sexta-feira, 20 de maio de 2011

Justiça ou vingança? - 1


Para começar, novamente vamos consultar o significado destas palavras no dicionário:
Justiça: Conformidade com o direito; a virtude de dar a cada um aquilo que é seu; A faculdade de julgar segundo o direito e melhor consciência; Prática e exercício do que é de direito; Retidão, uma das quatro virtudes cardeais.
Vingança: Ato ou efeito de vingar(-se); Punição, castigo; Atitude de quem se sente ofendido ou lesado por outrem e efetua contra ele uma ação mais ou menos equivalente.

Esses dois conceitos são muito conhecido por todos, mas ninguém costuma refletir sobre eles. Aliás, na grande maioria das vezes as pessoas conhecem muito mais a vingança do que a justiça. Independente do motivo que se tenha ou o tempo que se leve, costuma-se fazer justiça com as próprias mãos a esperar que a justiça seja feita por ela mesmo, seja judicialmente seja divinamente falando. E é importante que o conceito de justiça seja levado, aqui, a todas as interpretações possíveis.
Temos a justiça de Deus e a justiça dos homens. A justiça dos homens vale-se de parâmetros criados, estudados, discutidos, modificados e organizados em forma de leis e artigos ao longo da história. Isso tudo está destinado ao Direito, mas há pessoas que queiram fazer justiça fora desses parâmetros, mesmo quando contemplados com as prisões ou mortes daqueles que atentaram contra ele.
Para ilustrar contamos com vários e vários casos, mas vamos pegar 2 mais atuais: a morte de Osama Bin Laden e a vingança da personagem de Glória Pires. Após algum tempo na cadeia por um crime que não cometeu, ela resolve que o fulano lá deve "pagar pelo que fez a ela" e ao ser liberta sua vida passa a girar em torno de fazer justiça. Perde-se toda uma perspectiva de futuro, profissional e pessoal, para que viva única e exclusivamente para vingar-se. É triste ver uma pessoa passando por uma transformação tão radical quanto esta, e transformação no sentido negativo, cristalizando-se na mágoa, ódio e rancor. Isso porque é novela, daí ela também não precisa se preocupar com dinheiro, moradia etc, vivendo apenas em função de destruir a vida do outro que a fez mal. E são infinitos os filmes e personagens de novelas e peças teatrais que têm como tema a vingança. Tudo bem que vez ou outra isso consiga se concretizar, mas o acontece depois? O que se ganha em troca e o que vai se fazer da vida depois que conseguir sua vingança? Como é que vai ser tocada a vida?


Já o outro exemplo todos conhecem e a maioria compactua do resultado. Ao ouvir que Bin Laden estava morto quantos não foram os que exclaram "graças a Deus! Até que enfim."? Como se a paz mundial dependesse apenas de nos livrarmos da presença de um indivíduo. Podemos citar nesse mesmo exemplo o caso Nardoni, o massacre de Realengo e tantos outros. Em casos como esses, com tamanha crueldade, clamamos justiça esperando por vingança. Fosse apenas a justiça por ela mesma, deixaríamos as coisas nas mãos de advogados, juízes, delegados e promotores e "esqueceríamos" o que tinha acontecido. Mas, nessas circunstâncias, ao vermos os algozes a massa parte pra cima no "momento do linchamento", tomando um partido pessoal, justificando suas ações como merecidas pelo mal cometido por outro.
Conta-se nos dedos (talvez de uma das mãos) os que levaram uma prece singela em homenagem às essas pobres criaturas sem amor-próprio, que deixaram levar-se por ignorância e egoísmo. Lembram que eles têm que pagar pelo crime que cometeram, mas esquecem-se que também nós poderíamos estar no lugar deles. Aliás, nós estamos no lugar deles, mas a diferença consiste que um matou muitas pessoas e nós apenas mentimos, omitimos, seduzimos, chantageamos, mascaramos etc. Os fins e os meios mudam, mas não a intensão. São eles no lugar do nós, mas que mesmo assim não deixa de nos atingir. Alguns com ideais utópicos torpes chegam ao fanatismo de querer exterminar o mal do mundo, matando todos os que o fizerem, mas esquecem-se que, em maior ou menor grau, nós participamos disso. Isso é mostrado no desenho animado Death Note, onde um garoto quer tornar o mundo puro e justo matando todos os bandidos, esquecendo-se que quando faz isso, ele mesmo se torna o algoz. Não temos o direito nem o dever de julgar quem quer que seja, a não ser a nós mesmos e nossas atitudes. Passamos de vítimas para efetuadores do crime. E achamos que estamos certos, em nome da justiça...
A linha entre justiça e vingança é muito tênue. Temos que prestar atenção para percebermos que lado da linha estamos cruzando. Até porque, mais cedo ou mais tarde, somos sempre nós que a estaremos enfrentando de acordo com as várias outras leis que temos: compensação, retorno, causa/efeito etc.
Para fechar, podemos citar vários ditos populares sobre isso: aqui se faz aqui se paga, antes tarde do que nunca, quem com ferro fere com ferro será ferido e o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.
Então, prefiro ficar com a justiça dos homens até onde ela pode ser levada e aguardar a justiça divida.
Vamos pensar.
Au revoir.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sobre a Morte e o Morrer - 1


