vida punk, roqueiro ou com modificações corporais, até mesmo nos casos estéticos (ditadura da beleza da magreza por aqui e em países norte-americanos e europeus e ditadura da engorda na Mauritânia, África, para conseguirem casar, ou das "mulheres-girafas" que utilizam aquelas argolas no pescoço e vão esticando-o) e assim por diante. Obviamente, como menciono acima, cada um sabe o que faz, mas é inevitável que se pense nas consequências de tamanho vandalismo, crueldade, agressão e mutilação (ou seja, atitudes pouco recomendáveis) contra nós mesmos. Lembrem-se: o corpo nos é somente emprestado, portanto façamos bom uso e cuidemos bem dele.

Namastê. Au revoir.

domingo, 6 de maio de 2012

Vegetarianismo - 2

Bem, como parece que ficaram pendentes questões relacionadas a este assunto e que gostaria de ter abordado, mas não tive tempo suficiente (ou que me esqueci mesmo), resolvi explorá-lo um pouco mais incitados por um dos comentários sobre o tema que utilizei como base. De certa forma é como se repetisse o que já tinha dito, mas ainda tem-se o que pensar. E se pensarem em outro ponto de vista, tiverem outras informações ou outra abordagem/exemplo relacinado ao tema que não encontraram aqui, favor compartilhar.

Este é o tipo de assunto que, como já havia dito, causa muitas discórdias porque cada um quer colocar (impor) seu ponto de vista, sua opinião e julgando os demais de ideias contrárias, agredindo e criticando, tomando aquilo como verdade absoluta e iniciando sempre uma disputa boba. Acredito que o texto escrito por mim anteriormente tenha se tornado interessante por ser informativo. Reafirmo o mesmo de antes: eu trouxe informações para que cada um forme sua opinião, embora eu já tenha a minha própria. Afinal, a questão vai além do que vc coloca no prato.

Como escrevi da outra vez, o impacto ambiental vai além de fazendas de criação, áreas verdes transformadas em pastos e abatedouros: também nos diz sobre os direitos dos animais e sobre consumismo. São problemas econômicos, sociais, ambientais e nutricionais. Porque? Quantos não são as aves que morrem para enfeitar o carnaval brasileiro, quantas pessoas ricas não se vestem com casacos de pele e usam bolsas e sapatos de couro de avestruz, jacaré ou bovinos e quantos são os animais que acabam em vidros e potes de cosméticos? Ou por exemplo se ao invés de comer carne uma pessoa aumenta a quantidade de sódio, carboidratos, gorduras, produtos industrializados, condimentados e conservas diversas. Da mesma forma que não adianta nada a humanidade se tornar vegetariana se não fizer a rotatividade correta das áreas de cultivo para nutrição e regeneração do solo ou utilizar muitos agrotóxicos para eliminar as doenças e pragas que atacam as plantações, prejudicando assim o meio ambiente, a saúde humana e animais de toda sorte que têm ligação direta com isto (como minhocas, pássaros, abelhas etc).

Em tempos distantes era necessário, e aceitável portanto, que o homem matasse para ter o que comer no que diz respeito aos valores nutricionais, quantidades de nutrientes necessários e na quantidade de fontes de alimentos disponíveis ao nosso dispor. Passado o tempo, o homem aprendeu a cultivar lavouras e aperfeiçoá-las, além do que também aprendemos a conservá-los mais para que pudéssemos trocar verduras, legumes e frutas das mais diversas com o mundo todo. Graças a isso temos a possibilidade de comer uma fruta japonesa aqui no Brasil e, portanto, não temos "necessidade" de comer carne para nos nutrirmos de forma adequada. Eliminamos, assim, a necessidade de caça e a pesca, ou pelo menos de diminuí-la. Mesmo que o planeta passasse a ser vegetariano teríamos outros problemas para resolver, pois continuaríamos com problemas de distribuição de renda e miserabilidade, sem contar que países realmente pobres como a África come-se o que tem para comer, sem direito a escolha. Portanto, para que isso possa se tornar realidade (o que ocorrerá daqui há, digamos, 100 anos), faz-se necessário a conscientização do ser humano, uma reforma de bases e educação (não só educação-educação, mas também a educação alimentar).

Para finalizar, vou falar novamente sobre a famosa cozinha vegetariana. Não é difícil fazer comida sem carne, mas a imaginação não nos permite ir muito longe, simplesmente porque para o cérebro da maioria das pessoas, se não tiver carne no cardápio, não tem refeição. As pessoas dizem "É, se não tiver carne na mesa parece que eu não comi" ou então "Se não tiver carne no meu prato eu não como/ não consigo comer". Sem contar os exageros, como havia dito na outra publicação: não basta fazer só macarrão com molho bolonhesa, tem que fazer também fricassê de frango e carne de sol frita. Ou então arroz com linguiça de frango, carne seca, calabresa e pedaços de carne de porco. E eu me pergunto para quê tudo isso. A digestão fica muito mais fácil se ajudamos nosso organismo com a alimentação mais leve. É um transtorno para alguém largar a picanha e trocar, um  dia que seja, por arroz, feijão e salada (quisá um ovo cozido). Mas é simples assim. A comida continua gostosa, pode ser bem variada (várias possibilidades de receitas) e é fácil/prática de se fazer, basta que tenhamos disponibilidade para aprender e vontade para fazer. Não precisa desesperar e ficar inventando moda; as pessoas ficam alarmadas. Conhecemos tantas receitas com palmito, tomate, milho, cenoura, queijo, grãos no geral (soja, grão-de-bico, tremoço, aveia etc) e outros vegetais e ficamos tão afixionados com a falta da carne que não conseguimos pensar em mais nada (é como se a criatividade e as receitas que conhecemos durante a vida fugisse, sumisse da nossa mente). Agimos como se o prato principal ou a mesa inteira como um todo girasse em torno da carne. Observem: tudo o que fazemos leva presunto, bacon, linguiça, peito de peru ou frango, entre outros. Assim realmente, se tirarmos pratos com carne parece que não temos mais nada o que comer e a mesa fica vazia e sem-graça. É tão mais simples tirarmos o presunto de algumas receitas ou coisas do tipo, e no caso de algumas receitas podemos também trocar de ingrediente. Mas as pessoas não param pra perceber isso (ou seja, não são conscientes disto), muito menos refletir.

