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sexta-feira, 15 de março de 2013

Pausa: A carta de Wagner...

Ainda em pausa sobre o assunto sexo, venho trazer a carta aberta, divulgada no globo.com, que o ator Wagner Moura escreveu em resposta a um episódio não tão feliz protagonizado pelo programa Pânico na TV, ocorrido em 2008. Tirem suas próprias conclusões, mas eu estou de acordo. Seguem abaixo o vídeo exibido no programa e, em seguida, a carta publicada pelo ator e "relançada" agora.




“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.
No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?”


Namastê. Au revoir.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Justiça ou vingança? - 2

Já fiz uma publicação sobre o tema aqui e fiz uma pequena abordagem aqui. Como é um assunto que está na boca do povo, vou aproveitar pra falar novamente sobre o assunto.

O tema tem se tornado popular graças à novela Avenida Brasil, onde mostra a personagem Nina/Rita em busca de justiça contra o mal sofrido na infância pela madrasta Carminha. Na revista Veja também foi abordado o tema há 2 ou 3 semanas atrás justamente pelo mesmo motivo (ilustrado na foto ao lado). Uma das frases mais conhecidas para fazer a propaganda da novela é "Até onde você iria por justiça?". E é uma boa frase para se pensar. Da primeira vez que abordei o tema, falei sobre a personagem vivida por Glória Pires que foi presa injustamente graças a um homem que a usou se fazendo passar por namorado. Após sair da cadeia ela volta para se vingar. Não é muito diferente do que passa na novela agora. A menina Rita cresce como Nina, mas não consegue se livrar da sede de vingança. Mesmo tendo sido adotada por uma família argentina, depois de anos ela volta para fazer "justiça". Isso mostra como o ódio corroe por dentro. Tanto tempo se passou e ela não conseguiu esquecer, perdoar e seguir em frente. Pior: passou por cima de seu amor, do seu futuro e dos seus princípios e valores, tudo em nome da vingança. Ver a "mocinha" reunida com a vilania, discutindo coisas de origem dividosa ou sendo dissimulada com todos não é das sensações mais agradáveis. Tanto que esta mocinha não tem tido tanta audiência na rua ou na mídia (visto que a atriz não tem sido chamada para fazer comerciais e afins, coisa que normalmente os mocinhos fazem). Aliás, a personagem Nina foi inspirada, mesmo que indiretamente, no pernsonagem principal do filme O Conde de Monte Cristo. Ao longo da novela foram levantados diversos "debates" e diálogos entre os personagens sobre o que é justiça e o que é vingança. Vários personagens tentaram convencer a personagem principal de dar a volta por cima e seguir a vida, mas foi em vão. Isto claramente mostra que quem manda é nossa força de vontade, quem pode decidir é apenas nós mesmos.

 A vingança pode ser disfarçada de várias formas, mas não deixa de ser vingança. Como na ilustração que coloquei no topo, pode ser vista como uma brincadeira, mas não deixa de ser vingança. Se fazem alguma coisa prar nós, porque devemos responder à altura e da mesma forma? Porque foram violentos, sem-educação, egoístas, indiferentes etc, temos que ser também? Não vivemos mais sob a Lei de Talião e seu famoso "olho por olho, dente por dente", mas muitas pessoas pensam que sim. Como foi dito de forma magnífica por Mahatma Gandhi no filme (de mesmo nome) sobre ele mesmo: olho por olho e o mundo acabará cego. Outro ponto conhecido é o "herói" dos quadrinhos chamado O Justiceiro - ilustrado na foto ao lado - (e que poucos sabem que seu nome original em inglês é The Punisher, que significa em tradução livre O Punidor/O Castigador). Já saiu um filme dele em live action e estava para sair o segundo (do qual não sei em que andamento está), tendo feito o maior sucesso. E muitas pessoas estão, pelo menos de certa forma, de acordo com o roteiro e princípios do personagem. Da mesma forma que se regozijam com as pequenas vinganças do dia-a-dia, seja por que motivo for. O motivo pode estar certo, bem como a sede de justiça, mas como é que predendemos fazer isso: de maneira legal ou não legal? Me refiro ao certo e errado da personagem Nina, do Conde de Monte Cristo e do Justiceiro e também quando falamos "eu perdoo/perdoei", mas sente uma fagulha de alegria se qualquer coisa de errado/ruim acontece com a pessoa que nos machucou, mesmo que nós não tenhamos nada a ver com o que aconteceu a ela. Então também faço a mesma pergunta para que vcs possam responder a vcs mesmos: Até onde vc iria por justiça?

Algumas pessoas são como a Nina: querem justiça, mas acabam fazendo vingança. Isso remete ao que já falei aqui antes sobre o caso Nardoni, o caso do goleiro Bruno, o caso Cachoeira, o Mensalão ou qualquer outro assunto do tipo. Há pessoas que perdem a vida (ou parte dela) fazendo isso, querendo ou não. Assim foi com a personagem da Glória Pires e assim é com Nina, com o Justiceiro e o Conde de Monte Cristo. Há pessoas que guardam o que aconteceu e ficam remoendo, mesmo que inconscientemente. E há pessoas que sacodem a poeira e levam a vida à diante. A Nina não está sendo tão popular justamente por estar passando por cima de seus próprios valores para conseguir o que quer, inclusive atropelando as pessoas. Até um certo momento a população apoiou o que ela estava fazendo e até ficaram feliz, mas até certo ponto: tanto que não estão mais gostando tanto assim da personagem. Isso mostra claramente que, por mais feliz que fiquemos, uma hora tem que parar e ir em frente, seguir com a vida. Há pessoas que não conseguem e passam a vida amarguradas. conseguindo ou não, a questão é: o que vem depois? E o tempo que se "perdeu"? Qual seus objetivos na vida fora isso? Como seguir em frente?