Transcrevo abaixo trechos de uma das ilustrações mais bonitas sobre a morte que já vi. Recebi por e-mail um dia desses. Não vou acrescentar qualquer opinião que tenha a respeito, ficando esta para uma outra oportunidade.

"Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

Mas ele continua o mesmo. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:  "já se foi", no além, outro alguém dirá : "já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida. Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

Assim, um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos todos nós ao encontro daquele que nos criou."

Au revoir.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os dois lobos


"Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre uma batalha que acontece dentro das pessoas. Ele disse:
- Meu filho, há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.
Um é Mau: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho, falsidade, superioridade e ego.
O outro é Bom: é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu avô:
- E qual o lobo que vence?
O velho índio simplesmente respondeu:
- Aquele que você alimentar."


Au revoir.

sábado, 26 de março de 2011

Imagine, What a Wonderful World!


Para essa postagem será utilizada como base 2 das músicas que gosto muito: Imagine de John Lennon e What a Wonderful World de Louis Armstrong. Para quem não conhece ou não sabe o que dizem as letras, podem clicar aqui e aqui e seguir. Também já postei aqui a letra de Imagine e acrescentei alguns dizeres rápidos sobre ela. Tratarei agora, de maneira um pouco mais profunda, o futuro nosso e do planeta que habitamos.

Sim, soa como loucura ou ficção científica para alguns, mas provas cabais já nos apresentam diariamente mostrando que, não apenas o que está por vir, mas o que já está acontecendo e como fazemos parte disso. Todos falam e temem o apocalipse, mas ele não ocorrerá como se espera, ou pelo menos não como se imagina. As mudanças sempre são para melhor. Obviamente que Deus, sendo a suprema bondade, justiça, amor e, portanto, sendo perfeito, não deixaria que nos acontecesse mal algum que não fosse para o nosso crescimento, portanto também não vale a ideia de céu e inferno como nos é mostrada. Mas isso é outra história...

O apocalipse será apenas a transformação do planeta de forma a abrigar pessoas mais boas, humildes, justas, serenas etc. São pessoas mais virtuosas do que somos hoje, mas ainda estão longe de serem perfeitas. O planeta mudará energeticamente e a matéria, que é uma das formas como ela é apresentada para nós, é apenas parte dessa energia, portanto também está sofrendo alterações. Vemos por todos os lados terremotos, tsunames, erupções vulcânicas, a mudança de eixo da Terra etc. Pouco a pouco o planeta será inundado por pessoas que ainda possuem suas dificuldades, porém serão melhores, mais espiritualizadas [e eu não disse religiosas] e mais virtuosas. Podemos comprovar isso com a chegada de uma imensa leva de crianças que praticamente já nascem sabendo mexer com a tecnologia que nos está disposta.

Como diz a letra de What a Wonderful World, seremos mais otimistas, veremos bondade em tudo e em todos, sem muitas disconfianças ou falsidades, a natureza será parte integrante e fundamental de nós mesmos, seremos mais simples, inteligentes, pacientes e felizes [e não será essa felicidade momentânea ou "fútil" que temos hoje em dia], teremos mais amor [o amor verdadeiro], seremos mais amigos, mais companheiros e diremos sinceramente "eu te amo" sem menores problemas, o individual será coletivo e o coletivo será individual. Enfim, o mundo será maravilhoso "Yes, I think to myself, what a wonderful world [Sim, eu penso comigo... que mundo maravilhoso]! Podemos ilustrar isso com um filme recente bem conhecido, chamado Avatar, onde os seres azuis viviam em profunda conexão com seu planeta [na verdade é a lua - Pandora - de um planeta], tanto que qualquer coisa que fosse atacada ou destruída feria a eles próprios. A natureza era parte deles mesmos ou como se fosse uma extensão deles. Orgulhavam-se desta conexão com a natureza e isso era uma coisa natural [conhecido como espiritualidade, o que não é o mesmo que Espiritismo, religiosidade ou religião].