Vou ilustrar com um fato ocorrido comigo esta semana. Fui ao aniversário do meu tio e minha tia disse que tinha feito caldo de ervilha, mas... Tinha bacon e calabresa no caldo (não era de ervilha?). No restaurante tinha bolinho de legumes, mas... tinha presunto no meio (não era pra ser somente de legumes?). Ou no caso  da beringela com pimentões, mas... tinha salsicha no meio (não era pra ser beringela e pimentões?). Acho isso muito irônico e controverso, chegando a ser engradaçado. Não era pra ser só ervilha e só legumes, no caso acima? Depois, fazer comida "vegetariana" é que é difícil... (né Tati? ;] ) As pessoas colocam carne em tudo e depois não sabem como podem fazer uma comida que não tenha carne... Com isso, estou apenas dando exemplos. Isto não é, portanto, criticar ou julgar, falar o que é ou não para ser feito. Só acho que isso seja uma coisa controversa. Qual é a necessidade de se colocar qualquer tipo de carne numa receita que era pra ser sem carne? Aí alguém pode falar: "Mas essa comida orgânica e cheia de frescura é cara demais". Tudo bem, mas lembre-se que tudo na vida é investimento. Quando se é jovem tem-se dificuldade em pensar no futuro e quando ele chega e o resultado não nos agrada ficamos chateados por não termos feito esta ou aquela coisa. Comer carne, no caso, se equivale a passar o protetor solar: pode ser caro e trabalhoso agora, mas os resultados chegarão a longo prazo e serão espetaculares.

Bem, tenho a sensação que falta dizer mais alguma coisa (ou mais algumas coisas), mas não me lembro no momento. Além do que o tempo é curto e o texto ficaria longo demais novamente (e as pessoas com preguiça de ler). Era isso: trago elementos a favor e contra, para que possamos refletir sobre a forma de melhorar nossa vida. Ninguém é obrigado a nada, mas as opções estão aí para serem escolhidas. E bem escolhidas. As consequências só virão depois. Este é um trabalho árduo, difícil e individual, pois é preciso que a consciência dos homens estejam expandidas (isto é, conscientes de seus atos e que estes estejam de acordo com seus pensamentos e com o que falam). Por ser individual é complicado que ocorra com todos "ao mesmo tempo", pois cada um anda de acordo com sua vontade, com seu ritmo, ao seu tempo e passo-a-passo, sem pular etapas (como se isso fosse possível). Além disso, temos que seguir os ciclos da vida e nosso próprio ciclo. É necessário dançar com a vida: deixar que ela te leve, mas manter a base sólida e raízes profundas para não se perder (perder o foco, a coragem, a vontade, a força e a meta a ser alcançada). Caminhemos com a vida, mas ela sempre corre para frente, sem nunca retroceder. E cada um ao seu tempo. Como dito em  uma frase de autor desconhecido que gosto: "Escolher é sacrificar. Que importa sacrificar algo grande em troca de algo ainda maior?"

Namastê. Au revoir.

domingo, 22 de abril de 2012

Vegetarianismo - 1

Aproveitei a deixa para escrever sobre o assunto depois que saiu uma reportagem essa semana que acabou sobre um grupo de 3 pessoas que assassinavam mulheres e utilizavam a carne das vítimas para fazer salgados para vender. Isto é, "obrigavam" as pessoas a fazer uma espécie de canibalismo. Nem estava sabendo do assunto até um de meus pacientes de informar sobre o que ocorria na mídia. E, pelo menos para mim, isso serviu para reflexão mais uma vez. E porque não trazer isso para as outras pessoas também?

Vamos começar pelo motivo pelo qual me tornei vegetariano. Nunca fui muito chegado em carne, mas menino não tem muito querer (não é mesmo?). Além do que, não é apenas tirar a carne do cardápio, é necessário substituí-la, cooisa que não podia financeiramente antes. Então para começar, me sentia mal comendo carne e também não gostava. Há uns anos tive oportunidade e condições financeiras para manter minha condição de não comedor de carne, coisa que já tinha planejado há uns 10 anos atrás mas só agora pude concretizar. Também tem aquela questão, que muitos criticam, de ter dó dos bichinhos. Mas na hora de explicar fico só com a primeira parte que dá menos trabalho (fazer o que se as pessoas não entendem e tentam de toda forma te dissuadir do que vc escolheu?). Verdade seja dita (completamente): ainda como peixes e frutos do mar com uma média de 1 vez por semana, mas há os vegans que comem exclusivamente vegetais, não ingerindo nenhum derivado de animal (como leite, ovos, manteiga, iogurte, queijo, mel etc).


Bem, a carne, ao contrário do que muito imaginam, não é um alimento necessário nem importante para nós seres humanos. Para os aminais (como o leão, por exemplo) é necessário pois ele só tem instinto, ao contrário de nós que herdamos uma pequena parcela desta e temos a inteligência (com raciocínio, pensamento etc) ao nosso favor. Não precisamos mais caçar para sobrevivermos: aprendemos a cultivar os mais diversos tipos de plantas ao redor do mundo. Então para que continuar com essa matança em nome de uma coisa que não representa muita coisa? Devemos lembrar que os animais também são nossos irmãos (digamos que mais novos). Nesse ponto me lembro, mais uma vez, de meu desenho preferido (Avatar) que num episódio, em que dialoga consigo mesmo, diz, sorrindo: Toda vida é sagrada. Sou até vegetariano. E está certo! O que é que nos faz pensar que somos melhores que outros animais? Só porque falamos, pensamos racionalmente e andamos sobre 2 patas? Toda vida é mesmo sagrada!