Acho que o que fala mais alto quanto a este assunto é o caráter, os princípios e os valores. Pelo menos para mim. Deixo agora este trecho picado do filme V de Vingança (que, ao contrário do que parece, não se trata de vingança exatamente, mas sim de ideologias), onde se fala através de uma carta (e em cenas maravilhosas) espetacularmente sobre o tema integridade: "Nossa integridade é tudo o que temos. É o mais importante em nós. Mantendo nossa integridade, somos livres. Cada pedacinho do meu ser perecerá. Cada pedacinho... Menos um. O da integridade. É pequeno e frágil... É a única coisa que vale a pena ter: jamais devemos perdê-la, nem deixar que o tomem de nós. O que mais quero é que entenda a minha mensagem... Quando falo que mesmo sem conhecer você... E mesmo que talvez jamais conheça você... Ria com você, chore com você... Ou beije você... Eu amo você. De todo o coração... Eu amo você. Valerie".

Namastê. Au revoir.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 2

Escrevendo diretamente de Guaíba (vizinha a Porto Alegre). Darei continuidade ao que estava escrevendo sobre o corpo e nossa relecao com ele. Um fato ocorrido no sabado retrasado foi o mais perto que ocorreucom relacao ao suicidio. Um primo primeiro tomou soda caustica e fiquei 3 dias correndo em hospitais, com remédios e afins. O que quero dizer com isso é que o corpo não nos pertence (portanto não podemos fazer o que quisermos sem nos responsabilizarmos com as consequências). E este não é o tipo de coisa que simplesmente se faz e esquece, passa por cima como se nada tivesse acontecido. Que tipo de relação é esta que temos conosco? Não estar de acordo com algo é normal, mas , pelo menos para mim, não há nada tão ruim que possa fazer com que eu tire minha própria vida (ou mutile um corpo que me está emprestado). E não podemos julgar ninguém que o faz, sabem porque? Pelo mesmo fato de que fazemos o mesmo em graus variados e de formas diferentes. Como assim? Pessoas se matam todos os dias excedendo a quantidade de comida, transando demais, bebendo demais, fumando ou usando outros entorpecentes e assim por diante. E isso não nos parece assustador, a menos que pensemos desta maneira, pois tudo o que nos parece bom queremos aproveitar ao máximo. Aliás, são exatamente os extremos que são prejudiciais. Uns comem demais enquanto outros passam fome para manter a forma (por um distúrbio psiquiátrico ou qualquer outro motivo). A riqueza ou a pobreza também interferem de uma forma ou de outra. Exageros com adereços e roupas, o que inclui por exemplo piercings e tatuagens. A pergunta é: o que nos faz pensar que podemos fazer qualquer coisa com nosso corpo? Nisto se incluem os profissionais do sexo, pessoas que fazem mudanças no corpo (incluindo plásticas, modificações corporais, lipoaspirações, implantes etc), fisiculturistas e halterofilistas, auto-agressões... Acho que tinha mais, mas vai ficar sendo isso. Namastê. Au revoir.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Corpo: o vaso e a casa - 1


          Há pouco tempo falei aqui sobre a linguagem corporal e, há um pouco mais de tempo, falei sobre o toque. Agora venho falar sobre o veículo responsável por tudo isso: o corpo. Venho falar do que ele representa para nós e o que nós fazemos com ele. Para muitos o corpo é apenas um veículo de prazer e que é utilizado para vivermos, sendo confundido com a própria pessoa. Para outros muitos, incluindo eu, somos espíritos (ou almas) e temos um corpo, do qual fazemos uso para vivermos, sendo duas coisas separadas. Acredito que esses primeiros vivem meio perdidos, confundidos pelo torpor dos sentidos, esquecendo-se do que realmente são, vivendo devotamente a "si" e a Mamon. De uma forma ou de outra, o corpo é de suma importância.

          Vou começar falando sobre o que me chamou a atenção para escrever sobre este tema. Tenho observado durante a minha vida (que não é lá muito longa) os acontecimentos mundiais e como ele se reflete em nossa sociedade, mais precisamente na atualidade. Sempre existiu diversas formas de nos expressarmos através do nosso corpo, durante toda a existência do nosso planeta, mas algumas chamam mais nossa atenção do que outras (me refiro aqui ao tratamento que damos ao nosso corpo). Podemos citar como exemplo o celibato e a auto-flagelação (ou auto-mutilação, podendo levar à morte, como no caso dos homens-bomba) no caso dos religiosos, os vegetarianos e praticantes de atividade física no que se refere a o que ingerem, como e com o que nutrem seus organismos e como mantêm a saúde física (e porque não da mente?), aos praticantes de sexo (independente de ser casual, da orientação sexual, se são afeitos por fetiches dos mais diversos, se é somente com o parceiro que está casado, se é por profissão etc), aos diversos estilos e manifestações da vida (se é adepto a piercings, tatuagens, escarificações, implantes cutâneos, lacerações, tinturas de cabelo, suspensão corporal, cortes de cabelo/barba diferenciados e estilos de roupa). Esses são apenas alguns exemplos que podemos citar dentre tantos outros. Cada um tem seu livre-arbítrio, mas fico me perguntando: para quê ou se isso é realmente  necessário? Darei sequência a este parágrafo após a "definição" de corpo como um vaso, como coloco abaixo.

          Para finalizar, o que significa isso de vaso e casa que coloquei no título? São apenas 2 comparações simples que utilizo, como explico a seguir.