Na música Imagine mostra realmente como será a vida nesse novo mundo que nos apresenta, então deixará de ser imaginação e será a própria realidade. Como a música é bem objetiva, transcreverei os trechos mais importantes: Imagine não existir países/ Nada pelo que matar ou morrer E nenhuma religião também/ Imagine não existir posses/ Sem necessidade de ganância ou fome/ Uma irmandade de homens/ Imagine todas as pessoas Compartilhando todo o mundo. Como podemos ver, o coletivo também será individual, trabalharemos individualmente em prol do coletivo, compartilhando uns com os outros para crescermos juntos. Com a unificação dos homens e o trabalho que realizarão em conjunto para a edificação de todos a religião deixará de existir para dar lugar à espiritualidade, já que Deus é um só. Religião será um dos tópicos que tratarei aqui, porém o que posso adiantar é que o homem ainda necessita dela, já que não sabe adorar a Deus de outra forma senão ritualística, além do que as várias religiões existentes servem para abrigar uma infinidade de pessoas que ainda não O encontraram dentro de si e também porque cada um encontra-se num nível de consciência diferente, identificando-se com as religiões que podem melhor podem compreender num determinado momento. Vou deixar pra falar de religião mais pra frente.

Enfim, finalizando, imaginem agora como seria um mundo com Madres Teresas, Chicos Xavieres, Gandhis, Buddhas, entre outros? Pois é o que teremos, ou pelo menos chegaremos perto disso. Começamos a vislumbrar as bençãos divinas para os que ajudarão a construir o novo mundo. As coisas ainda vão piorar bastante até que uma paz ainda desconhecida faça parte de nosso cotidiano. Aparentemente haverá mais sofrimento e dor para, só então, as coisas melhorarem. Enfim, imaginem que mundo maravilhoso! Agora não imaginem mais, pois esta será a realidade daqui a algumas décadas! E parem de imaginar e comecem a trabalhar para que possam fazer parte dele também!

Au revoir.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Carnaval


Bem, infelizmente não pude escrever antes como planejado. Tinha pensado em escrever justamente no "feriado" de carnaval que era mais propício, mas não podendo, eis-me aqui agora.
Vamos falar de uma das maiores propagandas do Brasil e que o torna tão famoso: o carnaval. Para começo de conversa, gostaria de esclarecer a "origem" do carnaval e que vao embasar um pouco desta exposição. O nosso carnaval é uma adaptação das festas romanas e gregas, que tinha como nome CARne-NAda-VALe [cuja a derivação e simplificação linguística para nós ficou carnaval...] e que tinha como motivação a "festa da carne" [meio óbvio, não?].
Pois bem, a história que conheço [contadas por um orador famoso e bem conceituado no Brasil] é essa: tais festas eram promovidas pelos poderosos da época [reis, "governo" etc], regadas a muito vinho [a bebida alcoólica mais comum na época], comida e sexo. Faziam verdadeiras orgias, com um número grande de pessoas e todos usavam máscaras. Será que tem alguma semelhança com a festa que fazemos?

Um ponto interessante a ser ressaltado é o motivo pelo qual usavam máscaras. Elas eram colocadas, justamente como sugerido pelo nome, para fazerem o que quiserem, satisfazerem seus desejos, promover a libertinagem por um determinado período de modo que não sentissem culpa pelo que fizessem. A máscara era como se falassem: na sociedade eu não posso fazer isso, sou uma pessoa séria e bem comportada, e aqui eu posso, posso tudo, já que não é meu rosto que está estampado aqui... Ainda hoje usamos máscaras, sejam de plástico, sejam de carne e pele ou seja social. Reflitam.

Depois de um pouco de história, vamos passar para a parte mais prática: o carnaval na sociedade moderna ou poderíamos dizer "o samba do crioulo doido". Essa festa se tornou popular, porém cara, muito cara. E pra que isso? Adivinhem? Para explorar ainda mais o povo e encher o bolso de quem mexe com isso. E o lucro é grande! Quem dirá para "artistas" e políticos. Aí, novamente, a velha política do Pão e Circo, como já falei. Cobra-se caro por abadás, como passaportes da alegria [mas não é assim que vejo], e a população não tem sequer a moradia, educação, saúde ou comida que precise para que isso se justifique, ou pelo menos para que se desfarce. Isso sem contar com as músicas fantásticas do momento: Rebolation, Melô da Mulher Maravilha ou Quero não/Posso não etc. É de uma musicalidade, melodia e letras de dar inveja a Bach, Beethoven, Mozart, Caetano Veloso, Engenheiros do Havaí, Legião Urbana, Maria Bethânia e similares. Acho que esses primeiros se revirariam no túmulo...