Daí partimos para outro ponto: o de agir em defesa da vida! Digo isso porque não paramos para pensar 1 segundo sequer sobre nossas atitudes e suas consequências. Preferimos agir no nosso comodismo e deixar as coisas estagnadas para manutensão dos nossos vícios. Porque matamos para comer bois, vacas, porcos, galinhas, antas, jacarés, tatus, ovelhas/cordeiros e peixes (e em outros países ainda cachorros, tartarugas, macacos, insetos, cobras, entre outros) e não matamos pelo mesmo motivo papagaios, gatos, cachorros e peixes (considerados de estimação), sapos, camundongos, aves diversas, coelhos, lagartos etc? Para ilustrar tem um vídeo interessantíssimo chamado Pig Me que conheci outro dia, juntamente com uma reflexão deveras interessante também em um blog de notícias de quadrinhos e cinema, chamado Melhores do Mundo, que acompanho de vez em quando. Nele, o próprio autor da publicação diz que "come carne para cacete" e que não vê graça em curtir com a cara ou chamar vegetarianos de malucos, declarando serem "pessoas mais fortes e mais sensatas que eu", que a escolha dos vegetarianos "traz mais benefícios pra mim do que a minha opção faz bem a eles" e que não se orgulha de não ter tentado ser vegetariano. Mas dá a dica para quem quer ser vegetariano de meio período (quem come carne dia sim, dia não), incluindo um vídeo da esposa do Paul McCartney apoiando a causa do Peta. Outros famosos que são vegetarianos são Madonna e Richard Gere.

Com tudo o que foi dito, ainda pode ser discudito a questão do direito dos animais e do impacto no meio ambiente. O consumo de carne é uma indústria e indústria querem lucro, sem se importarem muito com qualidade. Fazem o possível para seduzir as pessoas a comerem mais carne, mas vamos pensar um pouquinho no que isso resulta. O aumento da quantidade de animais tem conexão direta com fazendas de criação e abate, que por sua vez necessita de grandes áreas de pasto, lagos para os peixes ou baias para os porcos ou galinhas. Faz-se o desmatamento para a criação desses pastos, repercurtindo diretamente na questão ambiental com enfraquecimento do solo, diminuição de áreas verdes, contribuição para o aquecimento global, desvio de recursos hídricos para irragação e assim por diante. Sem contar com os gastos de alimentação e hidratação dos animais para abate: Enquanto são necessários menos de 500 litros de água para se obter 1 kg de soja, gastam-se até 15 mil litros de água para produzir 1 kg de carne bovina. Agora vamos ver o lado dos animais: como vc se sentiria, sabendo que está sendo criado (e, algumas vezes maltratado) para morrer? Com os animais não é diferente, demonstrado pela ilustração de Pig Me. Eles sabem que vão morrer, que socam comida goela abaixo para engordarem, são obrigados a ficarem presos, remédios que são aplicados "sem necessidade" etc. Eles sofrem com isso! E a carga energética que trazem consigo, principalmente na hora do abate, é muito forte e prejudicial. E a carne demora 3 dias no nosso organismo para ser digerido. Além do que algumas pessoas (pelo menos a maioria que conheço) são tão exageradas que, não bastando fazer bife e galinhada, ainda faz carne de panela ou carne moída. Precisa realmente disso tudo pra uma refeição só?

Para finalizar, gostaria de falar sobre as discussões dos que são a favor e contra o vegetarianismo quanto á questão da saúde propriamente dita. Não há consenso, nem entre médicos, nutricionistas, profissionais de educação física etc. Então vai da consciência e do coração de cada um. Os que são contra defendem que necessitamos da proteína da carne e que mesmo com toda a reposição que se faça com grãos, verduras e legumes existe uma tal de vitamina B12 que está presente exclusivamente na carne e que nós necessitamos. Já me disseram que todas as vitaminas e proteínas podem ser substituídos por soja, grão-de-bico, ervilha, vegetais de folhas verde escuro, ovos etc e que essa tal vitamina B12 estaria presente no ovo e nas folhas verde escuro. E que é o que eu acredito. Ora, se realmente fosse necessária a carne para nossa sobrevivência os indianos já não existiriam mais há séculos. Alguns outros, tentando "atacar" ainda apontam para mim: "Ah, então vc deveria viver de luz como as plantas. Já que não come carne porque vem de seres vivos, as plantas (verduras e legumes) também são seres vivos". A resposta é simples: bem que eu tento e gostaria, mas não possuímos clorofila para transformar a luz em energia. Óbvio que sei que as plantas também são vivos, porém os animais estão mais próximos de nós. O que está em jogo aqui, porém, é que querem estar todos certos, tanto de um lado quanto de outro e cada um defendendo seus interesses com unhas e dentes. Enquanto isso, pelo menos a grande maioria das pesquisas são tendenciosas para o não-vegetarianismo, já que os carnívoros (imagem que ilustra o ataque dos carnívoros meio, digamos, fanáticos, que se sentem ameaçados) querem sustentar seu vício frente a esta "ameaça". É mais fácil e cômodo comer sem pensar nas consequências do que parar para pensar nos benefícios e ter força de vontade para ficar 1 dia sem carne. Inclusive, se formos parar mesmo para pensar somos como os urubus: comemos carne podre e seres em decomposição, a diferença é que as congelamos e colocamos temperos.