           Comparo o corpo a um vaso no caso de qualquer dos animais que habite a Terra (mas falarei detidamente sobre o animal racional, também conhecido como ser humano). Corpo, o mais sublime dos santuários no qual se manifesta a obra divina do Supremo Idealizador. Domicílio de carne, no qual a alma se manifesta, o corpo é perfeito em toda a sua extensão, em seus detalhes mais ocultos e em seus fantásticos mistérios, indecifráveis pela própria criatura. Através dela, a mente hominal se desenvolve e se purifica, ensaiando-se nas lutas da transformação interna, lapidando-se como diamante coberto de lama. Vaso depositário de bênçãos, como disse Emmanuel em psicografia de Chico Xavier, o corpo "lembra uma oficina complexa, formada de bilhões de motores infinitesimais, movidos por oscilações eletromagnéticas, em comprimento de onda específica, emitindo radiações próprias e assimilando as irradiações do plano em que se encontram, tudo sob o comando de um único diretor: a mente." O corpo é templo sagrado para o desenvolvimento das potencialidades das criaturas sobre a Terra e nos demais planetas que orbitam o Universo, que nos é oferecido gentilmente pelo Patrono Celeste.

          Ainda quando estava na universidade e atuava na área de psiquiatria, tive a oportunidade de conduzir grupos em atendimento na UDQ (Unidade de Dependência Química). Dentre as atividades que propús, trabalhei a questão da máscara (que falarei aqui em outra oporutnidade) e a questão da casa como simbologia do nosso corpo e do que fazemos com ele. E é este sentido que quis representar aqui. Imaginem nosso corpo como a nossa casa. Como é que é esta casa? É bagunçada, harmoniosa, bonita, simpática, mal-cuidada, suja, cheirosa, vazia, cheia, nova ou está com a construção em ruínas e caindo aos pedaços? E quem é que frequenta essa casa? Selecionamos quem entra ou qualquer pessoa pode entrar e fazer o que quiser? Nós estamos nela, participando e decidindo o que acontece e que rumos se toma ou somos apenas espectadores, deixando ao abandono? O que nós trazemos para dentro dela? Como disse aos meninos e meninas que atendi naquela época: nós tomamos a rédea da nossa vida; quem manda na nossa casa somos nós! Portanto, só acontecerá o que nós quisermos ou que nós permitamos que aconteça.

Resumindo: o corpo é uma das coisas que temos de mais sagrado e que devemos zelar o máximo possível, pois ele nos é emprestado por Deus. Sendo assim, devemos cuidá-lo para que se possamos merecer o título de filhos do Criador, instrumentos de manifestação divina para desenvolvimento de nossas capacidades para melhor servi-Lo. Lembrem se disso para facilitar a leitura de outros textos que exporei aqui sobre sexo, a mente, dor, doenças, a razão da nossa vida e para o qual fomos criados, entre outros. E lembrem-se deste texto também se forem reler o que escrevi sobre carnaval, vegetarianismo, doação, influência e exemplo, religião, desapego, morte, trabalho, liberdade e libertinagem. Por isso me questiono sobre a prática indevida do sexo (como o casual, grupal, profissionais do sexo e da indústria de filmes adultos etc), ingestão de entorpecentes, drogas ou qualquer outro tipo de agressão (como um aborto, por exemplo), exageros com dietas e na prática esportiva (como fisiculturismo e alterofilismo, que podem desenvolver distúrbios psiquiátricos e lesões físicas), o estilo de vida punk, roqueiro ou com modificações corporais, até mesmo nos casos estéticos (ditadura da beleza da magreza por aqui e em países norte-americanos e europeus e ditadura da engorda na Mauritânia, África, para conseguirem casar, ou das "mulheres-girafas" que utilizam aquelas argolas no pescoço e vão esticando-o) e assim por diante. Obviamente, como menciono acima, cada um sabe o que faz, mas é inevitável que se pense nas consequências de tamanho vandalismo, crueldade, agressão e mutilação (ou seja, atitudes pouco recomendáveis) contra nós mesmos. Lembrem-se: o corpo nos é somente emprestado, portanto façamos bom uso e cuidemos bem dele.

Namastê. Au revoir.

sábado, 9 de junho de 2012

Música

Publicação dedicada à reflexão sobre a música no mundo.

A música é a arte e a técnica de combinar sons de forma harmoniosa e melodiosa; organização de sons com intenções estéticas, artísticas ou lúdicas, variáveis de acordo com o autor, com um ritmo, com a zona geográfica, com a época, etc. Para mim, a música é algo que não tem nacionalidade, sexo, etinia ou qualquer outra particularidade egóica; é algo que transcende o físico e atinge o humor, o emocional e o espírito. De alguma forma, mexe no nosso íntimo mais profundo (se é que este termo existe), em maior ou menor grau, quer as crituras queiram ou não. Acredito que não há dureza que a música não quebre, caso exemplos e palavras não deem jeito, a música o faz, mesmo que aos poucos. Para a música, não há barreiras.

E como é que a música anda no mundo e o que nós estamos fazendo com ela? No decorrer da história do mundo, muito já aconteceu, mas muito ainda está por vir. Alguns defendem que as músicas antigas são melhores que as atuais, mas será mesmo? Nem sempre música antiga é sinal de boa música. E quando digo música quero dizer musicalidade, letra, melodia, ritmo, voz, harmonia, instrumentação, interpretação, o sentimento e tudo aquilo que a música é capaz de trazer. Acredito que com a mudança dos tempos, temos mais liberdade de expressão, incluindo na música, porém, quando pego uma música mais antiga e comparo com uma mais atual, não vejo tanta diferença na temática: às vezes dores de cotovelo, traições, amores ou outras coisas sem muito sentido/importância; pelo menos antigamente pareciam ser melhores. Convenhamos que hoje a maioria não fala nada com nada ou são de teor sexual "indireto".