Outra coisa interessante que se vê é a quantidade de ambulância que disponibilizam para atender bêbados e arruaceiros neste período, sendo que os pobres não as têm nem quando passam mal, a ponto de morrer sem a assistência básica. A mesma coisa vale para os policiais que fazem a segurança da festa, hospitais lotados sem a mínima condição de atendimento adequado ou médicos e enfermeiros para socorrer quem precisa. A quem conteste, dizendo que os pequenos comerciantes faturam bastante nessa época também. É... podem estar certos, mas se essas famílias dependessem dessa data para venderem cervejas/refrigerantes, churrasquinhos, aparatos carnavalescos e outros balango-dangos passariam fome no resto do ano.
Tem até uma repórter da Paraíba que falou um pouco sobre isso, como forma de desabafo talvez, e, talvez, falando em nome de outros e que foi veiculado na internet esses tempos. É, pensamos praticamente do mesmo jeito, apesar de ter achado um tanto quanto desesperado e até agressivo. Podemos ser mais respeitosos, lembrando que tudo o que coloco aqui são pensamentos meus sem julgamento ou pré-conceitos, para mais ou para menos. No atual momento, sobre o que acho do carnaval, quem gosta e quem participa dele. Cada um escolhe o que acha melhor para si, como colocado na postagem sobre liberdade e libertinagem.

Tem também os que gostam de ver os famosos desfiles das escolas de samba, no Rio e em São Paulo. Há os camarotes vips, com artistas televisivos e outros tipos, a galera que paga para desfilar e uma competição [para mim sem sentido] para ver qual das escolas vai ganhar. Oras, passa-se o ano planejando e executando todas aquelas alegorias, cobra-se a um preço exorbitante pelas fantasias para desfilar e, se perde [ou se acontece um acidente, como o que aconteceu este ano], chora-se amarga e longamente [a mesma coisa pode-se falar do futebol, mas isso é conversa para um outro momento]. Porque se preocupar com isso, quando se tem um terremoto, um tsuname e um desastre nuclear devastando todo um país? Tudo bem, sei muito bem que o acontecido no Japão foi depois do carnaval, mas nosso objeto de interesse parece estar mais voltado ao fútil do que ao útil, e falo isso em linhas gerais sem querer apontar o dedo na cara de alguém. Porque nos importarmos com uma competição e umas fantasias em detrimento de milhares de pessoas que estão morrendo necessitando de ajuda? Mas compreendo que cada um tem um tempo para despertar e está num nível de consciência [em que já estive há muito tempo atrás, inclusive].

Pra finalizar, acho que não paramos para pensar no quanto se gasta com tudo isso. O quanto se gasta com a quantidade de mortos que aumentam nesse período ou com a quantidade de gastos com a saúde daqueles que adquirem algum tipo de sequela por acidentes. Impressionante que o governo [e nós] tem dinheiro para investir nisso, mas reclamamos ou nao se tem dinheiro para aplicar na população carcerária e em sua reeducação, na saúde, na educação, no transporte, no saneamento básico, na moradia etc etc etc. Por último, gostaria de falar sobre as consequências em comemoração da festa da alegria [comemorar o que mesmo? E que alegria é essa?]. O que vemos antes, durante e depois [variável de acordo com a região do nosso país, já que sabemos que os nordestinos lideram com relação a isso]: mortos ou sequelas por acidentes diversos, DSTs sendo transmitidas aos montes, gravidez indesejadas, abortos ou mães [e raramente pais] despreparados [e, muitas vezes, adolescentes e desempregados], alcoolismo [ou, pelo menos, aumento dos vícios considerados lícitos - álcool e cigarro], milhares de aves que morrem para doarem suas penas para que possa ser usadas de enfeites nas fantasias etc... Saldo positivo? Não para mim. Essa alegria, que dizem ter o carnaval, não me seduz. É ilusão e muitos querem ser iludidos, ainda.