Acho que já falei demais. Não estou aqui para levantar bandeiras, dizer o que tem que ser feito ou o que não tem, muito menos querer obrigar as pessoas a seguirem isto ou aquilo, serem vegetarianas com todos esses argumentos que trouxe. Apenas quero mostrar o que existe de fato e, quem sabe, fazer as pessoas parar ao menos para pensar. Porque agir já é outra história... Acho os vegans (quem só come vegetais e não comem nem derivados de animais como ovos, queijo e mel) um tanto radicais, mas tenho consciência que chegarei lá. Não sei quando nem como nem onde, mas estarei lá algum dia. E não tenho pressa: cada coisa ao seu tempo. É óbvio que sei que o mundo não pode ser completamente vegetariano agora, por divesos motivos: a quantidade de pessoas no mundo que sequer têm o que comer (quanto mais poder escolher o que comer), a dificuldade em aceitar alguma coisa que não vá de encontro ao que queremos e as mudanças físicas, propriamente ditas, que isto acarretará. Por isso digo que podemos começar com 1 passo por vez, devagar. E este primeiro passo é pensar. Qualquer transformação ocorre aos poucos.

O fato é: além do maltrato aos animais, tornamos o mundo pior para nossos filhos e netos com tantos impactos ao ambiente para a criação dos bichos para consumo. Se fizermos algo para aumentar os dias e a qualidade do planeta onde vivemos, por menor que seja, já está valendo. Mas isso demanda tempo e, principalmente, força de vontade (o que falarei em outra oportunidade)! Podemos começar com as pequenas coisas. A comida vegetariana é fácil de fazer e muito gostosa, apesar de muitos imaginarem o contrário, basta que se tenha vontade de experimentar e fazer. São esteriótipos e preconceitos como estes que oportunidades são perdidas. Ressalto novamente a questão da comodidade e da força de vontade. E onde é que entra a questão do canibalismo nisso tudo citado no início do texto? Além do que matar é crime, consumir carne humana ou de qualquer outro animal também poderia ser crime, já que não somos melhores ou piores que qualquer outro animal. Se pensar em abatedouros humanos é horripilante, abatedouros de animais também deveria ser (ilustrada pela imagem bem a cima referente ao nazismo). Para os interessados, podem conhecer aqui uma revista para vegetarianos e aqui também podem conhecer como ser vegetariano por 1 dia.


Não sou o tipo de vegetariano chato, tanto para comer quanto para tentar fazer alguém mudar de ideia sobre qualquer coisa que seja. Acredito que atitudes e exemplos falam mais que palavras. Muita gente fica preocupada quando vou comer na casa delas "sem saber o que fazer pra me agradar". Eu como de tudo, exceto carne. Simples. As pessoas é que imaginam que só existe refeição se tiver carne no meio, sem contar que parece que só existe carne para comer em qualquer refeição que se faça. Acho engraçado.

Fica a dica: pare e pense. Não custa nada.
Aproveito ainda para falar que hoje é o Dia da Terra! \o/
Namastê. Au revoir.

sábado, 9 de julho de 2011

Vídeos

Trago aqui alguns dos vídeos que encontro por aí. Cada um com sua particularidade, beleza e ensinamento. Seguem abaixo, separados pelas classificações que julgo necessária.

Infantis:
http://www.youtube.com/watch?v=tniSz2FB-Kc
http://www.youtube.com/watch?v=VYDM3MIzEHo
http://www.youtube.com/watch?v=hPYf951wQ1M
http://www.youtube.com/watch?v=3FRiwnhGqUs
http://www.youtube.com/watch?v=wiMn2x8Q5UM
http://www.youtube.com/watch?v=bvHb0tiEz68
http://www.youtube.com/watch?v=b4wveY2-lCo
http://www.youtube.com/watch?v=X7WuBdYJGyo
http://www.youtube.com/watch?v=5gKpIre9WnM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=5BGu_24WR8I

Inteligentes:
http://www.youtube.com/watch?v=3VME8cVSmoA
http://www.youtube.com/watch?v=Rjv0TsiV3ek&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=ozYUT-Sd6Tk
http://www.youtube.com/watch?v=lvP7wKT3Ckg

Reflexivos:
http://www.youtube.com/watch?v=IKqrM-d0UCU
http://www.youtube.com/watch?v=Vf94Jz5wm3k
http://www.youtube.com/watch?v=BIr0vRbxsv8
http://www.youtube.com/watch?v=LQFED1tH0do
http://www.youtube.com/watch?v=C3b5k6uu-vE
http://www.youtube.com/watch?v=vnFO4JHZF-Q

Exemplares:

http://www.youtube.com/watch?v=OPTbBX0VfsQ&feature=fvsr
http://www.youtube.com/watch?v=5ZP_w27k8tY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=gZdJqhYVEHc
http://www.youtube.com/watch?v=Gecc5w1bCnY
http://www.youtube.com/watch?v=pfs2d1Nh4bM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=1l6dow96AU4&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=YeQ3GBsMcBM
http://www.youtube.com/watch?v=dvBD_Ejd9QA
http://www.youtube.com/watch?v=BCPrNg1SO_g


Espero que gostem.
Au revoir

terça-feira, 28 de junho de 2011

O Mito da Caverna e a condição humana


“Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser deles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.
Voltando à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá sérios riscos - desde o simplesmente ser ignorado até ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.”