Outro dia estava conversando com uma amiga do Rio (petropolitana, na verdade) num bar com música ao vivo e falávamos exatamente sobre isso. O moço em questão (que cantava no bar) tinha uma ótima voz e fazia uma intepretação muito boa. Nos questionávamos a respeito do grande sucesso de alguns artistas (Michel Teló, Tati Quebra-barraco, Black Eyed Peas, Rihanna, Ke$ha, Lady Gaga, Parangolé e outros de gêneros parecidos - sertanejo, axé e demais artistas ou bandas pops da atualidade) em detrimento de algumas pessoas ou bandas anônimas espalhadas nesse imenso Brasil, que cantam em bar ganhando de fato o "pão de cada dia, pouco a pouco e com um talento tão grande "desperdiçado" (ao menos, pouco reconhecido). Fico triste ao ver uma versão de "Ai se eu te pego" cantada no estrangeiro em inglês quando vejo que temos coisas melhores, mais interessantes e mais valiosas a oferecer. Também me entristesse ver as pessoas cantar aos quatro ventos I Gotta Feeling do grupo Black Eyed Peas sem saber que significa "Eu posso sentir/ Que hoje a noite vai ser boa/ Eu tenho meu dinheiro/ Vamos gastar até/ Sair e arrasar/ Vamos muito mais longe/ E perder todo o controle/ Encha meu copo/ Olha como ela dança/ Só tire isso/ Nos vamos acabar com isso/ Vamos queimar o teto/ Vem fácil/ Vai fácil/ Agora nós estamos no topo/ Festa todo o dia/ Vamos viver ao máximo". É isso que é viver? É isso que nossa vida vale? Outro imitam Lady Gaga com suas roupas glamurosas e figurinos um tanto diferenciados e outros ainda gostam das músicas sensuais de Rihanna e Ke$ha. Onde é que está a música (letra, melodia, voz, harmonia, interpretação etc) da música da Liga da Justiça (Foge Mulher Maravilha)? Acho que a única coisa que se tem é ritmo (bem como muitas outras: rock, sertanejas, de forró, funk ou pops). E vale? Para alguns sim, mas não para mim. Por isso sou taxado como chato e antissocial nas festas que vou quando me recuso a cantar ou dançar músicas de tipos semelhantes.

Para finalizar, gostaria de falar um pouco sobre o assombroso poder do qual a música é possuidora. A música transforma! Ela está em todo o lugar (como mostrado no filme O Som do Coração) e, para mim, a música é vida! Ela preenche nosso ser, parece dar colorido e sentido à vida (como ilustrado nesta publicação, acima). Vejam só o exemplo das trilhas sonoras dos filmes: é a música que nos traz maior proximidade ao que está nos sendo trasmitido pela película. Elas enriquecem de tal maneira, que a fotografia, o roteiro e até as interpretações parece que melhoram. Filmes com pouca ou sem nenhuma trilha sonora parecem ser sem-graça e mortas ou morimbundas. Parecem estar em preto e branco. Homenageei com uma tatuagem as 2 coisas que mais gosto: música e filme. Infelizmente o que se vê hoje é pouca música (quando falo música é com todas aquelas características acima, ou pelo menos a maioria delas) e muito de outras coisas (vozes não tão boas, ritmos alucinantes e músicas sem letra ou melodia). Mas graças ao bom Deus a música do futuro será música de verdade (ou pelo menos aquilo que era pra ser).

Namastê. Au revoir.

sábado, 2 de junho de 2012

Quando o corpo fala

Acho que este é uma das coisas que poucos conhecem. E é verdade, não é somente com a voz e com os gestos que nos expressamos: o corpo fala por si!

Os mais atentos são capazes de ver, através do corpo, todo o histórico de uma pessoa e como ela realmente é, bem como também é capaz de perceber o que alguém pensa sobre alguma coisa em determinada situação sem mesmo emitir um som sequer. E é basicamente essa abordagem que farei aqui. Já vou adiantar minhas fontes. Para os interessados (e os curiosos também) tem um livro chamado O Corpo Fala e outro chamado Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal. O primeiro encontrei em formato PDF para quem quiser ler e baixar e o segundo encontrei para download também, basta acessar os links acima. Também existe um seriado interessante chamado Lie to Me, que junta ciência real com criatividade especulativa (para não dizer invenção fantasiosa) a respeito do assunto (e que utilizei como ilustração desta publicação, acima).

Podemos perceber como uma pessoa é, seu jeito, seus gostos e desgostos, quais os tipos de experiências que ela teve em sua trajetória de vida, sua possível profissão, entre outros. E para isso não precisamos que as pessoas falem verbalmente sobre tudo isso, porque nosso corpo fala mais alto, sempre. Podemos verificar diversos tipos de sentimentos: raiva, desgosto, surpresa, tristeza, medo, felicidade etc. Cada expressão facial, cada gesto, cada posição, cada seguimento do nosso corpo diz o que nem mesmo queremos. Um estudo que vi há uns anos atrás relatou que não é necessário mais que 10 segundos (se não estou enganado; ou é 2 minutos, não lembro) para conhecer um pouco das pessoas, saber se são simpáticas, se têm ideias compatíveis com as suas, seus gostos ou o que pensa sobre determinado assunto, entre outros. O inconciente pode até tentar, mas não vai conseguir. Obviamente têm pessoas que conseguem, após cursos, técnicas e métodos, inibir parte disto ou mesmo dissimular o que está pensando. Mas a maioria sequer sabia da existência disto.