Acho que a festa da alegria do Carne-Nada-Vale poderia ser substituído pela verdadeira Festa da Vida, mas teríamos que planejar e organizar ainda do jeito que a Vida merece. Poderíamos começar ajudando nossos irmão nipônicos, na medida do possível, e comemorarmos juntos as Vidas. Na verdade, minha vontade era estar lá, mas não é possível, bem como não foi possível estar no Haiti, no Rio de Janeiro ou Blumenau nas dificuldades que passaram. Pelo menos não como eu gostaria, mas se não é possível estar fisicamente, trabalhemos em pensamento. Com tudo isso que coloquei, será que a história do carnaval dita no começo tem alguma coisa a ver com o que fazemos hoje? Para mim foi só a vestimenta mudou e ficou mais modernizada, mas o significado é, praticamente, o mesmo.

Au revoir.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011


Mais uma noite de gala em Hollywood para a festa da maior premiação do cinema em sua 83º edição. Consegui assistir a todos os filmes que estrearam na cidade, porém, infelizmente, não foram todos os que concorrem à estatueta dourada. Muitos ficaram faltando assistir porque não chegaram aqui até o momento, porém alguns devem ainda estrear mesmo depois da premiação hoje. Tenho meus favoritos em cada categoria. A seguir colocarei as categorias e os indicados em cada uma delas, marcando em negrito os ganhadores e em itálico quem eu gostaria que ganhasse. Caso esteja em negrito e em itálico, significa que o que eu gostaria que ganhasse realmente ganhou o grande prêmio da Academia de Artes Cinematográficas de Los Angeles. Caso tenha mais de 1 em itálico significa que estou em dúvida sobre qual deveria levar a estatueta para casa. E caso não haja nenhum em itálico é porque ou não assisti aos filmes da categoria ou não soube opinar [provavelmente por não ter assistido, como é o caso das categorias de Documentário e Filme Estrangeiro].

“Curiosidades”: Não assisti A Rede Social por achar que era perda de tempo e não ter nenhum atrativo. Espero que 127 Horas, Namorados Para Sempre, O Mágico, Em Um Mundo Melhor e Reencontrando a Felicidade estreiem para eu poder assistir. Também não sei o que Inverno da Alma está fazendo na concorrência de filmes tão bons quanto os outros... Salvo a atriz, ele não vale estar lá.
E para não deixar passar, achei na internet estas figuras representativas dos filmes concorrentes ao Oscar deste ano feita em Lego e achei fantástico! Tentem adivinhar quais são os filmes representados abaixo.













Sei que esta postagem está EXTREMAMENTE LONGA, porém é inevitável que não seja assim. Sem mais delongas, vamos à lista!

Melhor Filme:
- Cisne Negro
- O Vencedor
- A Origem
- Minhas Mães e Meu Pai
- O Discurso do Rei
- 127 Horas
- A Rede Social
- Toy Story 3
- Bravura Indômita

- Inverno da Alma

Melhor Ator:
- Colin Firth, por O Discurso do Rei

- Javier Bardem, por Biutiful
- Jeff Bridges, por Bravura Indômita
- Jesse Eisenberg, por A Rede Social
- James Franco, por 127 Horas

Melhor Atriz:
- Annette Bening, por Minhas Mães e Meu Pai
- Nicole Kidman, por Reencontrando a Felicidade
- Natalie Portman, por Cisne Negro
- Michele Williams, por Namorados para Sempre
- Jennifer Lawrence, por Inverno da Alma

Melhor Ator Coadjuvante:
- Christian Bale, por O Vencedor

- John Hawkes, por Inverno da Alma
- Jeremy Renner, por Atração Perigosa
- Mark Ruffalo, por Minhas Mães e Meu Pai
- Geoffrey Rush, por O Discurso do Rei

Melhor Atriz Coadjuvante:
- Amy Adams, por O Vencedor
- Helena Bonham Carter, por O Discurso do Rei
- Melissa Leo, por O Vencedor
- Hailee Steinfeld, por Bravura Indômita
-Jacki Waver, por Animal Kingdom

Melhor Diretor:
- Daren Aronofsky, por Cisne Negro
- David Fincher, por A Rede Social
- Tom Hooper, por O Discurso do Rei
- David O. Russell, por O Vencedor
- Joel Coen e Ethan Coen, por Bravura Indômita

Melhor Roteiro Original:
- A Origem
- Minhas Mães e Meu Pai

- O Discurso do Rei
- Another Year
- O Vencedor

Melhor Roteiro Adaptado:
- 127 Horas
- Toy Story 3
- Bravura Indômita
- Inverno da Alma
- A Rede Social