Pode-se ver nesta alegoria a perfeita relação do homem com o mundo em sua condição de criatura de Deus. Esta é a representação fiel do caminho que todos nós percorremos, sem exceção, da ignorância à divindade. Ignorância no sentido de falta de conhecimento e divindade porque é o nosso objetivo final (independente do que é pregado por outras religiões). Sei que já estive preso na caverna, já me libertei das correntes, subi no muro e estou em contato com a saída da caverna, as primeiras pessoas, os primeiros raios de sol e a verdadeira Vida. E é por já ter “olhos para ver e ouvidos para ouvir” que posso vislumbrar a grande estrada que ainda tenho a percorrer e as pessoas que também se encontram neste caminho, cada qual ao seu ritmo, ao seu passo, seja em que estágio estiver. Eis o caminho que todos nós passamos (ou ainda vamos passar), pois no caminho pela ascenção não há volta. Disso a maioria de nós sabe, mas falar assim é ser simplista e tenho como esmiuçar mais o assunto.
Muito se fala sobre o caminho da auto-iluminação, mas pouco se faz por ela e porque? Porque é difícil admitirmos que somos imperfeitos e que temos nossas dificuldades e também porque, depois de passarmos pela fase mais difícil (a da aceitação de nossos vícios), vem a fase de trabalhar duramente para eliminá-las e exercitar as virtudes. Precisamos, ainda, que avatares ou santos venham nos mostrar o caminho, achando que podem fazer isso por nós. Mas não podem. Ninguém pode. Se tivermos que passar por alguma coisa para aprender, somos nós mesmo que temos que percorrer este caminho, não outro. Ninguém pode passar pela dificuldade que é nossa. As tarefas são intransferíveis. Isso vale para as mães e pais, por exemplo, que, se pudessem, ficariam doentes ou passariam pelas dores do filho (a) para que não precisassem passar por isso.

A versão brazuca por Maurício de Sousa



Também em sua versão moderna...




E o que o desenho Avatar - publicado por mim anteriormente - tem a ver com isso? A palavra vem do sânscrito (avatara), que significa descido (do Céu à Terra). Portanto, os avatares são as pontes (materiais) mais próximas que nós temos entre o mundo material e o “mundo espiritual”. São pessoas que acumularam muita sabedoria e sabem utilizar isso em favor do próximo (no caso, dos próximos, sempre). Conseguem aliar o conhecimento adquirido com a maior lei existente: a Lei de Amor. E o Avatar do desenho é justamente assim. Ele é o encarregado de manter o equilíbrio e a paz no mundo e, justamente por ter maior conhecimento e amor dentro de si, é que tem esse papel (o que parece ser mais difícil). E quais são os avatares que conhecemos? Podemos citar Mahatma Gandhi, Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá, Jesus (o maior que conhecemos), Sidarta Gautama Buddha (o Buda), Francisco de Assis (o santo), Sócrates (e até o próprio Platão), dentre tantos outros. É isso o que se pode entender com "um grande poder traz grande responsabilidade". Quanto maior o conhecimento que tivermos, maior é nossa responsabilidade e capacidade para nos ajudar a crescer através da ajuda ao próximo, direcionando-os e direcionando-nos pelos bons caminhos.
Pra finalizar, gostaria que soubessem que, na parábola de Platão, o homem que se solta das correntes e escala o muro é a representação do filósofo (que se liberta por meio da filosofia) e o homem que retorna para avisar aos companheiros é a representação do político. Uai, peraí, político? Sim, político. Segundo Platão, o político (também filósofo) é o único que teria conhecimento o bastante para guiar as pessoas pelo caminho correto e fazer o que, individualmente, não se teria condições (e não seria esse, essencialmente, o papel dos políticos?). Isso chegou hoje ao meu conhecimento através de um ex-paciente, amigo e xará muito estudioso da filosofia. Agradeço por isto.


Portanto, o caminho da auto-iluminação é nosso destino, não importa a estrada que tomamos. A tarefa é difícil, mas teremos a bagagem necessária para tal e, claro, teremos o amparo irrefutável do Pai, seja como e no momento que for. Preparem-se, pois seremos os próximos avatares! E repito o que eu disse no início: Sei que já estive preso na caverna, já me libertei das correntes, subi no muro e estou em contato com a saída da caverna, as primeiras pessoas, os primeiros raios de sol e a verdadeira Vida. E é por já ter “olhos para ver e ouvidos para ouvir” que posso vislumbrar a grande estrada que ainda tenho a percorrer e as pessoas que também se encontram neste caminho, cada qual ao seu ritmo, ao seu passo, seja em que estágio estiver. Eis o caminho que todos nós passamos (ou ainda vamos passar), pois no caminho pela ascenção não há volta.

Au revoir.