Pois bem, podemos utilizar isso de muitas formas, para o "bem" ou para o "mal", como colocarei a seguir, o que pode tonar algumas pessoas "perigosas" (como um poder ou uma habilidade especial, por se tornarem leitoras corporais e detectoras de mentira, deixando as pessoas nuas por não conseguirem esconder as coisas - como no caso do seriado citado acima -  ou conseguir "manipular" as pessoas por saber a verdade, mesmo que as pessaos não saibam). Podemos utilizar isso como um detector de mentiras, mas temos que tomar cuidado porque a verdade nem sempre é agradável. Ou podemos usar isso para conhecer melhor as pessoas e saber se ela está realmente bem quanto diz estar, doente etc. Ou mesmo se a pessoa que estamos investindo está também afim da gente. Ou o que o (a) fulano (a) está pensando sobre determinada situação, se concorda ou não etc. Portanto temos maiores condições de ajudar as pessoas se estivermos atentos e perceber que ela não está bem quando, na verdade, diz que está ótima ou quando fazemos uma coisa que a pessoa diz que gostou e na verdade não gostou (quem for honesto e consciente não vai mais fazer aquilo), por exemplo. A escolha de como usar é sua.




Esta última parte vou dedicar ao mecanismo de história de vida, traumas e cura. Cada um tem uma vida completamente diferente uns dos outros que dependem das experiências que tivemos na vida. As imagens acima vêm ilustrar o antes, durante e depois de soldados estado-unidenses tiradas na guerra contra o Iraque. Há uns meses vi esta reportagem na internet (no site do hotmail) falando da mudança gerada nas pessoas pela guerra e como esta mudança se mostra no rosto das pessoas. Podemos aprender com isso: que as experiências de vida que temos interferem sim de forma concreta e visível em nossas vidas. Digamos que este soldados sofreram traumas. Como é que eles podem ser curados (ou mesmo melhorados ou transformados)? Com o auxílio da Psicologia e tratamento psicológico. Conheci há cerca de 1 ano e meio a abordagem Transpessoal da Psicologia e tive a oportunidade de ver como ela pode atuar também como mecanismo de cura dos traumas humanos durante um workshop que fiz (e que considero a melhor experiência e melhor coisa que aconteceu minha vida) perto de Paraúna (GO), na Serra da Portaria. Lá ouvi um dos coordenadores do trabalho (e que é minha terapeuta) falar uma coisa deveras interessante: que o corpo sabe como se curar (sozinho) ao deixar extravasar essas experiências dolorosas, como uma energia ou uma erva daninha que é retirada de dentro de nós, mas que nós, com nossa mania de egocentrismo, não deixamos que isso aconteça por querermos controlar tudo e acharmos que perdemos o controle quando isto acontece.

Bem, acho que era isto o que tinha pra falar. E espero que tenham compreendido o que eu quis dizer com este "resumo" que escrevi acima (tenho a impressão que ficou um pouco confuso e que faltam informações).

Namastê. Au revoir.

domingo, 6 de maio de 2012

Vegetarianismo - 2

Bem, como parece que ficaram pendentes questões relacionadas a este assunto e que gostaria de ter abordado, mas não tive tempo suficiente (ou que me esqueci mesmo), resolvi explorá-lo um pouco mais incitados por um dos comentários sobre o tema que utilizei como base. De certa forma é como se repetisse o que já tinha dito, mas ainda tem-se o que pensar. E se pensarem em outro ponto de vista, tiverem outras informações ou outra abordagem/exemplo relacinado ao tema que não encontraram aqui, favor compartilhar.

Este é o tipo de assunto que, como já havia dito, causa muitas discórdias porque cada um quer colocar (impor) seu ponto de vista, sua opinião e julgando os demais de ideias contrárias, agredindo e criticando, tomando aquilo como verdade absoluta e iniciando sempre uma disputa boba. Acredito que o texto escrito por mim anteriormente tenha se tornado interessante por ser informativo. Reafirmo o mesmo de antes: eu trouxe informações para que cada um forme sua opinião, embora eu já tenha a minha própria. Afinal, a questão vai além do que vc coloca no prato.

Como escrevi da outra vez, o impacto ambiental vai além de fazendas de criação, áreas verdes transformadas em pastos e abatedouros: também nos diz sobre os direitos dos animais e sobre consumismo. São problemas econômicos, sociais, ambientais e nutricionais. Porque? Quantos não são as aves que morrem para enfeitar o carnaval brasileiro, quantas pessoas ricas não se vestem com casacos de pele e usam bolsas e sapatos de couro de avestruz, jacaré ou bovinos e quantos são os animais que acabam em vidros e potes de cosméticos? Ou por exemplo se ao invés de comer carne uma pessoa aumenta a quantidade de sódio, carboidratos, gorduras, produtos industrializados, condimentados e conservas diversas. Da mesma forma que não adianta nada a humanidade se tornar vegetariana se não fizer a rotatividade correta das áreas de cultivo para nutrição e regeneração do solo ou utilizar muitos agrotóxicos para eliminar as doenças e pragas que atacam as plantações, prejudicando assim o meio ambiente, a saúde humana e animais de toda sorte que têm ligação direta com isto (como minhocas, pássaros, abelhas etc).