Melhor Fotografia:
- Matthew Libatique, por Cisne Negro
- Wally Pfister, por A Origem
- Danny Cohen, por O Discurso do Rei
- Jeff Cronenweth, por A Rede Social
- Roger Deakins, por Bravura Indômita
[Eu trocaria A Rede Social por Biutiful]

Melhor Montagem:
- Cisne Negro
- O Vencedor
- O Discurso do Rei
- A Rede Social
- 127 Horas

Melhor Animação:
- Como Treinar Seu Dragão
- O Mágico
- Toy Story 3

Melhor Animação de Curta-Metragem:
- Dia & Noite
- The Gruffalo
- Let’s Pollute
- The Lost Thing
- Madagascar, Carnet de Voyage

Melhor Curta-Metragem:
- The Confession
- The Crush
- God of Love
- Na Wewe
- Wish 143

Melhor Filme Estrangeiro:
- Biutiful [México]
- Incendies [Canadá]
- Em Um Mundo Melhor [Dinamarca]
- Dente Canino [Grécia]
- Fora da Lei [Argélia]

Melhor Documentário:
- Exit Through the Gift Shop
- Gasland
- Trabalho Interno
- Restrepo
- Lixo Extraordinário

Melhor Documentário de Curta-Metragem:
- Killing in the Name
- Poster Girl
- Strangers No More
- Sun Come Up
- The Warriors of Qiugang

Melhor Trilha Sonora:
- Como Treinar Seu Dragão
- A Origem
- O Discurso do Rei

- 127 Horas
- A Rede Social
[Eu trocaria A Rede Social e Como Treinar Seu Dragão por Tron: O Legado e Bravura Indômita]

Melhor Canção Original:
- Cooming Home, de Country Song
- I See the Light, de Enrolados
- If I Rise, de 127 Horas
- We Belong Together, de Toy Story 3

Melhor Mixagem de Som:
- A Origem
- O Discurso do Rei

- Salt
- A Rede Social
- Bravura Indômita

Melhor Edição de Som:
- A Origem

- Toy Story 3
- Tron: O Legado
- Bravura Indômita
- Incontrolável

Melhor Efeitos Visuais:
- Hereafter [Além da Vida]
- Alice no País das Maravilhas
- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
- A Origem
- Homem de Ferro 2

Melhor Direção de Arte:
- Alice no País das Maravilhas

- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
- A Origem
- O Discurso do Rei
- Bravura Indômita


Melhor Figurino:
- Colleen Atwood, por Alice no País das Maravilhas

- Antonella Cannarozzi, por I Am Love
- Jenny Beavan, por O Discurso do Rei
- Sandy Powell, por The Tempest
- Mary Zophres, por Bravura Indômita

Melhor Maquiagem:
- The Wolfman [O Lobisomem]

- Caminho da Liberdade
- Minha Versão Para o Amor

Bom, este foi o Oscar 2011, porém, particularmente, foi meio difícil escolher um vencedor em algumas categorias pois haviam 3 grandes filmes que concorriam entre si em muitas categorias: Cisne Negro, Bravura Indômita e O Discurso do Rei. Como sempre, alguns dos filmes que torci perderam e também não concordei com alguns vencedores, mas tudo passa. Apenas uma coisa me deixou irritado: ter que esperar acabar o Fantástico [que fez uma cobertura fajuta com apresentação hilariante de Juliana Morrone] e, como se não bastasse, ter que esperar a transmissão de mais um abençoado “paredão” do tal BBB que com certeza é uma das coisas que ajudam a mudar o mundo [e para melhor, claro]. Ah, infelizmente também não foi desta vez que trouxemos um Oscar pra casa... Lixo Extraordinário perdeu para Trabalho Interno que fala sobre a crise econômica dos EUA que posteriormente caiu sobre o mundo.

Au revoir.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Grande Irmão - 1


Bem, abaixo transcrevo um texto de Luiz Fernando Veríssimo sobre o BBB11. Concordo com algumas coisas, mas ainda me soa um tanto exagerado no sentido de respeito às pessoas. Com relação à minha opinião irei fazer outro texto numa outra hora falando sobre isso, mas colocarei en negrito ou itálico as partes que concordo.

"BIG BROTHER BRASIL - Luiz Fernando Veríssimo

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço... A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar..., ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade."

Vamos refletir.
Au revoir