sábado, 18 de junho de 2011

Exemplos

Vou falar um pouco sobre o exemplo, para que serve e o que ele pode acarretar.
Porque escolhi esse tema desta vez? Não sei ao certo, sei que há dias sinto necessidade de escrever sobre ele (o que já queria ter feito). Este é um assunto que merece muita atenção, haja visto o grande poder que carrega com ele. Obviamente que ele se correlaciona com outras coisas já discutidas aqui anteriormente que serão citadas no decorrer deste texto.
Porque o exemplo exerce tanto poder é pode ser tão perigoso? Porque é através dele que fazemos uma das coisas mais bonitas que existem: ensinar. Claro que podemos aprender de muitas formas: podemos aprender observando/vendo/ouvindo, podemos aprender através da ação de outras pessoas (o tal do exemplo que estamos discutindo) e podemos aprender passando por determinada situação. Cada uma delas requer uma certa quantidade de "conhecimento". A que requer mais sabedoria é a aprendizagem através da observação, pois a pessoa não precisa passar por tal cituação ou dificuldade para aprender; apenas observa o que acontece com as pessoas e como elas agem, aprendendo o que é melhor ou não fazer (por exemplo: vê que não é bom, então ela não bebe). Por isso se diz, especialmente no meio Espírita, que uns aprendem pelo amor e outros aprendem pela dor (infelizmente estes são a grande maioria e por isso a necessidade de passarmos por determinadas situações: para aprender e nos educarmos). Mas vamos focar no exemplo.
Quem exerce o poder do exemplo sobre nós? Bom, isso varia de pessoa pra pessoa. Geralmente nos espelhamos em pessoas próximas, pessoas famosas ou ídolos (pode ser famoso ou não). E porque pode ser tão "perigoso" assim? Pois nos tornamos responsáveis não apenas por nós através das escolhas que nós fazemos. Também nos tornamos responsáveis por 1 ou mais pessoas, podendo chegar a milhões. Já vimos isso anteriormente quando escrevi sobre Liberdade e Libertinagem, sobre Política (que está separada em 3 partes), sobre se o Fim Justificam os Meios e sobre o Trabalho.
Uai, trabalho? Sim, porque é através do trabalho que nos esforçamos para vencer nossas dificuldades. Conquistamos as coisas por esforço próprio, nada vem de graça e isso tem tudo a ver com liberdade. Porque? Porque Deus nos dotou do livre-arbítrio para que façamos nossas escolhas e sejamos responsáveis pelo que dela advir. Ou seja, se fizermos boas escolhas e trabalharmos para que elas aconteçam, significa que recebemos por mérito próprio a colheita que nos é merecida.
Ok, ok, mas porque mais devemos tormar cuidado? Porque somos irmãos ou primos mais velhos, sobrinhos ou afilhados, padrinho/madrinhas, porque poderemos nos destacar de alguma forma (seja na comunidade, no trabalho ou na mídia) e, principalmente, porque podemos ser pais (se já não o somos). Isto é, de todas as formas de ser exemplo, as que considero mais difíceis são a de mídia e a de paternidade/maternidade. E porque? Simples: porque ou arrastamos multidões para o bom ou mal caminho (como é o caso dos políticos com as escolhas que eles fazem por milhões de pessoas e o caso dos famosos) e porque a paternidade/maternidade é um dos bens mais preciosos e sagrados que existem. Claro que cada pessoa escolhe o que fazer da vida, mas os pais tem papel fundamental e crucial nessas escolhas, no caráter e na forma como a criança vê o mundo. Uma das funções primordiais da paternidade/maternidade é ensinar. Quantas não são as crianças que são "estragadas" por causa dos pais e dos exemplos que eles dão no que diz respeito, por exemplo, a mentira, generosidade, honestidade, humildade, rancor, ansiedade, desrespeito, entre muitas outras coisas.
Esse poder também capacita o ídolos e os famosos. Por ídolos podemos entender qualquer pessoa (mesmo famosa) que exerce um grande fascínio em nós e que, portanto, têm grande influência em nossas escolhas. Pode ser um professor, um primo, um vizinho, alguém do trabalho, alguém que não exista na vida real (um desenho, por exemplo) ou, claro, um famoso. Abaixo coloco apenas algumas fotos de famosos (sem jultamentos de minha parte, para mais ou para menos) para que pensem sobre qual o tipo de influência eles têm sobre nós e sobre as pessoas no geral (quero dizer na sociedade):


Amy Winehouse

Madonna e Lady Gaga

Madre Teresa de Calcutá



Gandhi e Jesus






Obviamente que existem milhares e milhares de pessoas que podemos pegar como exemplos, tais como Rihanna, Dalai Lama, Buddha, políticos no geral ou algum em específico, Francisco de Assis, Maria Madalena, Hitler, Che Quevara, Fidel Castro, Osama Bin Laden, jogadores de futebol, shakira, Barack Obama, Ricky Martin, Chico Xavier, o Papa, Carla Bruni, Silvester Stalone, participantes de realitys shows etc etc etc.
Além destes, temos outros inúmeros exemplos no anonimato: a garotinha de Brasília que colocou cartaz na cidade para devolver R$ 50 que encontrou na rua, crianças ou animais que nasceram com algum tipo de deficiência, trabalhadores dos bastidores da televisão, pessoas que se superam (os verdadeiros Super-Homens e Mulheres Maravilhas), aquela vizinha ou pessoa que ajuda na igreja e preferem não se exporem. Um dos grandes exemplo que vejo (e claro, emocionam as pessoas) são as pessoas que se superam e se reinventam todos os dias pelo mundo a fora, para que possam sobreviver em meio à miséria, à fome, à pobreza, ao desemprego etc. Para finalizar, ainda posso citar 2 ótimos filmes -como não poderia deixar de ser - (inclusive já falei sobre um deles na postagem sobre Diversidade de Assuntos): Flor do Deserto e Um Sonho Possível. Flor do Deserto mostra a história real de uma modelo somaliana que luta pela não mutilação das mulheres de seu país. Já Um Sonho Possível trata da história, também real, de uma senhora branca dos Estados Unidos que, inicialmente indiretamente, adota um rapaz negro e "burro" que ninguém acreditava nele.

Flor do Deserto





Um Sonho Possível








Enfim, esta postagem é apenas para pensarmos nas escolhas que fazemos quando, por exemplo, pedimos para alguém mentir que não estamos em casa para não atender o telefone ou que tipo de inspiração causamos em outras pessoas com nossas atitudes (das mais simples e cotidianas às mais significativas e "grandes"). Conclusão: não pode haver falso moralismo. "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço"? Acho que não é por aí. Nossas palavras e ações devem ser condizentes e coerentes com nossos pensamentos e a ideologia que pregamos. O que estamos tomando como exemplo e que tipo de exemplo passamos para as outras pessoas? Só podemos ensinar o que já tivermos aprendido!

Au revoir

terça-feira, 31 de maio de 2011

O fim justifica os meios?