Em tempos distantes era necessário, e aceitável portanto, que o homem matasse para ter o que comer no que diz respeito aos valores nutricionais, quantidades de nutrientes necessários e na quantidade de fontes de alimentos disponíveis ao nosso dispor. Passado o tempo, o homem aprendeu a cultivar lavouras e aperfeiçoá-las, além do que também aprendemos a conservá-los mais para que pudéssemos trocar verduras, legumes e frutas das mais diversas com o mundo todo. Graças a isso temos a possibilidade de comer uma fruta japonesa aqui no Brasil e, portanto, não temos "necessidade" de comer carne para nos nutrirmos de forma adequada. Eliminamos, assim, a necessidade de caça e a pesca, ou pelo menos de diminuí-la. Mesmo que o planeta passasse a ser vegetariano teríamos outros problemas para resolver, pois continuaríamos com problemas de distribuição de renda e miserabilidade, sem contar que países realmente pobres como a África come-se o que tem para comer, sem direito a escolha. Portanto, para que isso possa se tornar realidade (o que ocorrerá daqui há, digamos, 100 anos), faz-se necessário a conscientização do ser humano, uma reforma de bases e educação (não só educação-educação, mas também a educação alimentar).

Para finalizar, vou falar novamente sobre a famosa cozinha vegetariana. Não é difícil fazer comida sem carne, mas a imaginação não nos permite ir muito longe, simplesmente porque para o cérebro da maioria das pessoas, se não tiver carne no cardápio, não tem refeição. As pessoas dizem "É, se não tiver carne na mesa parece que eu não comi" ou então "Se não tiver carne no meu prato eu não como/ não consigo comer". Sem contar os exageros, como havia dito na outra publicação: não basta fazer só macarrão com molho bolonhesa, tem que fazer também fricassê de frango e carne de sol frita. Ou então arroz com linguiça de frango, carne seca, calabresa e pedaços de carne de porco. E eu me pergunto para quê tudo isso. A digestão fica muito mais fácil se ajudamos nosso organismo com a alimentação mais leve. É um transtorno para alguém largar a picanha e trocar, um  dia que seja, por arroz, feijão e salada (quisá um ovo cozido). Mas é simples assim. A comida continua gostosa, pode ser bem variada (várias possibilidades de receitas) e é fácil/prática de se fazer, basta que tenhamos disponibilidade para aprender e vontade para fazer. Não precisa desesperar e ficar inventando moda; as pessoas ficam alarmadas. Conhecemos tantas receitas com palmito, tomate, milho, cenoura, queijo, grãos no geral (soja, grão-de-bico, tremoço, aveia etc) e outros vegetais e ficamos tão afixionados com a falta da carne que não conseguimos pensar em mais nada (é como se a criatividade e as receitas que conhecemos durante a vida fugisse, sumisse da nossa mente). Agimos como se o prato principal ou a mesa inteira como um todo girasse em torno da carne. Observem: tudo o que fazemos leva presunto, bacon, linguiça, peito de peru ou frango, entre outros. Assim realmente, se tirarmos pratos com carne parece que não temos mais nada o que comer e a mesa fica vazia e sem-graça. É tão mais simples tirarmos o presunto de algumas receitas ou coisas do tipo, e no caso de algumas receitas podemos também trocar de ingrediente. Mas as pessoas não param pra perceber isso (ou seja, não são conscientes disto), muito menos refletir.

Vou ilustrar com um fato ocorrido comigo esta semana. Fui ao aniversário do meu tio e minha tia disse que tinha feito caldo de ervilha, mas... Tinha bacon e calabresa no caldo (não era de ervilha?). No restaurante tinha bolinho de legumes, mas... tinha presunto no meio (não era pra ser somente de legumes?). Ou no caso  da beringela com pimentões, mas... tinha salsicha no meio (não era pra ser beringela e pimentões?). Acho isso muito irônico e controverso, chegando a ser engradaçado. Não era pra ser só ervilha e só legumes, no caso acima? Depois, fazer comida "vegetariana" é que é difícil... (né Tati? ;] ) As pessoas colocam carne em tudo e depois não sabem como podem fazer uma comida que não tenha carne... Com isso, estou apenas dando exemplos. Isto não é, portanto, criticar ou julgar, falar o que é ou não para ser feito. Só acho que isso seja uma coisa controversa. Qual é a necessidade de se colocar qualquer tipo de carne numa receita que era pra ser sem carne? Aí alguém pode falar: "Mas essa comida orgânica e cheia de frescura é cara demais". Tudo bem, mas lembre-se que tudo na vida é investimento. Quando se é jovem tem-se dificuldade em pensar no futuro e quando ele chega e o resultado não nos agrada ficamos chateados por não termos feito esta ou aquela coisa. Comer carne, no caso, se equivale a passar o protetor solar: pode ser caro e trabalhoso agora, mas os resultados chegarão a longo prazo e serão espetaculares.

Bem, tenho a sensação que falta dizer mais alguma coisa (ou mais algumas coisas), mas não me lembro no momento. Além do que o tempo é curto e o texto ficaria longo demais novamente (e as pessoas com preguiça de ler). Era isso: trago elementos a favor e contra, para que possamos refletir sobre a forma de melhorar nossa vida. Ninguém é obrigado a nada, mas as opções estão aí para serem escolhidas. E bem escolhidas. As consequências só virão depois. Este é um trabalho árduo, difícil e individual, pois é preciso que a consciência dos homens estejam expandidas (isto é, conscientes de seus atos e que estes estejam de acordo com seus pensamentos e com o que falam). Por ser individual é complicado que ocorra com todos "ao mesmo tempo", pois cada um anda de acordo com sua vontade, com seu ritmo, ao seu tempo e passo-a-passo, sem pular etapas (como se isso fosse possível). Além disso, temos que seguir os ciclos da vida e nosso próprio ciclo. É necessário dançar com a vida: deixar que ela te leve, mas manter a base sólida e raízes profundas para não se perder (perder o foco, a coragem, a vontade, a força e a meta a ser alcançada). Caminhemos com a vida, mas ela sempre corre para frente, sem nunca retroceder. E cada um ao seu tempo. Como dito em  uma frase de autor desconhecido que gosto: "Escolher é sacrificar. Que importa sacrificar algo grande em troca de algo ainda maior?"