Esta pergunta serve como continuação da discussão anterior. Porquê? Bem, acho que seria válido perguntar se, por exemplo, num caso de vingança, se o fim justifica os meios. Ou seja, se para "fazer justiça" [que é o fim] justifica alguém fazer qualquer coisa para que possa conseguir o que quer. Mesmo que não seja um caso de vingança, seria lícito, digno, benéfico, prudente ou justificável fazermos qualquer coisa pra atingir algum objetivo? Acho que essa é uma questão que temos que fazer intimamente à nossa consciência. Para alguns a resposta é sim, para outros, como eu, a resposta é não. E por quê? Vamos ao meu desenvolvimento sobre o tema. Como já disse, não estou aqui para julgar quem ou o que quer que seja, mas é sabido [e não é de hoje] que existem pessoas que fazem isso. Faço apenas questionamentos e reflexões sobre variados temas sobre o cunho filosófico, espiritualista, científico e moral e os trago para cá, para os que estão interessados em conhecer e compartilhar.

Uma coisa é lutarmos para conseguir o que queremos, outra coisa é usarmos de qualquer artifício para atingirmos o objetivo. Há pessoas que passariam por cima de outras, trapaceariam, puxariam o tapete ou usariam outra[s] pessoa[s] ou nomes ou situações para se favorecerem ou se autopromoverem. Mas a pergunta mais importante é: eu também faço isso? Deveríamos vaculhar, senão sempre ao menos de vez em quando, o porão da nossa consciência e verificarmos se nos pequenos atos do dia-a-dia fazemos isso de alguma forma. E porque nos pequenos atos? Porque se soubermos fazer no pouco, saberemos fazer no muito. Por exemplo: se soubermos administrar nossas finanças e economias bem, com o pouco que temos, saberemos como fazer se tivemos muito [no caso de se ganhar na loteria]. Isso claro se não deixarmos a ganância, a avareza, o poder, o egoísmo e a ilusão de que somos melhores porque temos dinheiro tomarem conta antes.

Vamos a um exemplo prático e mais palpável. Não sou de assistir novela [pelo fato de não ser algo que considere muito útil e por estar trabalhando nos horários], mas como estou de repouso após a cirurgia em casa tenho assistido quase todos os dias [embora seja apenas as partes que me chamem a atenção, no caso apenas a personagem Dulce, vivida por Cássia Kiss, na novela das 19h]. Uma personagem muito simples, humilde e sofrida. Não é ela o exemplo que procuramos, mas sim seu filho na tal novela: Guilherme. Ele se fingiu ter estudado medicina enquanto usava o dinheiro suadíssimo que sua mãe mandava e depois voltou para a cidadezinha de onde veio. Lá deu um jeito de ser diretor do posto médico e tentou casar com a filha do prefeito da cidade. Sua mãe fazia de tudo para ele, até passar fome, e mesmo assim ele a "tratava mal". Sempre afirmava que fazia o que fazia porque ia ganhar muito dinheiro e, assim, poderia dar mais conforto. Sempre que confrontado vinha com sua desculpa: "Mas eu vou ganhar mais dinheiro e tudo vai melhorar, tudo vai dar certo". Tudo o que idealiza só pode ser feito mediante o dinheiro que tiver. Será que realmente precisamos de dinheiro pra vivermos bem e tratar bem as pessoas [neste caso, principalmente a própria mãe]? Será que dinheiro é fonte de felicidade? Será que é justificável ele maltratar a mãe e enganar a todos fingindo se passar por médico e fingir ser rico para se casar com uma moça porque ela é rica?

Ok, este exemplo é atual, mas não é de hoje que essa discussão existe [ao menos para quem lê nas entrelinhas]. Vamos a um caso mais clássico: Robin Hood [ilustrado na figura acima e ao lado]. O famoso camponês que roubava do rei para dar aos pobres. É justificável tirar de quem tem mais para dar a quem tem menos ou não tem? Acho que um roubo não deixa de ser um roubo, mesmo que seja do mais para o menos, para equilíbrio sócio-econômico. Um ladrão não deixa de ser ladrão porque o destino do objeto roubado é alguém que é pobre e quem foi roubado é muito rico, mesmo que esse dinheiro do rei tenho sido obtido de maneira ilícita ou pouco aconselhável. Portanto, o ato não deixa de ser um roubo e o ladrão não deixa de ser ladrão por ter dado um destino benígno ao que foi tomado de outrem. Para mim, deve ser tratado da mesma maneira que alguém que rouba na rua, seja uma loja, seja uma pessoa menos favorecida ou seja um ricaço. Tanto faz ser pobre roubando rico ou rico roubando pobre. Os fatores não alteram o significado nem o objetivo.

Podemos ser mais extremistas: seria correto matar em legítima defesa? "Obvio que sim, claro!" respondem as pessoas sem pestanejar. Para mim, que já entendi e senti [motivo pelo qual entendi verdadeiramente], a resposta é não. Quem sou eu para achar que minha vida é mais valiosa que a do outro, mesmo que esse outro esteja fazendo algo pouco recomendável? Não, todas as formas de vida são valiosas e importantes [inclui-se aí os animais e um dos motivos do vegetarianismo. Mas isso é outro assunto...]. Prefiro ser eu a ficar sem vida do que ser eu o autor da retirada de vida de outro, seja quem quer que seja e porque motivo seja. Mais uma vez podemos passar de vítimas a agressores, e a grande maioria das pessoas nem se dá conta disso. Aliás, a grande maioria das pessoas nem percebem que estão vivas...

Por hora fiquem com essa pequena reflexão.
Au revoir.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Justiça ou vingança? - 1


Para começar, novamente vamos consultar o significado destas palavras no dicionário:
Justiça: Conformidade com o direito; a virtude de dar a cada um aquilo que é seu; A faculdade de julgar segundo o direito e melhor consciência; Prática e exercício do que é de direito; Retidão, uma das quatro virtudes cardeais.
Vingança: Ato ou efeito de vingar(-se); Punição, castigo; Atitude de quem se sente ofendido ou lesado por outrem e efetua contra ele uma ação mais ou menos equivalente.