Namastê. Au revoir.

domingo, 22 de abril de 2012

Vegetarianismo - 1

Aproveitei a deixa para escrever sobre o assunto depois que saiu uma reportagem essa semana que acabou sobre um grupo de 3 pessoas que assassinavam mulheres e utilizavam a carne das vítimas para fazer salgados para vender. Isto é, "obrigavam" as pessoas a fazer uma espécie de canibalismo. Nem estava sabendo do assunto até um de meus pacientes de informar sobre o que ocorria na mídia. E, pelo menos para mim, isso serviu para reflexão mais uma vez. E porque não trazer isso para as outras pessoas também?

Vamos começar pelo motivo pelo qual me tornei vegetariano. Nunca fui muito chegado em carne, mas menino não tem muito querer (não é mesmo?). Além do que, não é apenas tirar a carne do cardápio, é necessário substituí-la, cooisa que não podia financeiramente antes. Então para começar, me sentia mal comendo carne e também não gostava. Há uns anos tive oportunidade e condições financeiras para manter minha condição de não comedor de carne, coisa que já tinha planejado há uns 10 anos atrás mas só agora pude concretizar. Também tem aquela questão, que muitos criticam, de ter dó dos bichinhos. Mas na hora de explicar fico só com a primeira parte que dá menos trabalho (fazer o que se as pessoas não entendem e tentam de toda forma te dissuadir do que vc escolheu?). Verdade seja dita (completamente): ainda como peixes e frutos do mar com uma média de 1 vez por semana, mas há os vegans que comem exclusivamente vegetais, não ingerindo nenhum derivado de animal (como leite, ovos, manteiga, iogurte, queijo, mel etc).


Bem, a carne, ao contrário do que muito imaginam, não é um alimento necessário nem importante para nós seres humanos. Para os aminais (como o leão, por exemplo) é necessário pois ele só tem instinto, ao contrário de nós que herdamos uma pequena parcela desta e temos a inteligência (com raciocínio, pensamento etc) ao nosso favor. Não precisamos mais caçar para sobrevivermos: aprendemos a cultivar os mais diversos tipos de plantas ao redor do mundo. Então para que continuar com essa matança em nome de uma coisa que não representa muita coisa? Devemos lembrar que os animais também são nossos irmãos (digamos que mais novos). Nesse ponto me lembro, mais uma vez, de meu desenho preferido (Avatar) que num episódio, em que dialoga consigo mesmo, diz, sorrindo: Toda vida é sagrada. Sou até vegetariano. E está certo! O que é que nos faz pensar que somos melhores que outros animais? Só porque falamos, pensamos racionalmente e andamos sobre 2 patas? Toda vida é mesmo sagrada!

Daí partimos para outro ponto: o de agir em defesa da vida! Digo isso porque não paramos para pensar 1 segundo sequer sobre nossas atitudes e suas consequências. Preferimos agir no nosso comodismo e deixar as coisas estagnadas para manutensão dos nossos vícios. Porque matamos para comer bois, vacas, porcos, galinhas, antas, jacarés, tatus, ovelhas/cordeiros e peixes (e em outros países ainda cachorros, tartarugas, macacos, insetos, cobras, entre outros) e não matamos pelo mesmo motivo papagaios, gatos, cachorros e peixes (considerados de estimação), sapos, camundongos, aves diversas, coelhos, lagartos etc? Para ilustrar tem um vídeo interessantíssimo chamado Pig Me que conheci outro dia, juntamente com uma reflexão deveras interessante também em um blog de notícias de quadrinhos e cinema, chamado Melhores do Mundo, que acompanho de vez em quando. Nele, o próprio autor da publicação diz que "come carne para cacete" e que não vê graça em curtir com a cara ou chamar vegetarianos de malucos, declarando serem "pessoas mais fortes e mais sensatas que eu", que a escolha dos vegetarianos "traz mais benefícios pra mim do que a minha opção faz bem a eles" e que não se orgulha de não ter tentado ser vegetariano. Mas dá a dica para quem quer ser vegetariano de meio período (quem come carne dia sim, dia não), incluindo um vídeo da esposa do Paul McCartney apoiando a causa do Peta. Outros famosos que são vegetarianos são Madonna e Richard Gere.

Com tudo o que foi dito, ainda pode ser discudito a questão do direito dos animais e do impacto no meio ambiente. O consumo de carne é uma indústria e indústria querem lucro, sem se importarem muito com qualidade. Fazem o possível para seduzir as pessoas a comerem mais carne, mas vamos pensar um pouquinho no que isso resulta. O aumento da quantidade de animais tem conexão direta com fazendas de criação e abate, que por sua vez necessita de grandes áreas de pasto, lagos para os peixes ou baias para os porcos ou galinhas. Faz-se o desmatamento para a criação desses pastos, repercurtindo diretamente na questão ambiental com enfraquecimento do solo, diminuição de áreas verdes, contribuição para o aquecimento global, desvio de recursos hídricos para irragação e assim por diante. Sem contar com os gastos de alimentação e hidratação dos animais para abate: Enquanto são necessários menos de 500 litros de água para se obter 1 kg de soja, gastam-se até 15 mil litros de água para produzir 1 kg de carne bovina. Agora vamos ver o lado dos animais: como vc se sentiria, sabendo que está sendo criado (e, algumas vezes maltratado) para morrer? Com os animais não é diferente, demonstrado pela ilustração de Pig Me. Eles sabem que vão morrer, que socam comida goela abaixo para engordarem, são obrigados a ficarem presos, remédios que são aplicados "sem necessidade" etc. Eles sofrem com isso! E a carga energética que trazem consigo, principalmente na hora do abate, é muito forte e prejudicial. E a carne demora 3 dias no nosso organismo para ser digerido. Além do que algumas pessoas (pelo menos a maioria que conheço) são tão exageradas que, não bastando fazer bife e galinhada, ainda faz carne de panela ou carne moída. Precisa realmente disso tudo pra uma refeição só?

Para finalizar, gostaria de falar sobre as discussões dos que são a favor e contra o vegetarianismo quanto á questão da saúde propriamente dita. Não há consenso, nem entre médicos, nutricionistas, profissionais de educação física etc. Então vai da consciência e do coração de cada um. Os que são contra defendem que necessitamos da proteína da carne e que mesmo com toda a reposição que se faça com grãos, verduras e legumes existe uma tal de vitamina B12 que está presente exclusivamente na carne e que nós necessitamos. Já me disseram que todas as vitaminas e proteínas podem ser substituídos por soja, grão-de-bico, ervilha, vegetais de folhas verde escuro, ovos etc e que essa tal vitamina B12 estaria presente no ovo e nas folhas verde escuro. E que é o que eu acredito. Ora, se realmente fosse necessária a carne para nossa sobrevivência os indianos já não existiriam mais há séculos. Alguns outros, tentando "atacar" ainda apontam para mim: "Ah, então vc deveria viver de luz como as plantas. Já que não come carne porque vem de seres vivos, as plantas (verduras e legumes) também são seres vivos". A resposta é simples: bem que eu tento e gostaria, mas não possuímos clorofila para transformar a luz em energia. Óbvio que sei que as plantas também são vivos, porém os animais estão mais próximos de nós. O que está em jogo aqui, porém, é que querem estar todos certos, tanto de um lado quanto de outro e cada um defendendo seus interesses com unhas e dentes. Enquanto isso, pelo menos a grande maioria das pesquisas são tendenciosas para o não-vegetarianismo, já que os carnívoros (imagem que ilustra o ataque dos carnívoros meio, digamos, fanáticos, que se sentem ameaçados) querem sustentar seu vício frente a esta "ameaça". É mais fácil e cômodo comer sem pensar nas consequências do que parar para pensar nos benefícios e ter força de vontade para ficar 1 dia sem carne. Inclusive, se formos parar mesmo para pensar somos como os urubus: comemos carne podre e seres em decomposição, a diferença é que as congelamos e colocamos temperos.

Acho que já falei demais. Não estou aqui para levantar bandeiras, dizer o que tem que ser feito ou o que não tem, muito menos querer obrigar as pessoas a seguirem isto ou aquilo, serem vegetarianas com todos esses argumentos que trouxe. Apenas quero mostrar o que existe de fato e, quem sabe, fazer as pessoas parar ao menos para pensar. Porque agir já é outra história... Acho os vegans (quem só come vegetais e não comem nem derivados de animais como ovos, queijo e mel) um tanto radicais, mas tenho consciência que chegarei lá. Não sei quando nem como nem onde, mas estarei lá algum dia. E não tenho pressa: cada coisa ao seu tempo. É óbvio que sei que o mundo não pode ser completamente vegetariano agora, por divesos motivos: a quantidade de pessoas no mundo que sequer têm o que comer (quanto mais poder escolher o que comer), a dificuldade em aceitar alguma coisa que não vá de encontro ao que queremos e as mudanças físicas, propriamente ditas, que isto acarretará. Por isso digo que podemos começar com 1 passo por vez, devagar. E este primeiro passo é pensar. Qualquer transformação ocorre aos poucos.

O fato é: além do maltrato aos animais, tornamos o mundo pior para nossos filhos e netos com tantos impactos ao ambiente para a criação dos bichos para consumo. Se fizermos algo para aumentar os dias e a qualidade do planeta onde vivemos, por menor que seja, já está valendo. Mas isso demanda tempo e, principalmente, força de vontade (o que falarei em outra oportunidade)! Podemos começar com as pequenas coisas. A comida vegetariana é fácil de fazer e muito gostosa, apesar de muitos imaginarem o contrário, basta que se tenha vontade de experimentar e fazer. São esteriótipos e preconceitos como estes que oportunidades são perdidas. Ressalto novamente a questão da comodidade e da força de vontade. E onde é que entra a questão do canibalismo nisso tudo citado no início do texto? Além do que matar é crime, consumir carne humana ou de qualquer outro animal também poderia ser crime, já que não somos melhores ou piores que qualquer outro animal. Se pensar em abatedouros humanos é horripilante, abatedouros de animais também deveria ser (ilustrada pela imagem bem a cima referente ao nazismo). Para os interessados, podem conhecer aqui uma revista para vegetarianos e aqui também podem conhecer como ser vegetariano por 1 dia.


Não sou o tipo de vegetariano chato, tanto para comer quanto para tentar fazer alguém mudar de ideia sobre qualquer coisa que seja. Acredito que atitudes e exemplos falam mais que palavras. Muita gente fica preocupada quando vou comer na casa delas "sem saber o que fazer pra me agradar". Eu como de tudo, exceto carne. Simples. As pessoas é que imaginam que só existe refeição se tiver carne no meio, sem contar que parece que só existe carne para comer em qualquer refeição que se faça. Acho engraçado.

Fica a dica: pare e pense. Não custa nada.
Aproveito ainda para falar que hoje é o Dia da Terra! \o/
Namastê. Au revoir.