Esses dois conceitos são muito conhecido por todos, mas ninguém costuma refletir sobre eles. Aliás, na grande maioria das vezes as pessoas conhecem muito mais a vingança do que a justiça. Independente do motivo que se tenha ou o tempo que se leve, costuma-se fazer justiça com as próprias mãos a esperar que a justiça seja feita por ela mesmo, seja judicialmente seja divinamente falando. E é importante que o conceito de justiça seja levado, aqui, a todas as interpretações possíveis.
Temos a justiça de Deus e a justiça dos homens. A justiça dos homens vale-se de parâmetros criados, estudados, discutidos, modificados e organizados em forma de leis e artigos ao longo da história. Isso tudo está destinado ao Direito, mas há pessoas que queiram fazer justiça fora desses parâmetros, mesmo quando contemplados com as prisões ou mortes daqueles que atentaram contra ele.
Para ilustrar contamos com vários e vários casos, mas vamos pegar 2 mais atuais: a morte de Osama Bin Laden e a vingança da personagem de Glória Pires. Após algum tempo na cadeia por um crime que não cometeu, ela resolve que o fulano lá deve "pagar pelo que fez a ela" e ao ser liberta sua vida passa a girar em torno de fazer justiça. Perde-se toda uma perspectiva de futuro, profissional e pessoal, para que viva única e exclusivamente para vingar-se. É triste ver uma pessoa passando por uma transformação tão radical quanto esta, e transformação no sentido negativo, cristalizando-se na mágoa, ódio e rancor. Isso porque é novela, daí ela também não precisa se preocupar com dinheiro, moradia etc, vivendo apenas em função de destruir a vida do outro que a fez mal. E são infinitos os filmes e personagens de novelas e peças teatrais que têm como tema a vingança. Tudo bem que vez ou outra isso consiga se concretizar, mas o acontece depois? O que se ganha em troca e o que vai se fazer da vida depois que conseguir sua vingança? Como é que vai ser tocada a vida?


Já o outro exemplo todos conhecem e a maioria compactua do resultado. Ao ouvir que Bin Laden estava morto quantos não foram os que exclaram "graças a Deus! Até que enfim."? Como se a paz mundial dependesse apenas de nos livrarmos da presença de um indivíduo. Podemos citar nesse mesmo exemplo o caso Nardoni, o massacre de Realengo e tantos outros. Em casos como esses, com tamanha crueldade, clamamos justiça esperando por vingança. Fosse apenas a justiça por ela mesma, deixaríamos as coisas nas mãos de advogados, juízes, delegados e promotores e "esqueceríamos" o que tinha acontecido. Mas, nessas circunstâncias, ao vermos os algozes a massa parte pra cima no "momento do linchamento", tomando um partido pessoal, justificando suas ações como merecidas pelo mal cometido por outro.
Conta-se nos dedos (talvez de uma das mãos) os que levaram uma prece singela em homenagem às essas pobres criaturas sem amor-próprio, que deixaram levar-se por ignorância e egoísmo. Lembram que eles têm que pagar pelo crime que cometeram, mas esquecem-se que também nós poderíamos estar no lugar deles. Aliás, nós estamos no lugar deles, mas a diferença consiste que um matou muitas pessoas e nós apenas mentimos, omitimos, seduzimos, chantageamos, mascaramos etc. Os fins e os meios mudam, mas não a intensão. São eles no lugar do nós, mas que mesmo assim não deixa de nos atingir. Alguns com ideais utópicos torpes chegam ao fanatismo de querer exterminar o mal do mundo, matando todos os que o fizerem, mas esquecem-se que, em maior ou menor grau, nós participamos disso. Isso é mostrado no desenho animado Death Note, onde um garoto quer tornar o mundo puro e justo matando todos os bandidos, esquecendo-se que quando faz isso, ele mesmo se torna o algoz. Não temos o direito nem o dever de julgar quem quer que seja, a não ser a nós mesmos e nossas atitudes. Passamos de vítimas para efetuadores do crime. E achamos que estamos certos, em nome da justiça...
A linha entre justiça e vingança é muito tênue. Temos que prestar atenção para percebermos que lado da linha estamos cruzando. Até porque, mais cedo ou mais tarde, somos sempre nós que a estaremos enfrentando de acordo com as várias outras leis que temos: compensação, retorno, causa/efeito etc.
Para fechar, podemos citar vários ditos populares sobre isso: aqui se faz aqui se paga, antes tarde do que nunca, quem com ferro fere com ferro será ferido e o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.
Então, prefiro ficar com a justiça dos homens até onde ela pode ser levada e aguardar a justiça divida.
Vamos pensar.
Au revoir.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sobre a Morte e o Morrer - 1


Transcrevo abaixo trechos de uma das ilustrações mais bonitas sobre a morte que já vi. Recebi por e-mail um dia desses. Não vou acrescentar qualquer opinião que tenha a respeito, ficando esta para uma outra oportunidade.

"Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

Mas ele continua o mesmo. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:  "já se foi", no além, outro alguém dirá : "já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida. Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

Assim, um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos todos nós ao encontro daquele que nos criou."

Au revoir.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os dois lobos


"Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre uma batalha que acontece dentro das pessoas. Ele disse:
- Meu filho, há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.
Um é Mau: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho, falsidade, superioridade e ego.
O outro é Bom: é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu avô:
- E qual o lobo que vence?
O velho índio simplesmente respondeu:
- Aquele que você alimentar."


Au revoir.